December 10, 2018

Há poucos prazeres maiores para um fã da NFL que aquele momento em que duas equipas estão separadas por uma margem pontual mínima e faltam apenas alguns segundos. Segundos onde mitos caem e heróis nascem, onde aquele passe perfeito voa pela defesa e cria memórias inesquecíveis, tanto para os vitoriosos como para os derrotados. Todos adoramos um jogo discutido até à última posse de bola.

Ainda assim, há algo de muito satisfatório na apreciação de uma boa tareia. Um jogo em que tudo corre bem (ou mal, dependendo do ponto de vista) e uma das equipas sai de campo não apenas com uma derrota mas com a alma destruída. É uma arte subtil, esta de arrancar o coração dos adversários sem anestesia, e esteve em grande destaque na 3ª jornada da NFL, nas mais diversas formas.

Pode acontecer com laivos de perfeição, como na vitória dos Carolina Panthers sobre os New York Giants por 38-0. O ataque dos Panthers, especialmente no running game, esteve em grande forma, mas esta vitória deve ser creditada à impressionante defesa, liderada por Luke Kuechly. O quarterback dos Giants, Eli Manning, sofreu 5 sacks só no primeiro período e o ataque dos nova-iorquinos não tinha conseguido mais que 17 running yards e 1(!) passing yard ao intervalo. Foi uma tareia perfeita – e para quem possa insinuar que este tema foi escolhido depois da vitória dos meus Panthers, não sei do que estão a falar.

Outra forma de consumar uma tareia é assumindo a forma de um rolo compressor humano, como os dominadores Seattle Seahawks (sérios candidatos ao título) fizeram aos pobres Jacksonville Jaguars (sérios candidatos à primeira escolha do draft). O jogo, que terminou com o parcial de 45-17, foi tão desnivelado que os Seahawks se deram ao luxo de descansar o seu quarterback titular, Russell Wilson, e colocaram em campo o suplente Tarvaris Jackson, que prontamente acertou 7 em 8 passes, para 129 passing yards e um touchdown. Doloroso.

Uma boa tareia pode também surgir contra todas as expectativas. Depois de perderem na 2ª jornada, os San Francisco 49ers estavam determinados a não deixar mais um jogo escapar – o registo da equipa desde que são treinados por Jim Harbaugh é perfeito a seguir a derrotas. E o que aconteceu? Nada menos que uma valente coça de 27-7 às mãos dos Indianapolis Colts, liderados por Andrew Luck e um running game perfeitamente calibrado.

Foi uma jornada marcada por grandes desníveis nos resultados, alguns dos quais com potenciais consequências devastadoras para os treinadores que os sofreram. Muito deles não vão dormir descansados esta semana, mas podem sempre confortar-se com uma realidade – nenhum deles sofreu a mais humilhante derrota de sempre. Essa honra pertence ainda (e provavelmente sempre) aos Washington Redskins, que foram destruídos, em 1940, pelos Chicago Bears, pelo inacreditável parcial de 73-0.

Pedro Quedas

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