August 25, 2019

Este balanço mensal chega-vos com alguns dias de atraso porque senti que precisava de algum tempo para digerir todas as repercussões das trocas da Trade Deadline, e estudar o seu impacto no futuro imediato dos candidatos ao título e nos planos a longo prazo das equipas nos últimos lugares. Quis estudar a fundo e analisar todos os ramos de incerteza que podem vir a ter um impacto determinante nos playoffs que se aproximam.

Ou então este que vos escreve esteve um mês inteiro a escrever noutro site sobre os Óscares e ficou em coma durante uma semana após a cerimónia. Uma das suas hipóteses.

Assim, sem mais demoras, que já bastou esta semana de “descanso”, vamos lá recordar os temas que marcaram o mês que passou na NBA:

 

 

Pois… então e este All-Star Weekend?

Por norma gosto de ser positivo. Sinto que há demasiada negatividade no nosso mundo e tento cada vez mais retirar o melhor de cada experiência e não alimentar a voracidade eterna dos trolls que dominam o diálogo online. Dito isso, este All-Star Weekend foi uma total e completa desgraça. O Concurso de Triplos foi, na melhor das leituras, aceitável. Eric Gordon ganhou, acima de tudo, por ser consistente – por ser o único que não desiludiu. O Slam Dunk Contest foi um dos piores de sempre. É verdade que iria sempre empalidecer em comparação com a loucura do ano passado, mas com Aaron Gordon muito em baixo (talvez ainda limitado por lesões) e os outros concorrentes sem grande imaginação e muitas falhas, foi uma competição completamente inútil. E o jogo dos All-Stars foi tão profundamente desprovido de defesa – do primeiro ao último segundo – que até o próprio Adam Silver já anunciou potenciais mudanças para o jogo do próximo ano: estão-se a debater ideias tão variadas como serem dois “team captains” a escolher os jogadores ou até mesmo um lançamento de 4 pontos. A única coisa que valeu a pena ver foi mesmo o Skills Challenge, que se tornou infinitamente mais divertido desde que se instituiu a rivalidade entre “Bigs” e “Smalls”. A vitória de Kristaps Porzingis manteve os “Bigs” invencíveis e isso é, pelo menos, interessante. Sim, este foi o “ponto alto” do fim-de-semana. Vamos seguir em frente…

 

 

Os negócios mais interessantes da Trade Deadline…

Apesar de ter contado com algumas trocas fascinantes (em especial a de Cousins, que irei explanar melhor na próxima secção), o grande destaque desta Trade Deadline foi a quantidade de estrelas que acabaram por NÃO ser trocadas. Falou-se de Paul George e Jimmy Butler, ambos destinados aos Celtics. E falou-se de Carmelo Anthony, para qualquer equipa que o quisesse. No fim, nenhum destes mega-negócios se materializou. Mas tivemos várias ocorrências interessantes. Os Dallas Mavericks incorreram em roubo qualificado, ao conseguir Nerlens Noel aos 76ers por apenas Justin Anderson e uma pick com tantas proteções que, na verdade, se transforma em meramente duas escolhas da 2ª ronda. Os Toronto Raptors fizeram um move agressivo para atacar os playoffs este ano trocando Terence Ross e uma pick da primeira ronda por Serge Ibaka. Para os Orlando Magic, esta troca foi um assumir do erro pela troca pelo power forward no último Verão. O resultado final é muito pobre, mas esta troca em si foi um minimizar aceitável do estrago. Já o que os Bulls fizeram foi uma simples atrocidade, enviando Taj Gibson, Doug McDermott e uma pick de 2ª ronda para os Thunder, recebendo Cameron Payne, Joffrey Lauvergne e Anthony Morrow. Não sei como é possível enviar uma pick numa troca em que já se está a entregar os melhores jogadores, mas o front office de Chicago parece estar determinado a enterrar o franchise.

 

 

… e um segmento separado só para malhar nos Kings

O negócio mais bombástico deste mês de Fevereiro aconteceu logo no início do frenesim da Trade Deadline. Os New Orleans Pelicans contam agora com o frontcourt mais temível da liga, juntando DeMarcus Cousins a Anthony Davis, numa “experiência” que ainda não sabemos bem se irá resultar mas que é, pelo menos, uma injecção de adrenalina num franchise que estava a ficar moribundo. E o que tiveram de dar em troca? Buddy Hield, Tyreke Evans, Langston Galloway e as duas picks dos Pelicans do próximo draft. Diz que os Kings pediram também um cupão de desconto em sabonetes no Lidl, mas os Pelicans mantiveram-se firmes na sua oferta. Esta troca é absurda. Os Kings quererem seguir em frente do Cousins, com todos os seus problemas disciplinares, é perfeitamente aceitável. Mas conseguirem apenas isto é risível. Principalmente se considerarmos as várias razões que precipitaram esta troca. Por onde começar? Que tal pelo facto de Vlade Divac ter admitido que tinha tido propostas melhores antes e que acabou por aceitar esta por ter medo de ficar sem nada? Não chega? Então se calhar o facto de terem aceite a proposta rapidamente porque tiveram uma pequena janela por parte do dono Vivek Ranadivé e queriam fechar o negócio antes que ele mudasse de ideias? Ou que o mesmo Ranadivé escolheu esta proposta por considerar que Buddy Hield vai ser “o novo Steph Curry”? Os Sacramento Kings são uma comédia.

 

 

Lesões ensombram preparação para os playoffs

No rescaldo das trocas, enquanto umas equipas começam a intensificar os seus esforços de “tanking” para se posicionarem melhor para um draft que se avizinha recheado de talento, os “contenders” preparam o seu ataque a um lugar numas finais que, apesar de estarem quase marcadas para uma reedição da final do ano passado, podem estar um nadita mais “em aberto” do que o esperado. Isto porque o fantasma das lesões pode estar a aproximar-se neste momento crítico da temporada. Os Golden State Warriors, ainda considerados os claros favoritos ao título, viram Kevin Durant lesionar-se com alguma gravidade. As previsões é que recupere a tempo dos playoffs, mas em que condições? Depois de terem tido Curry a meio gás no ano passado, os Warriors têm alguns fantasmas para exorcizar. Não que esteja muito melhor do lado dos Cavs. Depois se terem reforçado com Deron Williams e Andrew Bogut, os Cavaliers viram o poste australiano partir a perna no seu primeiro minuto em campo. E Kevin Love também está ainda a recuperar de uma lesão. Isto abre alguma esperança aos Spurs e Rockets, no Oeste, e aos Celtics e Wizards no Este. Já os Raptors, que “caçaram” Ibaka para atacar o título já este ano, estão agora numa posição complicada, com Kyle Lowry a lesionar-se também com alguma gravidade e a potencialmente comprometer as altas aspirações dos homens de Toronto. Só nos resta esperar que recuperem todos a tempo.

 

 

O curioso caso dos San Antonio Spurs

Esta temporada tem estado recheada de grandes histórias. Equipas a mostrarem o seu domínio e outras a morder os calcanhares aos gigantes de forma inesperada. Temos tido jogadores com expectativas goradas e outros que têm ascendido a um nível completamente inconsciente. Temos tido até uma corrida ao MVP que tem lançado debates sobre se devemos considerar mais a produção individual ou a sua influência nas vitórias de uma equipa – fruto de termos um jogador com uma média de triplo duplo. Tem sido uma época cheia de coisas para falar. E, ali no canto, sem ninguém dar muito por eles, temos os San Antonio Spurs, a fazer aquilo que têm sabido fazer melhor que ninguém nos últimos anos: ganhar. Liderados por Kawhi Leonard, que está a jogar a um nível sem precedentes e está na corrida ao MVP, os Spurs estão neste momento com 49 vitórias e 13 derrotas, um ritmo que os projeta para terminarem com cerca de 65 vitórias. Esta nova versão dos Spurs pós-Duncan tem alguns pontos fracos gritantes. Aldridge e Gasol são muito frágeis no jogo interior defensivo e a dupla Parker/Mills a point guard não é especialmente entusiasmante. E o resto do plantel está recheado por uma galeria de ilustres desconhecidos. Mas ganham. Ganham sempre. Para além de Kawhi, o maior crédito deve ser dado ao lendário treinador Gregg Popovich, o resmungão mais adorado na liga e um génio na arte de criar uma cultura desportiva e fazer os seus jogadores ficarem investidos na mesma. A lição é a mesma de sempre: cuidado com os Spurs. Este país ainda é um pouco para os “velhos”.

 

Pedro Quedas

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