August 25, 2019

 

Neste mês de NBA, a grande maioria das manchetes estiveram mais focadas em tudo o que se tem passado fora dos courts. Tento, nesta minha crónica, focar-me mais no basquete jogado que em picardias pessoais, mas neste mês não há como evitar. Vamos lá então a mais uma viagem pelo louco mundo da NBA.

 

De 17 a 19 de Fevereiro New Orleans receberá o fim-de-semana All-Star da NBA

 

Os titulares do All-Star Game…

A seleção deste ano dos All-Stars gerou muita discussão. Pela primeira vez desde há muito tempo, os fãs deixaram de ter o controlo total nos votos para quem chega ao jogo das estrelas, cedendo parte da decisão aos jogadores e aos media. E este que vos escreve não podia concordar mais. Sim, eu compreendo que este é um concurso de popularidade e que deve ir quem os fãs querem. O “problema” é o voto pela Internet – e o quão fácilmente este pode ser manipulado com falsos perfis, votos automáticos, etc. Era por isso que, pelo segundo ano consecutivo, Zaza Pachulia estava na calha para ser escolhido para titular. E ainda não ouvi um argumento convincente sobre o Zaza ser quem os fãs verdadeiramente querem ver em New Orleans. Dito isso, as escolhas. No que aos titulares diz respeito, não há muito a dizer. Comecemos pelo Oeste. No backcourt, Westbrook deveria lá estar, ao lado de Harden, em vez de Curry, mas o base dos Warriors é provavelmente o jogador mais popular na liga e faz todo o sentido que lá esteja. No frontcourt, temos Kawhi, Durant e Davis. Perfeito. No Este, é também no backcourt que temos os maiores “problemas”. Irving está um pouco na mesma situação que Curry – uma combinação de talento e popularidade. Não me faz confusão que lá esteja. Já DeRozan em vez de Lowry… Isso é só errado. Quanto aos “bigs”, temos LeBron, Giannis e Butler. Eu não teria escolhido diferente.

 

Help… anyone?

 

… e as duras escolhas que vieram a seguir

Já nas escolhas dos restantes elementos dos rosters do All-Star Game, temos algumas escolhas… dúbias. Com certos nomes no Oeste, não há nada a dizer. Westbrook, Cousins, Gasol, Draymond e até Gordon Hayward, estreante nestas lides. Já outro dos estreantes, DeAndre Jordan, provavelmente deveria ter esperado mais um ano. Eu percebo que, dada a lesão de Paul e os jogos perdidos por Blake, quisessem colocar alguém dos Clippers neste jogo, mas Gobert tem sido bem melhor este ano que Jordan e merecia mais. Quanto a Klay Thompson, tem jogado a grande nível, como sempre, mas tanto Lillard como Conley fizeram mais para merecer um lugar nesta equipa. Passando para o Este, a escolha era um pouco mais simples. Beal ou Jabari poderiam ter sido considerados e Porzingis teria tido, na minha opinião, um lugar garantido se não tivesse perdido gás nos últimos jogos. Mas todos estes ficam bem de fora. O único verdadeiro “snub” é mesmo Joel Embiid. Sim, eu sei que ele tem falhado muitos jogos e que mesmo quando joga está limitado a nível de minutos, mas Embiid tem sido uma estrela mesmo nos seus minutos limitados, com médias de 20 pts, 8 rbs e 2,5 blks em apenas 25 minutos. Seria o equivalente, em 36 minutos (mais normal para uma estrela), a 29 pts, 11 rbs e 3,5 blks. Para além de que os Sixers jogam infinitamente melhor com Embiid em campo. Se isto não é um All-Star, não sei o que é.

 

Depois das experiências recentes menos positivas, Mike D’Antoni tem finalmente motivos para sorrir de novo

 

