August 25, 2019

 

Sensivelmente a meio da temporada da NFL, torna-se logo evidente que as previsões cada vez fazem menos sentido – ou, antes, fazem tanto sentido quanto as eleições norte-americanas.

 

O que eu quero eu dizer? Que equipas estão a perder as estrelas e a ficarem melhores, plantéis muito jovens estão a jogar com a confiança de veteranos e Tom Brady está a destruir a liga como um cyborg sem sentimentos. Ok, talvez nem tudo tenha mudado.

 

Dito isto, vamos tirar as conclusões possíveis sobre a imprevisível loucura que tem acontecido até agora e tentar desvendar um pouco do que poderá estar para vir:

 

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O que raio aconteceu aos Carolina Panthers?

Diz-se que existe um fenómeno chamado “Super Bowl curse” – especificamente, significa que as equipas que ganham ou chegam à final têm uma quebra no ano a seguir, seja porque razão for. Os Carolina Panthers estão a ser um exemplo perfeito disso mesmo. Depois de um ano quase perfeito, os homens de Cam Newton estão piores em todos os sectores do jogo. A defesa, para além de estar a sofrer na linha secundária com a saída de Josh Norman, não está a pressionar o quarterback como antes e apenas Luke Kuechly e Thomas Davis estão a segurar as pontas soltas da equipa. No ataque, a linha ofensiva, que surpreendeu o ano passado, regrediu este ano e está a deixar Cam desprotegido. Com duas vitórias nos últimos jogos, os Panthers subiram de 1-5 para 3-5 e mantêm a esperança viva, mas arriscam-se seriamente a perder os playoffs. The curse is real.

 

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Batalha campal na AFC West

De todas as divisões na NFL, nenhuma é mais imprevisível que a AFC West. Os jovens Oakland Raiders estão a virar muitas cabeças com a potência do seu ataque, liderado pelo ascendente Derek Carr. Os Denver Broncos continuam muitos fortes apesar da perda de Peyton Manning, com uma defesa coriácea liderada por Von Miller, o favorito a ganhar o Defensive MVP desta temporada. Os Kansas City Chiefs são provavelmente a equipa mais aborrecida em toda a liga, mas continuam a ganhar os seus jogos com a sua quase absurda eficiência. E ainda temos os San Diego Chargers, com o seu ataque explosivo liderado por Phillip Rivers. Com a AFC liderada pelos imparáveis New England Patriots, a grande ameaça à sua supremacia deverá sair desta divisão e todos os aspirantes a Nostradamus devem manter esta divisão debaixo de olho.

 

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A inesperada ascensão dos Minnesota Vikings

As expectativas eram relativamente elevadas para estes Vikings. Tinham uma equipa recheada de jovens talentos, encabeçados pelo talentoso quarterback Teddy Bridgewater e o já veterano (e controverso) running back Adrian Peterson. Mas, na pré-temporada, Bridgewater sofreu uma lesão que o deixou fora de toda a temporada. Depois, foi Peterson quem se lesionou com gravidade. E o que aconteceu aos Vikings? Ficaram melhores. O inconsistente Sam Bradford assumiu as rédeas de QB e tem sido competente, muito ajudado pela emergência do wide receiver Stefon Diggs. Mas a grande razão para este sucesso é mesmo a defesa, que, se já era formidável o ano passado, conseguiu melhorar este ano. Com nomes como Everson Griffen, Linval Joseph e Anthony Barr a perseguir o quarterback, os Vikings podem muito bem sonhar com o título.

 

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Novas estrelas nos velhos Cowboys

Aqui temos outra equipa que se tornou melhor depois de uma grande lesão que, supostamente, lhes tinha afundado a temporada. Depois da queda da superestrela Tony Romo, coube ao quarterback rookie Dak Prescott assumir as rédeas da equipa – e caramba se o jovem não superou todas as expectativas. Com 12 touchdowns e apenas 2 interceptions, o novato tem mostrado, acima de tudo, uma grande calma sob pressão. A seu lado, tem outro estreante que, embora tenha chegado com todos os holofotes em cima de si, também tem mostrado uma total ausência de medo perante os gigantes da NFL. Com a ajuda da melhor linha ofensiva em toda a liga, o running back Ezekiel Elliot já acumulou 891 yards e 7 touchdowns em 8 jogos, médias quase sem precedentes para jogadores no seu 1º ano. O prémio de Rookie do Ano está entregue.

 

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Será possível que Tom Brady ganhe o MVP?

Com a suspensão por quatro jogos de Tom Brady pelo seu envolvimento no eterno escândalo (ainda mal explicado) do “Deflate Gate”, os New England Patriots entravam nesta temporada com um handicap que muitos pensavam ser considerável. Ganharam 3-1 sem ele. E depois o veterano quarterback voltou. E voltou zangado. Com 12 touchdowns e nenhuma interception nos quatro jogos desde que regressou, Brady conta com uma média de 330 passing yards por jogo. A manter este registo (e as vitórias), irá continuar como o líder destacado na corrida ao MVP e seria o primeiro a fazê-lo com apenas 12 jogos jogados na temporada regular. Existem muitos pontos fortes nestes Patriots, tanto no ataque, como na defesa, e é o modo como esses elementos combinam que torna New England tão forte. Mas há que dizer que ajuda ter um quarterback perfeito.

 

Pedro Quedas

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