November 13, 2019


   Este Verão será recheado de futebol a nível de selecções. Decorre neste momento o Mundial de sub-20, na Polónia, competição da qual a equipa das quinas foi afastada na fase de grupos. Teremos ainda a Copa America, este ano disputada no Brasil, e a Gold Cup da CONCACAF que terá uma organização tripartida, com jogos na Jamaica, na Costa Rica e nos Estados Unidos.

  No entanto, a competição que vou seguir mais atentamente e que vou abordar hoje é o Campeonato Mundial de futebol feminino, que decorrerá em França, entre os dias 7 de Junho e 7 de Julho.

  O último Mundial assinalou a saída da cena internacional de alguns grandes nomes da modalidade, como as guarda-redes Hope Solo (EUA) e Nadine Angerer (Alemanha), as médias Lotta Schelin (Suécia) e a melhor jogadora do Mundo em 2011 Homare Sawa (Japão) e a avançada Abby Wambach (EUA). Merece destaque ainda a ausência da actual detentora da Bola de Ouro, Ada Hegerberg, que abdicou da selecção norueguesa, reivindicando mais igualdade de tratamento para o futebol feminino, uma questão que tem sido muito levantada nos últimos tempos e com razão. Não falamos apenas da questão financeira, mas principalmente das condições de trabalho que são concedidas às equipas femininas, sejam de clubes ou nacionais.

Ada Hegerberger

  Passando ao jogo propriamente dito, a nossa Selecção não conseguiu o apuramento, num grupo complicado que incluía Itália e Bélgica. Os portugueses poderão no entanto apoiar a selecção brasileira, que inclui Tayla e Geyse, jogadoras do Benfica ou a equipa inglesa, que inclui a lateral direita Lucy Bronze, filha de pai português.

  Falando de favoritos, podemos começar pela equipa da casa. A França conta com a base do Lyon, equipa tetracampeã europeia, onde se inclui a capitã Amandine Henry, a defesa central Wendy Renard (com 1.87m é a líder da defesa e também um perigo também no ataque) e a atacante Eugenie Le Sommer, reforçada com a qualidade e experiência de Élise Bussaglia e Gaëtane Thiney e a irreverência de Diani. A jogar em casa, algo menos que as meias-finais será visto como desilusão.

Amandine Henry

  Falemos agora da Alemanha, que atravessa uma fase de transição, mas é sempre uma equipa a ter em conta. Além da já mencionada Nadine Angerer deixaram a selecção germânica Anja Mittag, Simone Laudehr e Melanie Behringer e a liderança da equipa passa agora por outra jogadora do Lyon, Dzsenifer Marozsán, Alexandra Popp e Sara Däbritz. Um ponto negativo é a recente chegada da treinadora Martina Voss-Tecklenburg, que estava sob contrato com a Suíça e apenas em Novembro tomou conta da equipa alemã, pouco tempo para implementar as suas ideias. Os bons resultados que obteve com as helvéticas são um bom cartão de visita, veremos como se sai neste cargo de maior pressão.


Alexandra Popp

  Já o Brasil, com Marta e Cristiane ainda a recuperarem a forma após lesão, vai tentar que 2019 seja o seu ano, na provável despedida da melhor jogadora de sempre dos grandes palcos. O maior auxílio para Marta serão Debinha, avançada que joga nos Estados Unidos, e Andressa (centrocampista do Barcelona). A selecção orientada por Vadão não vem no entanto numa boa sequência de resultados, com 10 derrotas nos últimos 11 jogos de preparação e está num grupo que inclui equipas perigosas como a Austrália e a Itália. Veremos se quando começarem os jogos a doer a Canarinha suba de rendimento.

Marta

  Seguimos para a Inglaterra, medalha de bronze do último Mundial e orientada pelo conhecido Phil Neville. As Leoas têm uma equipa com boas soluções, liderada em campo pela número 10, Fran Kirby. Com apenas 1.58m a jogadora do Chelsea é o motor desta equipa. A defesa é sólida, conta com a já mencionada Lucy Bronze (provavelmente a melhor lateral direita do Mundo), Stephanie Houghton (capitã do Manchester City) e Millie Bright (peça importantíssima do Chelsea) e Alex Greenwood (a caminho da recém formada equipa feminina do Manchester United). Não posso deixar de fora destes destaques a atacante Toni Duggan, que marcou presença na final da Liga dos Campeões feminina desta época, pelo Barcelona, apesar de ter passado um pouco ao lado dessa partida. Tal como a França, menos do que as meias-finais será considerado um mau resultado.


