December 13, 2019

As Dores de Crescimento

Aproveitando a pausa para os compromissos das selecções, caros leitores, o destaque vai inteiramente para a entrevista concedida pelo Nosso Presidente, Luís Filipe Vieira (LFV doravante), ao diário desportivo “A Bola”, no passado domingo.

Atrevendo-me a ser o mais imparcial possível, é de destacar a tarimba de LFV no discurso produzido. Seguro, eficaz, demonstrando conhecimento da realidade do Clube, os 14 anos que leva de dirigismo (dois como director desportivo, doze como presidente) no Clube, transformaram-no num dificílimo interlocutor de contradição.

Mas, vamos por partes:

A convicção da aposta na formação vs investimento avultado em jogadores no internacional

 

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– O rumo mudou, diz LFV, por convicção na aposta da formação made in Seixal, não tendo a necessidade de o fazer. Meia verdade, a meu ver. Não dispondo das situações económicas bastante perigosas dos rivais, para a redução do passivo do Clube seria necessário realizar um forte desinvestimento. Foi o que se fez. A equação é simples. Neste mercado de transferências vendeu-se menos, comprou-se menos, registando-se 15,9M em compras.

As propaladas dores de crescimento – ao mudar-se de paradigma e de treinador é com naturalidade que existem percalços iniciais, não se encontrando a máquina oleada como em épocas anteriores. LFV bem resguardou o seu treinador, manifestando apoio total às suas decisões, respondendo afirmativamente à questão se Rui Vitória seria corajoso, afirmou-o peremptoriamente dando a novidade de que, mais que um treinador, o actual é um coordenador de todo o futebol, coisa que não acontecia com o seu antecessor.

A “publicidade” ao centro de estágio do Seixal

 

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– fazendo jus ao forte investimento realizado na construção do centro de estágio, LFV reforça a aposta na formação, deixando claro que a compra de jogadores internacionais será para completar os produtos fabricados em casa e de inquestionável qualidade, comprometendo-se a continuar a gerar fortes receitas com os jogadores formados. Confessa, com alguma mágoa, que a primeira grande fornada de jogadores cheios de talento foi “queimada” desportivamente, salvaguardando-se em alguma medida o aspecto financeiro. Verdade! Correndo o risco de desvalorização, Bernardo Silva e João Cancelo foram dois exemplos paradigmáticos dessa realidade. Responsável? Já não se encontra no Clube.

Garantias dada ao treinador para a conquista do Tri Campeonato

 

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– com alguma surpresa declara que gostaria de ter dado mais um ou dois jogadores ao treinador, escudando-se em seguida na competitividade do plantel, assegurando que este conjunto de jogadores é da mesma qualidade ou melhor que o plantel do ano anterior. Referindo-se à ausência da asa direita do ano passado juntamente com Lima, LFV procura amenizar o estado de espírito dos adeptos, revelando que se encontrou soluções. Pois, bem encontrou-se. Mas, naturalmente que qualquer mudança a montante será de natural e elevada demora, para a jusante terminar com o mesmo rendimento anteriormente alcançado. Não esteve bem aqui o Presidente.

Aposta em Taraabt e Carcela – refere-se aos dois marroquinos com a certeza de que vão aproveitar A oportunidade. A ver. Até ao momento ainda não justificaram sequer a possibilidade de aposta.

Processos de saída de Maxi e Jorge Jesus – Sobre o lateral uruguaio, diz que o Benfica não perdeu o jogador, foi este que não pretendeu continuar no Clube. Percebe-se o entendimento dado às palavras de LFV. O Benfica apresentou-lhe uma proposta ao nível do vencimento de Gaitán e este não a aceitou, por exigências de comissões de terceiros (o seu empresário, Paco Casal), não passando por sua vontade. Os Benfiquistas não podem tolerar que um jogador com os anos de casa de Maxi, não faça prevalecer a sua vontade. Seguramente que o jogador “pensou” na sua família, em primeiro lugar…

Sem revelar o desenvolvimento do teor das conversas com o ex treinador, refere que foi muito honesto com este. A meu ver, fê-lo bem. Porquê? Porque mediante as condições estruturais e financeiras do Benfica actualmente, Jesus é um treinador incomportável para se pensar em aumentos de vencimento, ainda que, com alterações de política desportiva. Essa alteração foi colocada em cima da mesa e seria desejada por todos. Menos por Jesus.

Relativamente ao conflito jurídico, LFV resguardou-se e bem na decisão dos tribunais. Não vale a pena levantar mais poeira acerca disso.

Centralização de direitos e eleições da Liga – LFV anuncia que os moldes actuais de transmissão de jogos poderão sofrer alterações com a futura centralização dos direitos televisivos, desde que a repartição seja justa (e aqui entenda-se com maior fatia para quem tem maior poder de venda no mercado), acrescentando a possibilidade de abertura de mais um canal do Clube.

Quanto às eleições da Liga manifesta uma preocupação legítima na mudança que se verificou na mesma, pois o voto de confiança dado a Luís Duque, quinze dias antes, goste-se deste ou não, foi-lhe retirado, tendo Duque sido fundamental para recuperar os patrocínios para a Liga. Demarca-se e bem da aliança conjectural realizada com um dos presidentes dos rivais, criticando-o pela postura, a final, assumida.

Eleições, número de associados e aspectos financeiros

 

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– LFV ainda não pensou nas eleições, porque ainda falta um ano de mandato.

No que toca ao número de associados, vê a situação pela perspectiva do copo meio cheio, no aumento de quase 50% de associados, face a 2005. Pois bem, será legítimo pensar desta maneira, visto que com as condições económicas portuguesas, para muitas famílias representa mais um difícil encargo, a despesa de 150 € adicionais aos seus orçamentos anuais.

Os aspectos financeiros foram deficientemente colocados e abordados nesta entrevista. Para espanto dos mais bem informados, LFV referiu que no futuro, o Benfica voltará a ter capitais próprios positivos. Ora, de acordo com declarações recentes já o teríamos. Em que ficamos? Com o desinvestimento realizado seria natural, o reforço desses capitais próprios…

 

Na entrevista concedida, existiram alguns assuntos que, na perspectiva dos Benfiquistas, não foram abordados: valor das quotas e sua eventual redução (promessa feita anteriormente); mecanismos para a redução do passivo, posição maioritária do Clube como principal accionista da SAD e possíveis alterações estatutárias.

Provavelmente, a serem abordados na próxima Assembleia Geral do Clube, a realizar-se em 18 de Setembro, sexta – feira, pelas 20 h e 30m, no Pavilhão n.º 2 da Luz.

 

Um capítulo entretanto aberto, no dia de ontem, foi a obrigatoriedade do pagamento de 5 € para a recepção do novo Cartão de Sócio com fotografia do associado: muito honestamente, o valor não é o que aqui mais nos interessa, mas sim o princípio utilizado. Nada foi comunicado aos seus associados, não existindo precedente em qualquer renumeração anteriormente efectuada. Adquire-se, assim, cerca de 800 mil € com esta operação de uma forma pouco transparente, visto que, a produção do cartão, não representa 1/10 do valor pedido. Pois bem, a Direcção que explicite o propósito desta decisão que caiu mal, entre os Benfiquistas.

 

Nas modalidades, as dores de crescimento, felizmente, ainda não se fizeram sentir:

 

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  • A vitória da Equipa de Andebol frente ao ISMAI por 29 – 22. Uma palavra especial para esta modalidade: sendo a única das principais modalidades de pavilhão – integrando aqui o Atletismo -, que não venceu qualquer título na época passada, apreciamos o trajecto que desde a época passada tem sido feito. Alcançou-se as meias-finais de uma competição europeia, dando os primeiros passos para o ressurgimento de uma modalidade muito querida pelos adeptos que, desde a época de Aleksander Donner, não vêm o título rumar para os lados da Luz. Com perseverança, passo a passo, sabendo que o orçamento é muito inferior ao de Sporting e Porto, pretendemos lutar jogo a jogo. No final, logo se fazem as contas.
  • A vitória da Nossa Equipa de Futsal por 9-0 fora de portas frente ao Rio Ave na 1.ª Jornada da Fase Regular do Campeonato. Tratou-se de um autêntico vendaval de bom futsal, personificando o que Joel Rocha tem de melhor: a humildade de encarar cada jogo e de respeitar todos os adversários por igual, sem menosprezar o valor do adversário. Após a fantástica vitória perante o Fundão que valeu a Supertaça, iniciámos da melhor maneira a defesa do título.
  • O sorteio da Liga Europeia no Grupo B em Hóquei Patins presenteou-nos com os seguintes adversários: Vic, Merignac e Bassano. Vamos partir para a disputa europeia com enormes valores, sendo que o favoritismo prova-se em campo.

 

De regresso às Competições Nacionais e preparando-nos para o início da Uefa Champions League, sexta-feira, dia 11, pelas 20 h e 30 m frente ao Belenenses e na próxima terça-feira, dia 15, frente ao Astana do Cazaquistão, pelas 19 h e 45 m, revivamos duas noites de inferno na Catedral para a Nossa Equipa trazer a vitória que se afigura fundamental, com vista à estabilidade e ao genes do Sport Lisboa e Benfica.

 

Vençamos todos juntos!

Vivó Benfica! Et Pluribus Unum.

 

Manuel Serra

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