November 14, 2019

 

Com os playoffs já a bater à porta, é inevitável que comecemos a olhar para tudo o que aconteceu nesta temporada e dar uma pequena olhadela para o que o futuro nos pode reservar. Ainda assim, o mês de Março ainda nos trouxe algumas surpresas inesperadas e marcos históricos. E, como bónus, um atraso de vida a tentar ativamente arruinar a carreira do filho antes desta começar. Nada como um pouco de variedade para apimentar isto.


 

Os Warriors podem muito bem ser imparáveis

 

Com a ascensão e domínio das redes sociais no discurso público, vivemos numa era em que temos de ter uma opinião forte no segundo a seguir a cada coisa acontecer. Também tem proliferado o desejo de “ser do contra” e de sentir uma necessidade visceral de discordar da maioria… só porque sim. Tudo isto para dizer uma coisa: no início, no meio e no fim da temporada, os Warriors são os claríssimos favoritos a ganhar isto tudo. Podemos todos parar de fingir que não são só para inventar alguma espécie de incerteza? Até porque não é necessário inventar drama. Os Warriors podem muito bem perder. Equipas com jogadores do calibre de LeBron James, Kawhi Leonard e James Harden têm sempre uma hipótese – principalmente quando considerarmos que têm bem mais a seu favor que apenas essas estrelas. Mas isso não invalida que os Golden State Warriors não sejam os óbvios favoritos. A ausência de Kevin Durant pareceu colocar alguma sombra nesse favoritismo mas teve, na verdade, o efeito contrário, consolidando a química entre Curry e Klay e galvanizando o banco relativamente leve dos Warriors. Com Durant prestes a regressar da lesão – mesmo a tempo de aquecer para os playoffs – chegou a altura de admitirmos a nós mesmos que este campeonato é dos Warriors para perder. Por mais que custe a alguns aceitá-lo.


 

A noite incrível de Devin Booker

 

A época dos Phoenix Suns não tem sido especialmente memorável. Só se livra de ser apelidada de desastrosa porque, francamente, o front office dos Suns está, não tão secretamente assim, a gostar de todas as derrotas que têm acumulado, dado que os coloca numa posição vantajosa para acrescentar uma estrela através do draft, que se avizinha especialmente apetrechado de talento. Ao longo da temporada, um dos poucos pontos de interesse em Phoenix tem sido a ascensão de Devin Booker, que, apenas na sua segunda época na NBA e do alto dos seus 20 anos, é já um dos mais letais marcadores na liga. A evolução de Booker tem acontecido a grande velocidade e teve um impulso considerável a 25 de Março, quando o jovem shooting guard marcou 70 pontos numa derrota contra os Boston Celtics. Ao fazê-lo tornou-se apenas o sexto jogador a conseguir superar a barreira dos 70 na história da liga, a seguir a Wilt Chamberlain, Kobe Bryant, David Thompson, David Robinson e Elgin Baylor. E foi o mais jovem a consegui-lo. Jovem que é, ainda há algumas arestas a limar no jogo de Booker – nomeadamente o esforço defensivo flutuante e uma ocasional falta de eficiência no tiro exterior –, mas a janela para o seu potencial foi escancarada a 25 de Março.


 

 

30.000 razões para se adorar Dirk Nowitzki

 

Faltavam-lhe 20 pontos. Uma marca que pode custar a atingir num jogo para um mortal comum, mas que é quase risível de tão fácil para um jogador como Dirk Nowitzki, mesmo já com 38 anos. Com pouco mais de um período jogado contra os Lakers, já só lhe faltava acertar mais um lançamento. Com Larry Nance Jr. a defendê-lo na linha, lançou… E a multidão enlouqueceu. Pouco tempo depois, acertou mais um triplo e foi pedido um desconto de tempo, sendo atropelado pelos seus colegas e o dono Mark Cuban, todos celebrando o seu incrível feito – na sua 19ª época, Dirk tornou-se o sexto jogador a superar a marca dos 30 mil pontos de carreira. Nowitzki é um dos jogadores mais universalmente mais adorados em toda a NBA. Tem uma combinação de talento e vontade competitiva que lhe venceu o respeito dos melhores na liga, um lançamento icónico que é repetido por todos os jovens aspirantes a estrelas a jogar na rua em todo o mundo e uma personalidade contagiante que nos deixa sempre com um sorriso. Foi MVP da NBA e ganhou um campeonato contra os supostamente imbatíveis Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh. O seu palmarés fala por si e não tem absolutamente mais nada a provar – mas não deixa de ser uma boa cereja para colocar no topo do bolo.


 

 

A inescapável matraca de LaVar Ball

 

Um dos maiores talentos do draft que se aproxima é Lonzo Ball, um point guard com uma visão de jogo e instinto de passe que tem motivado comparações ambiciosas com lendas como Magic Johnson e Larry Bird. O seu potencial está a deixar general managers em todas as equipas na lotaria a salivar de antecipação. Antes de ter dado sequer um drible num court da NBA, Lonzo Ball já tem a passadeira vermelha estendida para uma carreira de estrela. E, no entanto, não conseguimos parar de falar do idiota do pai dele. No último mês, LaVar Ball tem conseguido retirar os holofotes do seu filho e colocá-los quase exclusivamente em si, dizendo coisas tão… peculiares como: ser capaz de derrotar facilmente Michael Jordan nos seus tempos de atleta; dizer que o seu filho Lonzo já é, neste momento, melhor que Steph Curry; fez comentários sobre os filhos de LeBron; e diz que os seus filhos não vão aceitar menos de mil milhões de dólares no primeiro acordo que aceitarem com uma marca desportiva. Os seus dizeres têm-se tornado “memes” e têm motivado muita risota pela Internet fora mas, correndo o risco de parecer um velho resmungão, eu não me estou a rir. Não tenho paciência para divas, principalmente quando não têm qualquer talento discernível para motivar tal inchamento do ego. A única coisa que a sua matraca descontrolada tem conseguido é colocar um alvo ainda maior nas costas do filho, que vai provavelmente receber tratamento extra duro quando chegar à NBA. Talvez aí LaVar se aperceba da magnitude do seu erro, mas para isso era preciso que tivesse mais amor pelo filho que por si mesmo. Tenho as minhas dúvidas.


 

Prémios de fim de época: um ano de escolhas (quase) impossíveis

 

Mesmo faltando algumas semanas para acabar a temporada, sinto-me razoavelmente à vontade para formar as minhas opiniões. Assim sendo, termino a crónica desta semana com algumas breves considerações sobre os galardões da NBA. Assim, sem mais demoras, aqui estão as minhas escolhas para os prémios deste ano: MVP – Russell Westbrook (apesar de todos os meus instintos racionais me dizerem que devia votar em James Harden, não consigo deixar de apreciar o absurdo feito individual de Westbrook este ano); Coach of the Year – Mike D’Antoni (de Quin Snyder a Erik Spoelstra, passando por Brad Stevens, há imensos candidatos fortes, mas a reviravolta dos Rockets este ano tem um claro arquiteto); Rookie of the Year – Dario Saric (devia ter sido Joel Embiid, mas 31 jogos simplesmente não são suficientes por isso a escolha terá de ir para o próximo melhor); Defensive Player of the Year – Draymond Green (Kawhi Leonard podia muito bem repetir o prémio e Rudy Gobert tem sido incrível, mas a versatilidade de Draymond dá-lhe uma leve vantagem); Sixth Man of the Year – Lou Williams (as escolhas aqui não são incríveis, mas os jogos perdidos por lesão de Eric Gordon acabam por dar uma leve vantagem ao seu novo colega de equipa); Most Improved Player – Giannis Antetokounmpo (Nikola Jokic melhorou de tal modo esta temporada que acabou por dar alguma dúvida, mas o prodígio grego catapultou-se para o topo da liga jogando essencialmente os mesmos minutos por jogo. Vantagem Greek Freak).

 

Pedro Quedas

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