Toni Duggan

  Termino a lista dos grandes favoritos falando dos Estados Unidos. Para quem acompanha com algum interesse este fenómeno do futebol feminino, esta equipa dispensa apresentações. Liderada fora de campo pela treinadora Jill Ellis e dentro de campo por Alex Morgan e Megan Rapinoe a selecção norte americana é a campeã em título e a equipa mais forte deste torneio, pelo menos no papel. Existe abundante qualidade em todos os sectores da equipa. Na defesa Becky Sauerbrunn, Abby Dahlkemper e Crystal Dunn garantem estabilidade. Na linha média temos ainda aos 36 anos a duas vezes melhor jogadora do Mundo Carli Lloyd, Julie Ertz para as tarefas de recuperação e Lindsey Horan no papel de box-to-box. No ataque, uma dor de cabeça das boas: escolher entre Mallory Pugh, Christen Press, Jessica McDonald ou Tobin Heath para acompanhar Alex Morgan. Esta equipa é a principal candidata a estar na final de 7 de Julho.


Carli Lloyd

  Falando agora um pouco sobre as equipas que aparecem numa segunda linha, destaco as representantes da Oceania, principalmente a Austrália. As Matildas beneficiam do facto de terem várias jogadoras a actuar na liga norte americana de futebol, logo à cabeça Samantha Kerr, uma finalizadora letal, mas também Caitlin Foord, Hayley Raso e a guarda-redes Lydia Williams. Desta selecção podemos esperar muitos golos, mas em ambas as balizas, pois a defesa australiana tem que melhorar para conseguirem melhor do que os quartos-de-final alcançados nos últimos três torneios.

  Já a Nova Zelândia tem uma equipa bastante experiente, liderada pela regressada defesa central Abby Erceg, que capitaneou a equipa das North Carolina Courage na final da NWSL, a liga doméstica dos EUA. Se procurarem esta equipa, vejam com atenção a número 10, Annalie Longo, que aos 26 anos já tinha somado 100 internacionalizações. Experiência é coisa que não falta a esta equipa, como se vê pelas 135 internacionalizações de Abby Erceg, as 122 de Katie Duncan e as 139 de Ria Percival.

  Regressemos agora ao Velho Continente para abordar a Holanda. Actual campeã europeia em título, a equipa holandesa entra no certame com credenciais, mas sofreram para chegar à fase final. Perdendo o grupo de qualificação para a Noruega, precisaram dos play-offs, onde afastaram Dinamarca e Suíça. A Holanda apresenta um futebol de alta velocidade, tirando partido da técnica e velocidade de Lieke Martens (Barcelona), Vivianne Miedema (Arsenal) e Shanice van de Sanden (Lyon). O meio campo também é muito forte, com Sherida Spitse (Valerenga), Danielle van de Donk (Arsenal) e Jackie Groenen (Manchester United). No entanto a defesa é um ponto fraco e num campeonato do Mundo isso paga-se caro. Já a Noruega, mesmo sem Hegerberg e na ressaca de um Euro 2017 onde foi eliminada na fase de grupos sem marcar um único golo, tem capacidade e potencial para ir mais longe. Na fase de qualificação, como já vimos, venceu o seu grupo, onde pontificava a Holanda e isso é um bom indicador. O destaque vai para a número 10 Caroline Hansen (Barcelona) e para a ponta-de-lança Isabell Herlovsen (Kolbotn). A outra equipa nórdica presente em França é a Suécia. Orfã da sua maior referência atacante dos últimos anos (Lotta Schelin somou 185 jogos pela Suécia desde 2004), a equipa sueca continua a apresentar muita qualidade em todos os sectores, começando pela experiente guarda-redes Hedvig Lindahl, jogadora do Chelsea. À sua frente a dupla de centrais Linda Sembrant (Montpellier) e Nilla Fischer (Wolfsburg). Destaco ainda a capitã Caroline Seger (Rosengard), presença marcante no miolo das nórdicas e a dupla do LInköpings, Kosovare Asllani e Stina Blackstenius.


Lieke Martens

  Para finalizar esta antevisão, temos a equipa canadiana. Com 13 jogadoras das 23 convocadas a alinharem na liga dos EUA, o Canadá é sem dúvida uma equipa a ter em conta. A veterana Christine Sinclair (Portland Thorns) é a líder da equipa e, aos 35 anos, deve estar no seu último Mundial. O currículo da ponta-de-lança mostra-nos 281 jogos pela equipa nacional e 181 golos, o que faz de Sinclair a segunda atleta com mais golos marcados por uma selecção, incluindo futebol masculino e feminino. Só por curiosidade, o primeiro lugar é ocupado pela ex-jogadora dos EUA, Abby Wambach, com 184 golos. Stephanie Labbé (North Carolina Courage) é uma guarda-redes de grande qualidade e Keisha Buchanan (Lyon) é a líder da linha defensiva de uma equipa que não sofre muitos golos. O grupo é bastante equilibrado, com Holanda, Nova Zelândia e Camarões, mas o Canadá tem tudo para vencer o grupo.

  O Campeonato Mundial de futebol feminino começa no dia 7 de Junho às 20 horas de Lisboa, com o jogo entre França e Coreia do Sul, no Parc des Princes e termina no dia 7 de Julho, em Lyon, às 16 horas e poderão ser acompanhados no RTP Play.

Ettie, a mascote da competição

Nuno Fernandes

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