August 25, 2019

Se a primeira ronda dos playoffs da NFL foi marcada pelo predomínio da surpresa e de vitórias por equipas que não eram, à partida, consideradas favoritas, a segunda ronda foi uma espécie de regresso à realidade. As equipas de topo na liga entraram nos playoffs com muita confiança e demonstraram uma superioridade só ao alcance dos planteis que acumulam o talento à memória colectiva de quem está habituado a lidar com a mais alta das pressões.

Apesar da NFL ser conhecida (e elogiada) pela paridade e pelo facto de ser possível a qualquer equipa ascender ao topo (e vice-versa) em poucos anos, este ano tem sido marcado pela ausência de surpresas. As quatro equipas que restam são as que têm jogadores com mais experiência ao mais alto nível e as que eram consideradas favoritas à entrada nesta temporada. Em troca pela surpresa, o que vamos continuar a ter nestes playoffs é uma luta entre as maiores superpotências do desporto. Temos tudo menos razões para nos queixarmos.

Sem mais demoras, fica o meu balanço do que se viu este fim-de-semana:

New Orleans Saints: 15

Seattle Seahawks: 23

Existem duas grandes lições a retirar deste jogo. Um, os Seattle Seahawks, quando estão em forma e a praticar o seu melhor futebol, são pura e simplesmente imbatíveis. Os melhores em toda a liga – e com alguma vantagem. Dois, isso não quer dizer necessariamente que não tenham necessariamente os seus pontos fracos. Especificamente o seu ataque, onde se mostram muito dependentes do running back Marshawn Lynch. Russell Wilson é um dos melhores quarterbacks em toda a NFL, mas é difícil fazer milagres com a falta de qualidade com que conta no que a receivers diz respeito. É algo que vai ter de ser resolvido nos próximos dias se os Seahawks não querem ter surpresas desagradáveis. Até isso acontecer, vão ter de se contentar com o facto de contarem com a melhor defesa da NFL, especialmente na linha secundária, onde são já considerados uns dos melhores de sempre. Drew Brees deu tudo o que tinha a dar, mas os Saints já tinham esgotado o seu milagre na ronda anterior. Para derrotar esta equipa de Seattle é preciso bem mais que boas intenções.

Indianapolis Colts: 22

New England Patriots: 43

Os New England Patriots são perfeitos. Talvez a melhor comparação possível seja – para os fãs de NBA que estejam a ler isto – com os San Antonio Spurs. Uma máquina bem oleada que se comporta sempre da mesma forma sejam quais for os obstáculos que se atravessem na sua frente. E que não fiquem muitas dúvidas – poucas equipas tiveram de lidar com mais problemas este ano que os New England Patriots. Especificamente, uma avalanche de lesões nos seus jogadores defensivos que teriam destroçado muitas outras equipas. Mas o que aconteceu foi que, na sua entrada nos playoffs, frente a uns Colts muito motivados e com um Andrew Luck em pico de forma, os Patriots dominaram o encontro tanto com uma defesa seguríssima como com um ataque cirúrgico em que, surpreendentemente, Tom Brady abdicou do protagonismo e escolheu antes dissecar a defesa adversária com um running game incrível. Foi uma exibição que não teve grande rasgo ou picos emocionais. Não teve narrativas de superação pessoal ou momentos que vão ficar na História. Foi só perfeita.

 

San Francisco 49ers: 23

Carolina Panthers: 10

Era o jogo que se previa mais equilibrado à partida – ou antes, aquele em que a equipa “favorita” era menos favorita. E o que se verificou foi mais extremo ainda. Apesar de jogar em casa, os Carolina Panthers perderam o jogo por uma vantagem confortável que se pode explicar por um grande e fundamental factor – experiência. Os Panthers e os 49ers são equipas incrivelmente semelhantes, com defesas igualmente boas, ataques igualmente focados no running game e quarterbacks igualmente jovens e versáteis. O que os 49ers tinham a mais é experiência. Grande parte deste plantel tem estado presente com regularidade nos playoffs enquanto que esta foi uma estreia para a grande maioria dos Panthers, que mostraram uma grande dose de imaturidade, manifestada especialmente num acumular constante de faltas que foram permitindo à equipa de San Francisco avançar no campo com muito menos trabalho. E assim terminou uma época notável dos Panthers que, pelo que demonstraram ao longo de todo o ano, têm tudo para voltar ainda mais temíveis na próxima temporada.

 

San Diego Chargers: 17

Denver Broncos: 24

Os Broncos são um pouco como a imagem invertida dos Seahawks. Os rivais da conferência rival (e prováveis finalistas no Super Bowl) são também conhecidos por serem recordistas num lado do campo e relativamente frágeis no outro. A equipa de Denver simplesmente concentra a grande maioria do seu talento no ataque. Peyton Manning (e, sim, sei que isto já se tem tornado incrivelmente repetitivo) é um jogador de um talento quase impossível de delimitar. Mesmo com uma idade (relativamente) avançada – e a fragilidade natural no corpo que daí advém – o quarterback dos Broncos continua a demonstrar uma capacidade sobrenatural para ler o campo e encontrar sempre os jogadores certos no sítio certo. Sim, é verdade que conta com uma coleção de talento ofensivo invejável à sua volta, mas é ele o motor que faz tudo o resto resultar. Phillip Rivers fez tudo o que pôde para reduzir a constante desvantagem em que se foi encontrando, mas deu sempre a sensação que era uma luta quixotesca. Haverão mais moinhos para estes impressionantes Chargers tentarem derrubar no próximo ano. Para já, Peyton Manning tem ainda demasiado a provar.

Pedro Quedas

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