December 13, 2019

Tem sido curioso o percurso do ex-finalista vencido da Taça da Liga e de um dos vencedores da Taça de Portugal com o Vitória de Guimarães

Falar de Rui Vitória é isto.

Este é o seu CV, que foi discutido pela praça pública como se de uma nova peça de investigação da CMTV se tratasse.

Um título. Uma final perdida.

E a actual liderança da Liga NOS como treinador do Sport Lisboa e Benfica.

Muitos não compreendem a forma como o técnico nascido em Alverca, perto de completar 46 anos, tem levado a água ao seu moinho no banco dos encarnados. Acusam-no de “futebol pequeno”. De tácticas “conservadoras”. De não gostar de dominar e submeter os adversários a um sufoco de futebol ofensivo, todo ele jogo flanqueado, calcanhares e golos de levantar Estádios e de polvilhar resumos… da CMTV.

Rui Vitória pode não ser material CMTV como Jorge Jesus. Poucos treinadores Portugueses carregam essa ‘marca’, diga-se. Jorge Jesus, num actual ano cívico, ganha mais do que o conjunto dos treinadores Portugueses ganhava na década de 90. Se não ganha isso, andará lá perto.

Sobre quanto ganha Rui Vitória, pouco se sabe. Ou pouco importa. Porque a sua forma de estar é mesmo essa: parece gostar pouco de teatro, de circo mediático. Fala aquilo que pensa. Poderá, na opinião de alguns, dizer algumas coisas que lhe mandam dizer (uma “virtude” de Jesus, que nunca foi nem será submisso, apesar de constantes yo-yos a várias SADs, quer de clubes Portugueses quer Estrangeiros). Mas, uma coisa é certa, sejam vocês fanáticos Benfiquistas, assumidos Sportinguistas ou indiferentes Pacenses: Rui Vitória não está a ser um mau empregado. De todo.

Rui Vitória vai jogar, numa época, contra o Atlético de Madrid e contra o Bayern de Munique. A contar para a Liga dos Campeões. Na sua época de rookie, chega, por mérito próprio (com alguma dose de sorte, dirão, mas não teve Mourinho a sua dose de “mija” quando comandou o Porto pela Liga dos Milhões?), aos quartos-de-final. Nos quartos-de-final estão as 8 Melhores Equipas do Momento.

O Benfica é lider da Liga NOS. O Bayern é lider da Bundesliga. O Benfica já defrontou entretanto o 2º classificado da BBVA (foi das poucas equipas a destronar Simeone no Calderón) e o Zenit, que tem graça como equipa apenas para os Portugueses (Hulk, Javi, Witsel), porque lá na chafarica deles terminaram em 5º lugar a época passada (o campeão foi o Rostov).

A rota de Rui faz-se de suor, sanguezito e “muita lágrima”. A de Lopetegui e Jesus – a batalha que deu sangria vermelha nos últimos dois Campeonatos – faz-se de outra forma. O Espanhol já lá vai e tão cedo não volta. Jesus, que não sabe ser camaleónico como um Mourinho, mantém a mesma filosofia: suor, suor e suor por onde der, houver e sobrar, tudo para levar o sangue ao seu moinho.

Quando Rui Vitória mostra competência, Jesus responde com arrogância. Já vimos este filme… quando Mourinho dava os seus baby steps, também Jaime Pacheco respondia de faca afiada. Claro que Rui não é José nem a CMTV quer que ele seja: Mourinho será sempre único naquele poleiro infalível de meritocracia, classe, sabedoria, estratégia e tudo o mais que nunca associamos ao treinador Português Standard. Porque Mourinho é… Especial. É Treinador do Mundo. De nós todos. Claro que é. Há dúvidas?!

Lembramo-nos de Jesus quando Villas-Boas também saiu da Académica para o Porto. Choro. Tareias. Derrotas constantes contra o único rival que teimava em perder. Jesus sofreu e sofreu muito. Mas Rui Vitória não andou propriamente ao “colinho”. Chegou onde chegou fruto do trabalho. Ganhou a Jesus uma Taça, perdeu para ele uma Supertaça, hoje cantada e entoada por Jesus como se de três títulos seguidos se tratassem. Porque Jesus “desobedece e discorda” mas também sabe ler o argumento, original e adaptado. Se o Presidente diz, ele não desdiz…

Já chega de Jesus. O treinador dos anos 80 revisitado que se fez Campeão deixará a sua marca no Futebol Português. Achamos que para Jorge ser Português do tempo do escudo, da União Soviética e do CMTV impresso basta.

Ele nasceu e morrerá entre nós. Tal como o outro, o Nazareno.

Várias razões nos fazem amar ou odiar Jesus… ser tão descabido como desbocado ao mesmo tempo que revela uma sensibilidade enorme – destacamos alguns pormenores como p.e. a sua paixão por crianças, algo que muitos desconhecem mas que Jorge Jesus volta e meia refere em conversas com os Jornalistas, da CMTV e não só – só nos aproxima do homem. O treinador, esse, depois vemo-lo com as cores que quisermos.

Rui Vitória é um perfil totalmente diferente. Prefere ser discreto. Não entusiasma nem motiva quando abre a boca. O próprio Camacho teria mais graça a comunicar. Quiçá Jesualdo quando não levava o cutelo e a motoserra para falar com os Jornalistas seria mais agradável de entrevistar.

É, mais uma vez, aquilo que ali está e não mais que isso: um homem que se fez a si próprio, tal como Jorge, e que hoje rivaliza com ele e com outros tantos colegas por ver qual deles o melhor. Ou qual deles será Campeão (atenção: pode não ter o mesmo significado!).

Rui sabe que está na frente do Campeonato, vai jogar contra uma das Melhores Equipas do Mundo, lidera uma equipa que aproveitou de base sem ninguém lhe pedir muito em troca. Como qualquer treinador, foi contestado, assobiado, desconsiderado.

Humilhado até por Jorge Jesus em 3 confrontos directos. Derrotado por Lopetegui. Perseguido por todos os lados da 2ª Circular.

Os homens não se medem às Champions nem aos Campeonatos. Muito menos aos resultados. Esses são os treinadores.

Deixem para os homens aquilo que ainda estão cá para fazer, diz-se por aí… trabalhar como deve ser.

Homens como Rui. Não sabemos bem para onde vai mas ele de certeza que sabe melhor do nós, vocês e a CMTV.

Manuel Tinoco de Faria

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