November 16, 2018

 

Quinta-feira, 16 de agosto de 2018. O Sporting Clube de Braga empata em casa a dois golos com o modesto Zorya da Ucrânia, gorando assim o apuramento para a fase de grupos da Liga Europa, após um empate a uma bola fora de portas. Assim, do contingente português na Europa, apenas ficam a constar os “do costume”: Benfica e F.C. Porto na Liga dos Campeões, e Sporting na Liga Europa. De notar ainda que o Benfica, para ter chegado à Fase de Grupos da presente edição da Liga dos Campeões, foi obrigado a ultrapassar duas pré-eliminatórias, nas quais defrontou o Fenerbahçe e o PAOK, quando até há uns anos atrás os dois primeiros classificados do Campeonato Nacional tinham garantida a participação direta na fase de grupos da liga milionária, sendo que existia ainda a possibilidade da participação de um terceiro clube português na prova, caso ultrapassasse uma única pré-eliminatória de acesso.

 

Ultimamente, tem sido este o panorama das equipas portuguesas nas competições europeias: desolador. Salvo raríssimas e honrosas exceções, a prestação nacional “lá fora” pauta-se pela mediocridade, atingindo níveis incompreensíveis especialmente tendo em conta o passado recente recheado de conquistas e excelentes campanhas europeias (F.C. Porto campeão europeu em 2004, e vencedor da Liga Europa em 2003 (à data, Taça UEFA) e em 2011; Benfica finalista vencido por duas vezes na Liga Europa, em 2013 e 2014, tendo igualmente atingido as meias finais da mesma prova em 2011; Sporting de Braga finalista vencido da Liga Europa em 2011; Sporting semifinalista da Liga Europa em 2012; e não esquecer o Boavista semifinalista da então Taça UEFA em 2003).

 

 

Mas a que se deve o recente declínio das equipas portugueses nas competições europeias? Orçamentos reduzidos em comparação com os tubarões dos grandes campeonatos? Menos experiência internacional dos respetivos plantéis? Azar?

 

A meu ver, a principal explicação para o que se tem verificado prende-se com a crescente falta de competitividade interna, traduzida no modelo atualmente em vigor que caracteriza o escalão principal do futebol nacional. Naturalmente que não será de ignorar a absurda e quase insultuosa discrepância orçamental de qualquer um dos três grandes relativamente a monstros como o Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Juventus, Bayern, e por aí em diante, mas o cerne da questão não pode – nem deve! – orientar-se por tais pressupostos. A pergunta que se terá que colocar é a seguinte: tendo em conta a realidade atual, é justificável ter um campeonato nacional com 18 equipas? Salvo melhor opinião, a minha resposta resume-se a um rotundo e taxativo “não”.

 

É certo que existirão outros fatores e interesses de índole menos clara, mas julgo que a adoção de um modelo competitivo inspirado nos exemplos escocês ou belga (sem no entanto querer fazer um paralelismo com o (in)sucesso dos respetivos clubes) seria o mais apropriado para a nossa realidade, permitindo concomitantemente exponenciar a qualidade interna, e como consequência direta, um incremento de competitividade dos clubes portugueses nas competições europeias. Passo a explicar.

 

Imagino um modelo assente num campeonato composto apenas por 12 equipas, sendo que numa primeira fase todas elas se defrontariam em duas voltas, tal como se verifica atualmente. Finda essa fase, apurar-se-iam os seis primeiros classificados, bem como os seis últimos classificados, que se defrontariam entre si em mais duas voltas: no primeiro caso, para se definir o campeão nacional e os apurados para as competições europeias; no segundo caso, para definir as descidas de divisão, sendo que dois clubes desceriam automaticamente, e o antepenúltimo classificado disputaria um playoff com o terceiro classificado da Segunda Liga.

 

Teríamos assim quase garantidamente (a menos que se verificasse qualquer desvio à “normalidade”) quatro Benfica – Sporting, quatro Benfica – F.C. Porto, quatro Sporting – F.C. Porto, sem contar com os sempre interessantes confrontos dos grandes com o Sporting de Braga e Vitória de Guimarães, bem como o muito provável quádruplo confronto entre os dois emblemas minhotos. Tudo isto seria sinónimo de estádios cheios (logo, maiores receitas), emoção, e tendencialmente maior qualidade de jogo. Por outro lado, seria também expectável que os plantéis dessas doze equipas fossem mais fortes que os atuais, dado que os melhores jogadores dos restantes emblemas muito provavelmente seriam recrutados pelos primodivisionários.

 

Consequentemente, o resultado natural deste novo modelo seria um aumento exponencial de qualidade do nosso campeonato, que a médio prazo se traduziria numa maior competitividade em contexto europeu. Tal como quanto melhor é o treino, melhor será o jogo, nesta hipótese quanto melhor o nosso campeonato, mais boa figura faremos lá fora.

 

Porque não pensar à frente? Porque não inovar? Porque não querer mudar para melhor? É este o maior desafio que o futebol português terá de enfrentar nos próximos anos.

 

Miguel Pinho

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