October 19, 2018

 

E à quinta jornada, o Braga desferiu um golpe no leão. Depois da convulsão de Maio e do que se seguiu durante o verão, muitos vaticinavam um Sporting fragilizado e com poucos argumentos para disputar os três primeiros lugares. A verdade, é que o clube de Alvalade não está tão mau como muitos fizeram crer. E este Sporting, sem Bas Dost e Mathieu, mas com Raphinha em excelente forma e Gudelj a afirmar-se como patrão do meio campo, sofreu a sua primeira derrota no Municipal de Braga.

 

O jogo fazia adivinhar um empate no fim dos noventa minutos mas, a ambição e excelente leitura de jogo do Abel Ferreira, viraram o jogo a favor do Braga. É verdade que o Sporting também teve as suas oportunidades de golo e podia ter marcado, ainda antes da entrada do jogador que desequilibrou o jogo – Eduardo.

 

O Braga faz aqui a sua melhor exibição da época. Não marcou tantos golos como nos jogos anteriores (à partida para este jogo, a média de golos por jogo era de 2,75) mas, pela primeira vez esta época, demonstrou consistência defensiva. Finalmente, foi possível ver coesão entre ataque, meio-campo e defesa na hora de reagir à perda da bola. Todos estiveram bem, mas o Claudemir foi peça fulcral neste processo, pela sua experiência, posicionamento e decisões. Este, foi o primeiro upgrade da temporada. Aguardamos ansiosamente pelo Braga 3.0.

 

Cinco jogos decorridos e só Ailton falta estrear com a camisola dos gverreiros (para além dos promovidos da equipa B). A rotatividade pouco tem a ver com “dar minutos” aos jogadores que compõem o plantel. Está relacionada apenas com as respostas que os jogadores dão nos treinos. Espera-se que o treinador tenha muitas dores de cabeça, muitas dúvidas e decisões difíceis a fazer. Foi com este objetivo que o plantel foi cirurgicamente preparado. Paulinho ou Dyego? Palhinha ou Claudemir? Ricardo Horta ou Fábio Martins? Raul Silva ou Pablo? Wilson ou Eduardo? As respostas estarão nos treinos, todos os dias. E ninguém melhor que o Abel para esta difícil tarefa.

 

O Braga, tem de facto um plantel equilibrado e de qualidade, para a sua realidade. No passado dia 25, o Sporting apresentou em campo diversos jogadores que o tecto salarial do Braga não poderia suportar. Apresentou jogadores para os quais, o “plafond” para transferências do Braga, seria manifestamente insuficiente para contratar.

 

Agora, e porque o Braga ganhou ao Sporting, e se mantém no topo da classificação neste período tão precoce da liga portuguesa, a imprensa faz títulos de “Braga já é grande” ou “Braga é candidato”. Os adeptos dos três maiores clubes vão começando a afirmar que o Braga estará na luta pelo caneco, nas últimas jornadas.

 

O Braga tem um orçamento muito inferior aos restantes candidatos; o Braga não tem a mesma cobertura mediática que os restantes candidatos; o Braga não tem a proteção que os restantes candidatos possuem; Quando se diz que o Braga é o quarto grande, o seu adepto torce imediatamente o nariz. O que é isso de ser grande? Ter muitos títulos? Ter muitos adeptos? Ter uma imprensa que dá ênfase a tudo o que se faz no clube? Ter representantes nas tertúlias televisivas? Ter influência nos mais variados quadrantes da Liga, Federação, Tribunais e poder político?

 

As grandiosidades deixamos para os outros. Nós queremos sim, tranquilamente, com muito trabalho, devoção, ambição e humildade, subir mais uns degraus no crescimento do clube. O título, que é indiscutivelmente um sonho dos adeptos e da direção, poderá vir a seu tempo, naturalmente. Com bom futebol dentro das quatro linhas.

 

Se o Braga perder pontos hoje frente ao Belenenses, continuaremos a ser considerados o quarto grande? Continuaremos a ser candidatos ao título? Não me parece.

 

Parece-me sim que vão ter de contar connosco.

 

Pedro Pereira

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