December 7, 2019

 

Não sou dos que atribui a derrota do Sporting no derby única e exclusivamente por causa da atuação do árbitro, apesar de Jorge Sousa ter feito um trabalho longe de ser considerado satisfatório.

Na realidade, a equipa de arbitragem é “apenas” um dos fatores que ajudam a explicar o resultado final. Infelizmente, todos esses fatores jogaram contra o Sporting. É esse exercício que pretendo fazer hoje, analisando os fatores internos e externos. Quero deixar claro que a ordem não obedece a nenhum critério de importância. Começo pelos internos apenas porque ajudam a explicar o atual momento da equipa leonina.

 

Da culpa do adversário

Diz que a eficácia tem um peso muito grande na decisão de um jogo. Jogar melhor não dá pontos e a fronteira entre a sorte e o azar é muito ténue. Analisando o jogo “jogado”, podemos dizer que o Sporting foi melhor do que o Benfica em tudo, exceto, lá está, naquilo que realmente importa. Teve oportunidades claras, mas não concretizou. O problema não vem de agora, tem acontecido recorrentemente, principalmente na Liga dos Campeões com as consequências já conhecidas.

Em relação ao adversário, não considero que o Benfica tenha jogado bem e, ao contrário do que muitos dizem, não controlou o jogo na segunda parte. A permeabilidade da defesa foi evidente no lance do golo do Sporting, por exemplo. Mas foi eficaz no ataque, dispôs das oportunidades e marcou. Pouco mais há a dizer sobre isso.

 

Da culpa própria…

A herança deixada por João Mário e Slimani foi muito pesada. Falamos de jogadores com mais de uma época de leão ao peito, com uma afinação perto da perfeição. A isto podemos somar a ausência de Teo (tinha o seu feitio mas resolvia) e a enorme quebra de rendimento por parte de jogadores como Bryan Ruiz.

A substituição destes jogadores não tem sido fácil. Se não está em causa a qualidade de Bas Dost, Campbell ou Gelson Martins, o caso muda de figura com outras contratações. Markovic, Elias, Castaignos, André ou Alan Ruiz estão mais próximos do rótulo de “erros de casting”.
Quase no final da primeira volta, estamos ainda a discutir quem é o melhor jogador para alinhar como segundo avançado…

 

Da culpa da arbitragem

Há um sentimento muito grande de inibição por parte dos árbitros em assinalarem grandes penalidades contra o Benfica, principalmente no Estádio da Luz. É como se estivessem envergonhados em fazer o seu trabalho de forma correta e para o qual foram nomeados. Há uns anos foi João Capela que não viu braços em tudo o que era bola. Ontem foi Jorge Sousa. Para além disso, viu tudo o que era “encostozinho” na linha lateral mas não viu a falta de Luisão sobre Adrien quase no final do jogo e que daria um livre perigoso.

Se até posso dar o benefício da dúvida no lance de Pizzi (embora considere grande penalidade), o lance de Nélson Semedo é demasiado descarado para deixar passar. E atenção, que assinalar os lances não seria garantia de golo(s), mas a diferença seria considerável. Ontem o penalty foi para o Sporting, mas o golo foi do Benfica.

Em relação à maior queixa do Benfica, o contra ataque interrompido a Gonçalo Guedes, confesso a minha ignorância sobre o que diz o regulamento. Na minha opinião, teria deixado seguir a jogada.
A MLS anunciou que vai usar recorrentemente o vídeo-árbitro a partir da próxima época. Cá andamos a brincar. Do que têm medo?

 

Pedro Gabriel

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