May 22, 2019

Do Brasil esperam-se sempre grandes feitos no que ao futebol diz respeito. Ao anteciparmos os favoritos de cada Mundial vamos sempre mencionar o Brasil, e se o temos todos feito nos últimos 50/60 anos, desta vez vamos mesmo ter de colocar o Brasil no topo dos favoritos. Primeiro porque é o Brasil, depois porque joga em casa, e por fim, porque é o Brasil a jogar em casa!

 

A frase pode ser estranha mas apenas à primeira vista, a verdade é que a maneira como o povo brasileiro vive a sua Selecção é única em todo o mundo. Na Selecção do Brasil não há o sectarismo clubístico de outros países, existe sim a discussão sobre quem deve ir ou não à Copa, e que chega a tomar proporções absurdas (basta lembrar o caso Romário), mas essa discussão termina no dia seguinte à convocatória, a partir desse dia, os que interessam são os que estão.

 

Este ano a nível de envolvimento da população o Mundial vai ser uma espécie de Euro-2004 vezes 20, e a equipa nacional vai ser “levada ao colo” pelos adeptos, restando apenas saber se vai haver arte suficiente para navegar essa onda de apoio e garantir que a Taça desta vez fica em casa, para juntar às outras cinco.

 

O grupo do Brasil é teoricamente acessível, pelo que o 1º lugar do grupo será garantido, com maior ou menor dificuldade, o que significa jogar contra Holanda ou Espanha nos oitavos-de-final. A capacidade do Brasil de se adaptar ao aumento abrupto do nível de dificuldade vai determinar até onde esta Selecção é capaz de ir.

 

Não obstante o facto de ser sempre favorito, fica a ideia de que esta geração é uma das menos fortes dos últimos anos. Neymar é muito bom, sem dúvida, mas claramente ainda não é nem Ronaldo nem Ronaldinho. O homem-golo da Selecção será alguém como Jô ou Fred, eventualmente pode até ser Alan Kardec. Já se sabe que Júlio César vai ocupar a baliza mesmo jogando há 6 meses no Toronto FC, e Paulinho teve uma época desgraçada.

 

Por outro lado, não me lembro de uma Selecção brasileira com tantas e tão boas opções nas outras posições. Se pensarmos num meio campo com Ramires, Luiz Gustavo e Oscar, e soubermos que para estas posições ainda podemos ter Hernanes, Willian e Paulinho ou Bernard, ficamos logo com a clara ideia de que vai ser muito difícil dominar um jogo contra esta equipa. Se a juntar a isso nos lembrarmos que o eixo defensivo terá um menino chamado Thiago Silva, que como companhia pode ter Luisão, David Luiz ou Dante, e dois laterais de classe mundial como Daniel Alves e Marcelo, então aí, concluímos que este Brasil ao contrário do de outros tempos, vai ter mais facilidade em não sofrer golos, do que em marcá-los, o que no futebol pragmático dos tempos que correm vale ouro.

 

Claro que a cereja no topo do bolo é o nosso bem conhecido Mister Scolari, homem com tantos defeitos como virtudes, que pode perder o apoio de um país com as suas teimosias, mas ganhar um grupo inteiro de jogadores prontos a morrer por ele.

 

Por tudo isto, no fim… quando o Brasil ganhar o Mundial e Scolari se tornar o primeiro treinador a ser campeão mundial por duas vezes com o Brasil (Vittorio Pozzo venceu duas vezes com a Itália), não venham dizer que o burro é ele…

 

Pedro Nogueira

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE