May 22, 2019

O Chile ao longo dos anos, foi capaz de produzir dos melhores e dos piores momentos da história do Futebol. Tão capaz de desempenhos como o da ridícula meia-final do mundial de 62 como da desqualificação talvez ainda mais imbecil do mundial de 90, à produção de goleadores como Marcelo Salas e Ivan Zamorano e de uma geração como a que esteve na África do Sul, e que agora estará no Brasil com outra bagagem.

 

Esta geração de chilenos tem tudo para pelo menos não envergonhar o país. É certo que um grupo com Holanda e Espanha, não é provavelmente o mais agradável, mas acredito que com a qualidade que esta selecção apresenta, tudo vai depender de como os dois tubarões do grupo se comportarem, até porque o Chile já colocou a Espanha em maus lençóis no último mundial (ambas as equipas fizeram 6 pontos).

 

Falando em qualidade, o primeiro ponto é quase o caso de estudo, Matias Fernandez.

Um jogador a quem qualquer adepto de futebol reconhece qualidade, mas que no entanto nunca foi capaz de demonstrar na Europa, aquilo de que foi capaz no colo-colo, e que de forma perfeitamente natural, mostra na selecção. Para um médio, apresenta um registo interessante de 14 golos, sendo o 10º melhor marcador da história do Chile, mas acima de tudo revela uma importância fulcral naquilo que faz o resto da equipa jogar. Para mim é claramente, daqueles jogadores que o futebol actual já não é capaz de absorver, porque a eficácia se sobrepôs à magia e à criatividade (inserir comparação de Ronaldo nos primeiros anos de Manchester United e Ronaldo actual) e porque o estilo de jogo que tem, não é compatível com restrições tácticas.

 

Depois temos um senhor chamado Arturo Vidal, que anda a fazer das suas na campeã Juventus há 3 anos, e que ainda recentemente quase matou boa parte da população portuguesa de ataque cardíaco. E lá na frente mais uma dupla na linha de Salas e Zamorano, que é garantia de golos seja na China ou no Brasil, Aléxis Sanchez (este ano fez 18 golos pelo Barça, o que é menos um golo que o melhor marcador em Portugal), e Eduardo Vargas, (“o Valenciano” que marcou mais golos pela selecção durante o período de qualificação do que numa época inteira de Valência, parece também ter queda para só “jogar” em território sul americano).

 

Como é fácil de concluir, não há falta de talento nesta selecção, e o Padawan de Marcelo Bielsa, o argentino Jorge Sampaoli, parece estar até agora a fazer um bom trabalho (terceiro lugar na fase de qualificação, só atrás de Argentina e Colombia), pelo que acredito seriamente que o Chile não irá fazer má figura, e vai de certeza dificultar a vida de holandeses e espanhóis.

Agora só falta Humberto Suazo ser convocado para o Chile aparecer na máxima força…

 

Pedro Nogueira

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