September 19, 2019

 

As duas primeiras rondas dos playoffs foram… normais. Tiveram os seus pontos de interesse aqui e ali (e alguns jogos memoráveis), mas mantém-se a mesma narrativa que imperava antes de começarem: vamos ter uma final entre Warriors e Cavs depois de algumas rondas em que tiveram competição à altura? Ou vamos ter uma final entre Warriors e Cavs depois de dois autênticos passeios? Vamos fazer um ponto de situação do que já vimos até agora e do que está para vir – sem esquecer umas considerações breves sobre as possíveis repercussões da draft lottery deste ano.

 

O caminho até às Finais de Conferência no Este…

 

O que temos são duas histórias completamente diferentes. Do lado dos Cavaliers, assistimos a uma demonstração completa de domínio. A equipa liderada por LeBron James despachou os Pacers em quatro jogos, mas o facto de muitos dos jogos terem sido decididos nos últimos momentos, levou alguns a pensar que os Raptors poderiam dar alguma luta, dado que Cleveland continuava a demonstrar algumas fragilidades defensivas. Pois… LeBron aumentou ainda mais o nível do seu jogo e Toronto foi despachado com ainda menos cerimónia. Do lado dos Celtics, a história foi um pouco diferente. Tudo começou com os Chicago Bulls a ganharem dois jogos em Boston e lançarem conversas de um colapso total dos Celtics. Mas depois Rondo lesionou-se, Isaiah Thomas perdeu o juízo e os Bulls perderam os quatro jogos seguintes. Seguiram-se os Wizards e aqui tivemos, provavelmente, a ronda mais interessante em todos os playoffs. John Wall e companhia até demonstraram ter mais potencial que Boston, mas acabaram por sofrer de um problema muito específico – uma completa e total ausência de banco. Apenas o talento sobrenatural de Wall e a ocasional explosão de pontos de Bradley Beal levou a que isto chegasse a um jogo 7. Ainda assim, o elevadíssimo uso das suas estrelas ditou que chegassem demasiado cansadas na reta final. A consistente excelência do pequeno gigante Thomas e contributos equilibrados dos seus jogadores de suporte encarregou-se do resto.

 

… e o que podemos esperar de Celtics VS Cavs

 

Brad Stevens é um excelente treinador. Um dos melhores em toda a liga. Os Celtics estão incrivelmente bem treinados e preparados para quase todas as eventualidades. E Isaiah Thomas tem atingido todo um outro nível estes playoffs, superando até as minhas expectativas. No entanto, continua a ser um quase zero a defender. E contra um ataque tão incrivelmente potente como o dos Cavs, os Celtics não se vão poder dar ao luxo de ter um jogador “a menos” na defesa. LeBron James é o jogador mais inteligente de toda a liga e não vai hesitar qualquer ponto fraco que Boston se atreva a revelar – e não sei como vai ser possível aos Celtics esconder um ponto fraco tão grande. É verdade que a defesa dos Cavs não é propriamente das mais consistentes, mas isso será um problema mais nas Finals. Os homens de Brad Stevens só se tornam verdadeiramente perigosos no ataque quando os triplos começam a entrar – e não têm os triplistas de alto calibre para fazer um ataque assim resultar sempre. Contra equipas como os Bulls e os Wizards, há alguma margem de manobra para “dry spells” no ataque. Essa margem não existe contra uma equipa liderada por LeBron. Adicionalmente, existem alguns jogadores dos Celtics que podem ser deixados “sozinhos” sem grandes consequências de maior. Por isso, podemos esperar com constantes double teams da defesa dos Cavs a Isaiah Thomas. Quando juntamos a isto a clara vantagem de Cleveland nos ressaltos, avizinha-se uma ronda rápida.

BOSTON CELTICS – 1 X 4 – CLEVELAND CAVALIERS

 

O caminho até às Finais de Conferência no Oeste…

 

