September 17, 2019

Bem, primeiro queria fazer um artigo só para me gabar do facto de ir a Los Angeles, ver um jogo dos Lakers ao vivo, no Staples Center, naquela que é, provavelmente, a última época da lenda Kobe Bryant. Depois, pensei um pouco melhor e continuei com vontade de o fazer, por isso, cá está ele. É verdade, dia 26 de Janeiro de 2016 estarei presente na bancada para concretizar um sonho, ver os Lakers, ver Kobe Bryant, ver as faixas de campeão expostas num dos pavilhões mais emblemáticos da NBA, conhecer um pouco de Los Angeles. Com o pequeno bónus do jogo ser contra uma equipa engraçada, os Dallas Mavericks.

 

Mas admito. Admito que considerei pela terceira vez se seria indicado escrever para o Entre-Linhas só para causar inveja aos leitores. E, pela terceira vez, pareceu-me bem.

Acompanho os Lakers desde criança – cada um com a sua pancada e a minha sempre foi mais a NBA do que a nossa liga de futebol medíoc… excelente – e, desde essa altura, início do presente milénio, que tem sido fácil ser de uma das equipas com o maior historial da liga, idolatrar o melhor jogador desta geração, sentir-me campeão cinco vezes em 14 anos, tendo em conta que no basquetebol americano ser campeão é uma raridade, não é uma dança de cadeiras a três, com mais quinze a assistir.

 

Essa facilidade tem sido colocada à prova nos últimos tempos, com más equipas e a idade de Kobe Bryant a fazer-se notar, nomeadamente através de múltiplas lesões que não permitem que o astro jogue toda a temporada. Essa prova continua a ser vencida com facilidade, os Lakers continuam a ser a equipa – a par dos San Antonio Spurs – mais vitoriosa do milénio, continuam a ser uma das mais valiosas e Kobe, continua a ser Kobe e sempre será até assistir à cerimónia da retirada do seu número (ou números, aguardamos para ver).

 

Por tudo isto, é fácil ir a Los Angeles, gastar três ordenados para ver os Lakers, para ver Kobe, para respirar um dos desportos mais apaixonantes do mundo. Um dia, algures entre 2002 e 2004, eu perguntava-me porque é que algumas pessoas nas bancadas permaneciam felizes, mesmo a ver a sua equipa a perder. Hoje, tenho a certeza que vou ser uma dessas pessoas, mesmo que os Lakers percam forte e feio no dia 26 de Janeiro. Porque é fácil torcer pelas vitórias de quem ganha mais vezes do que todas as outras equipas. Não é este ano? Nós esperamos pelo próximo, não esperamos uma década.

Mas tudo bem, eu vou ceder. Vou parar de me gabar e ser muito sucinto sobre aquilo que vai ser esta época 2015/2016 para os Los Angeles Lakers: vai ser mau. Em termos de nomes mais sonantes, e note-se que a palavra ‘sonantes’, neste contexto, é muito relativa, saíram da equipa: Wesley Johnson, Jeremy Lin, Jordan Hill e Ed Davis e, entraram: D’ Angelo Russell, Roy Hibbert, Brandon Bass, Louis Williams e Larry Nance Jr. Adiciono ainda Julius Randle, o rookie que não é rookie porque no primeiro jogo que fez como profissional partiu a perna num lance arrepiante. Se D’ Angelo Russell e Julius Randle se podem agregar a Jordan Clarkson naquele que poderá ser um futuro brilhante para os Lakers, existe uma certeza imediata, só estamos a falar mesmo de futuro. Por agora, é tempo destes jogadores talentosos – mas muito jovens – cometerem os seus erros, provarem o seu potencial, decidirem se querem trabalhar para se tornarem verdadeiras estrelas. O mentor está lá, com esperança de fazer a época completa e com toda a certeza que se demonstrará crucial no desenvolvimento destes atletas, se estes tiverem a mentalidade vencedora, e sobretudo mentalidade de trabalho para alcançar os objectivos.

Os LA Lakers vão competir com o que têm, não vão aos Playoffs da fortíssima conferência Oeste e, provavelmente, vão ficar arredados cedo dessas contas. Mas, uma coisa é certa, já faltou mais para o reerguer do Purple and Gold e, eu, estarei cá para ver. Antes disso, no dia 26 de Janeiro… estarei lá, para apreciar!

 

Filipe Pardal

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