O regresso triunfal de Mike D’Antoni

Este mês que passou foi marcado por muitas atividades “extra-curriculares”, mas vamos tentar falar um pouco de basquetebol. Vamos falar dos Rockets. Há dois anos atrás, James Harden teve uma temporada tão forte que acabou em 2º lugar na corrida ao MVP e levou a sua equipa às Finais de Conferência. Depois, no ano passado, os Rockets implodiram e o já suspeito jogo defensivo de Harden degenerou tanto que se tornou um meme na Internet. Assim, Daryl Morey foi buscar Mike D’Antoni para revitalizar a equipa. No papel, o casamento é perfeito. Uma equipa construída para atacar o cesto e lançar triplos na maior velocidade possível e o treinador que inspirou a grande maioria destas ideias? Perfeito. Mas havia reservas. Depois do sucesso com os Phoenix Suns, D’Antoni teve más estadias em Nova Iorque e Los Angeles e parecia, francamente, estar acabado na NBA. Bem, todos os nossos medos parecem ter sido infundados. Depois de terminarem a época de 2015/16 com um registo de 41-41, os Rockets este ano já vão com um registo de 35-16, num ritmo que os faria terminar com 56 vitórias. E James Harden lidera a liga em assistências com médias de quase triplo-duplo e uma eficiência invejável. Harden está na liderança da corrida ao MVP. Mike D’Antoni basicamente já pode começar a limpar a prateleira onde vai colocar o seu troféu de “Coach of the Year”.

 

Bulls (Jimmy Butler) e Knicks (Carmelo Anthony) estão de costas voltadas para a sorte

 

Bulls e Knicks de mãos dadas na implosão

Ok, vamos lá chafurdar um pouco na lama que tanto dominou este mês de Janeiro. Primeiro, os Chicago Bulls. Sentindo que o estilo de jogo mais lento e “antiquado” de Tom Thibodeau não se adequava aos seus planos de futuro, o front office dos Bulls decidiu, há dois anos, contratar Fred Hoiberg, conhecido pelo seu estilo mais dinâmico e predicado no jogo exterior. Na construção do plantel deste ano, acharam por bem munir a sua jovem estrela Jimmy Butler com Dwyane Wade e Rajon Rondo. Quem é que alguma vez podia ter previsto que iria correr mal? O resultado foi Butler e Wade a criticarem os seus colegas nos media e, consequentemente, Rondo a usar os social media para criticar os líderes da equipa por usarem os media para passarem as suas mensagens – mostrando que não tem grande noção do conceito de hipocrisia. Assim, apesar de estarem atualmente em 7º na Conferência Este, os Bulls estão considerar seriamente finalmente assumir o rebuilding e recomeçar de novo. Por outro lado, temos também os Knicks. Uma equipa que, apesar de ter um dos mais promissores talentos jovens da liga em Porzingis, achou que deveria tentar “ganhar já” e adicionou Rose e Noah ao seu plantel. As vitórias, não surpreendentemente, não têm aparecido e Phil Jackson encontra-se envolvido numa muito pública troca de galhardetes mal camuflados com a sua estrela, Carmelo Anthony. Falando disso…

 

 

Serge Ibaka descobriu da pior maneira que em Orlando nem tudo traz a alegria da Disney World

 

Brace yourselves… trade rumors are coming

Com a trade deadline a aproximar-se, a 23 de Fevereiro, vários rumores sobre trocas de jogadores já têm estado a circular pela liga. Um dos principais alvos é Carmelo Anthony, que tem motivado interesse sério por parte dos Clippers e dos Cavaliers, que enviariam em troca, essencialmente, uma mistura de contratos a expirar e futuras draft picks. Fala-se que os Knicks quererão algo mais que isso, mas, francamente, se o objetivo é “ir ao fundo”, porquê? Ainda assim, dado que Carmelo tem, no seu contrato, direito de veto quanto a qualquer possível troca, este é um cenário com uma dose extra de incerteza. Quanto aos Orlando Magic, já parecem ter desistido de Serge Ibaka e, dado que ele fica um free agent no próximo ano e não deverá querer ficar, estão desesperadamente à procura de algo em troca. Os Toronto Raptors, eternamente à procura de um power forward titular, assumem-se como os principais candidatos a fazer uma troca. Por fim, temos os Boston Celtics. Com a sua impressionante coleção de draft picks (com destaque para a pick dos Nets no próximo draft, que se fala vir recheado de estrelas) e imenso talento jovem, os Celtics estão na altura ideal para tentar sacar a “superestrela” que tanto têm procurado para colocar ao lado de Isaiah Thomas. Os principais alvos na mira do GM Danny Ainge? Jimmy Butler, se os Bulls sempre decidirem colocar dinamite no seu plantel, e, claro, o eternamente almejado nestas trocas, DeMarcus Cousins. A ver vamos como tudo isto se vai desenrolar.

 

Pedro Quedas

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