O que aconteceu com os Warriors na sua caminhada até ao confronto com os Spurs foi um pouco como o que aconteceu com os Cavs, mas ainda mais ridiculamente dominador e contra equipas melhores. O que perturba quando olhamos para os Warriors é que absolutamente nada que não façam bem. Não só destroem a defesa com o seu ataque exterior como sabem variar o jogo quando as defesas se ajustam. E ainda têm Kevin Durant para “inventar” uma jogada quando o espaço e o tempo apertam. E depois temos a defesa, que é quase melhor ainda que o ataque, não só a nível posicional, mas também na variedade de defensores individuais que conseguem alocar a estrelas específicas. Até Curry, o elo mais fraco, é um defensor mais que competente. Ainda assim, se há equipa que têm demonstrado ainda maior capacidade de sufocar completamente o talento adversário têm sido os Spurs. Liderados por Kawhi Leonard, a estrela mais completa na liga, os Spurs eliminaram os Grizzlies e os Rockets com um profissionalismo só ao alcance de uma equipa treinada por Gregg Popovich, mesmo considerando que o têm feito com uma estratégia ofensiva algo antiquada, com uma dose generoso de post-ups e “iso-ball”. Principalmente impressionante foi o modo como despacharam os Rockets no jogo decisivo por 39 pontos… SEM Kawhi Leonard, lesionado num tornozelo – algo que (spoiler alert) poderá ter uma grande influência na minha previsão seguinte…

 

… e o que podemos esperar de Warriors VS Spurs

 

Esta previsão chega “contaminada” por um pouco mais de informação, dado que a estou a escrever depois de ter assistido a uma coça monumental dos Warriors para os colocar à frente 2-0 na eliminatória. A minha previsão inicial era de que os Warriors iriam ganhar esta eliminatória em cinco jogos e vou mantê-la, mas o que vimos nestes primeiros dois jogos coloca alguma nuance nesta opinião. Para começar, os Spurs começaram no primeiro jogo por atropelar completamente os Warriors… até Kawhi Leonard, que já tinha perdido jogos nos playoffs depois de uma lesão no tornozelo, se lesionar novamente, numa jogada controversa com Zaza Pachulia. A partir daí, os Warriors lançaram-se numa recuperação fulgurante e acabaram por “roubar” o primeiro jogo. E depois ganharam o segundo jogo por 136-100. Pois… Será que os Spurs teriam ganho o primeiro jogo com Kawhi? Será que os Warriors iriam recuperar de qualquer modo? Para todos os efeitos, isso é irrelevante. O que interessa é o que vai acontecer agora. E o que vai acontecer é muito simples. Os Warriors vão ganhar. A grande variável aqui é se Kawhi regressa saudável o suficiente para lhes dar uma luta de jeito. Das poucas coisas que favorecem os Spurs nesta questão é que terão quase uma semana para deixá-lo recuperar. Ainda assim, questiono se será suficiente. Hesito em “sacudir” equipas para o lado desta forma quando a equipa em questão é treinada por Gregg Popovich, mas os Warriors são mesmo assim tão bons.

GOLDEN STATE WARRIORS – 4 X 1 – SAN ANTONIO SPURS

 

Lakers sobrevivem à lotaria

 

E, num segundo, milhares de fãs dos Lakers suspiraram coletivamente de alívio. Para os que não estavam a par, fruto de consequências de trocas anteriores, os Lakers teriam perdido a sua pick deste ano para os Sixers, caso esta não fosse de Top 3 – e teriam perdido a sua pick em 2019 para os Magic também, se isso tivesse acontecido. Ditou a lotaria que tal não aconteceu e Magic Johnson, na sua estreia na Draft Lottery, viu até a sua pick subir da 3ª posição para a 2ª posição, colocando-os numa posição curiosa. Porquê? Porque, a confiar nas opiniões dos peritos, o segundo melhor jogador deste draft é nada mais nada menos que Lonzo Ball, o hiper-talentoso base que traz consigo a bagagem adicional de LaVar Ball, um hiper-irritante pai que insiste em roubar para si todo o protagonismo que o filho mereceu justificadamente. Mesmo considerando que os Lakers são a escolha preferencial da família Ball, a “sorte” dos Lakers neste draft pode vir-se a revelar um presente envenenado. Quem não teve falta de sorte também foram os Celtics, que mantiveram a sua 1ª pick e podem assim adicionar um talento de topo a uma equipa que já está a lutar entre os maiores na Conferência Este. A escolha “óbvia” seria Markelle Fultz, um talento que muitos consideram uma “sure thing” mas que tem um pequeno problema: é point guard. Com Isaiah Thomas a jogar deste modo, poderão os Celtics dar-se ao luxo de o mandar embora? Ou, alternativamente, fará sentido escolher Fultz para depois o colocar no banco? E poderão justificar qualquer outra escolha se isso significar mandar uma estrela “garantida” para um clube rival? Podem ainda usar a 1ª pick para tentar “roubar” estrelas como Jimmy Butler ou Paul George. Seja como for, o próximo mês de decisões promete ser muito, muito interessante.

 

Pedro Quedas

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE