December 8, 2019

 

Ao longo desta temporada da NBA, vou aparecer aqui mensalmente para vos oferecer um documento de análise profunda, almejado a fornecer as bases para construírem os alicerces do vosso conhecimento basquetebolístico. Ou então vou escrever algumas tiradas incoerentes e esperar que ninguém se aperceba que estou a falar diretamente do meu rabo.

 

Todos os temas estarão abertos a destaque nesta crónica e vou tentar fazer um balanço remotamente completo das narrativas que dominaram a NBA no mês que passou. Ou, no caso deste levemente diferente texto de arranque, o mês de Novembro e alguns dias de Outubro, porque a NBA não tem qualquer respeito por escritores obsessivo-compulsivos.

Sem mais demoras, vamos a isto:

 

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Foi um arranque com grandes surpresas…

Como é certo e sabido, todas as previsões que fazemos antes da temporada estão sujeitas a valentes tiros ao lado. Vamos começar pelas equipas que nos têm surpreendido pela positiva. Para começar não dá para ignorar os Clippers, que começaram a temporada a jogar de uma forma impressionante em ambos os lados do campo, impulsionados pelo eternamente excecional Chris Paul, um Blake Griffin de regresso à sua velha forma e um banco inesperadamente demolidor. Ainda em Los Angeles, os “Baby Lakers” de Luke Walton têm estado a saltar alguns degraus na sua evolução, demonstrando um basket generoso, com passes constantes e uma entrega que poucos esperavam. Walton tem feito um trabalho absurdo, assumindo-se com um “early contender” a Treinador do Ano. Rumando à Conferência Este, era esperado que os Chicago Bulls fossem uma desgraça completa, com uma equipa desenhada para competir nos anos 90, sem qualquer tiro exterior que se veja. Um Wade rejuvenescido e um Jimmy Butler vários níveis acima carregaram os Bulls para um 3º lugar na conferência. Menção honrosa também para os Sixers, que apesar de não ganharem assim tantos jogos, têm Embiid a fazer números absurdos em poucos minutos de jogo e mostram, pela primeira vez desde há muito, alguma esperança no futuro.

 

Nov 4, 2015; Washington, DC, USA; Washington Wizards guard Bradley Beal (3) celebrates with Wizards guard John Wall (2) and Wizards center Marcin Gortat (13) after making the game-winning basket against the San Antonio Spurs in the final second of the fourth quarter at Verizon Center. The Wizards won 102-99. Mandatory Credit: Geoff Burke-USA TODAY Sports

 

… e ainda maiores desilusões

Os Wizards têm John Wall, um dos melhores point guards em toda a liga. Têm Bradley Beal, um shooting guard que, apesar de ser feito de papel, tem um arsenal de armas ofensivas ao dispôr de muitos poucos. Otto Porter tem potencial, Gortat é sólido e Markieff Morris pode resolver jogos. Mas o banco é uma catástrofe e o resultado? Wizards com apenas 6 vitórias em 16 jogos. Também os Orlando Magic tinham esperanças de melhores resultados, mas a aposta de jogar com um big frontcourt “à antiga” está a falhar redondamente e só nos últimos jogos se tem visto alguns sinais de vida da “estrela” da companhia – Serge Ibaka. Do outro lado do país, temos os Timberwolves, uma das equipas mais talentosas na liga, com nomes Karl-Anthony Towns e um Andrew Wiggins em clara ascendência. Mesmo Gorgui Dieng tem jogado bem e Zach LaVine tem mostrado que é mais do que apenas alguns bons afundanços. Mas os homens de Thibodeau têm demonstrado a sua juventude com um número quase recorde de vantagens desperdiçadas na segunda parte dos jogos. E, claro, temos também os Dallas Mavericks, que ocupam, de momento, o último lugar na classificação. Sim, há muitas peças diferentes para gerir. Sim, têm sido dizimados por lesões. Sim, Dirk Nowitski está na curva descendente da sua carreira. Ainda assim, não era esperado que caíssem tanto.

 

Kevin Durant,Stephen Curry

 

Os Warriors são muito bons. E agora o que fazer com todas estas piadas?

Quando os Golden State Warriors perderam por 29 pontos contra os Spurs no jogo inaugural, muitos começaram a salivar. “Aquilo são estrelas a mais! Querem todos a bola. Acho que eles vão ter uma implosão como os Lakers de Kobe, Nash, Dwight e Gasol”. Ao 6º jogo, perderam por 20 pontos contra os Lakers. E o salivar tornou-se num sorriso de satisfação. “Deixa-me adivinhar. Perderam depois de estar a ganhar 3 a 1?”. E depois os Warriors começaram a ganhar. E a ganhar. E a ganhar. À data deste texto, vão com 12 vitórias seguidas. São a equipa que mais pontos marca por jogo e fazem-no com os melhores índices de eficiência da liga, bem como com, de longe, o maior número de assistências por jogo. Kevin Durant não se podia ter integrado melhor e é, até, um grande candidato a MVP (mais sobre isso daqui a pouco). Os Golden State Warriors são muito, muito, muito bons. Não são perfeitos. A defesa, que no ano passado estava no topo da liga, regrediu para a mediania e continuam a ter alguns problemas na defesa do garrafão contra frontcourts mais altos. Não são perfeitos. Mas também não têm de ser. São os grandes candidatos ao título mas a última coisa que pensam é que este lhes está reservado sem qualquer luta por parte do resto da liga. Acreditem – estes Warriors são os últimos a precisar que lhes ensinem que é fundamental dar tudo até ao último segundo.

 

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O impossível potencial de Giannis Antetokounmpo

Quando o “Greek Freak” entrou na liga, as expectativas eram elevadas. Mas todos assumiram que iria demorar alguns anos valentes anos para o jovem se assumir – Giannis tem um pouco mais pressa que isso. Na temporada passada, o seu terceiro ano na liga, Antetokounmpo já apresentava médias de 16.9 pontos / 7.7 ressaltos / 4.3 assistências / 1.2 steals / 1.4 blocks. Impressionante, certo? Pois, este ano o grego evoluiu para o nível do disparate. Mesmo jogando o mesmo número de minutos por jogo, apresenta, à data, médias de 22 pontos / 8.3 ressaltos / 6 assistências / 1.9 steals / 2.1 blocks. Giannis Antetokounmpo desafia qualquer noção restrita do que achamos que deve ser a posição de um jogador. Tem 2,11 metros mas joga essencialmente a point guard. Tem skills de base mas domina no garrafão, seja com ressaltos ou com abafos que voam para fora do campo. E mesmo a sua timidez adorável tem sido substituída por um “killer instinct” cada vez mais apurado. Com o seu companheiro de luta, Jabari Parker, a subir também o seu nível, Giannis tem levado os Bucks a mais vitórias, ainda que sem grande consistência. Mas fica o aviso: se e quando o jovem prodígio grego aprender a lançar de triplo com alguma espécie de regularidade, toda a liga vai ter de encontrar um lugar seguro para se esconder.

 

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Os limites da escolha de um MVP

O MVP da temporada não tem de ser necessariamente o melhor jogador na melhor equipa, mas raramente vem de uma equipa que não esteja no topo, na elite. O que nos deixa a pensar: quão incríveis têm de ser os números de um jogador para que lhe demos o MVP, mesmo que em esses números não se traduzam necessariamente em vitórias? Russel Westbrook está a testar esses limites este ano. No momento em que vos estou a escrever este texto, o cyborg que joga a point guard pelos Thunder está com médias de 30.9 pontos / 10.3 ressaltos / 11.3 assistências. Sim, isto não é um erro. A manter-se, seria o segundo jogador de sempre a conseguir uma média de triplo-duplo ao longo de uma temporada, a seguir ao lendário Oscar Robertson. Mas os Thunder estão neste momento com 11 vitórias e 8 derrotas, o que os faria terminar com um aceitável, mas não incrível registo de 47-35. Muitos críticos irão apontar, corretamente, que muitos destes números derivam do facto de Westbrook ter SEMPRE a bola nas mãos, mas se ele mantiver este ritmo sem se desintegrar em pó, só isso já poderá ser merecedor do galardão. Vamos ver como este debate evolui ao longo da temporada, e se nomes como LeBron James, Kevin Durant ou James Harden irão ascender ao topo das escolhas. Até lá, vamos continuar a apreciar a loucura sem filtro de Russell Westbrook.

 

Pedro Quedas

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