September 19, 2019

É já hoje. É já daqui a nada. Não falta muito tempo para começar o “nosso” Mundial. Tenho que confessar que não estou confiante, quer para o jogo de hoje em particular, quer para o resto do torneio. Porquê? Bem os motivos são vários.

 

Em primeiro lugar não creio que a Selecção tenha feito um apuramento nada brilhante. Na verdade, com excepção das exibições do playoff contra a Suécia, que valeram quase exclusivamente pela prestação individual do Cristiano Ronaldo em ambos os jogos, não fizemos nenhum jogo de encher o olho. Eramos cabeças de série mais uma vez e mais uma vez voltámos a vacilar sempre contra os nossos adversários directos. Perdemos o grupo para uma Rússia que apesar de ser consistente e muito bem treinada, está longe de ser um colosso. Como é possível que não tenhamos conseguido ganhar um único jogo à Selecção de Israel? Tinha bastado isso para termos ganho o grupo e evitado o playoff de qualificação, mas não fizemos melhor que um empate a 3 fora e ao cair do pano e um empate a um em casa. Pouco, demasiado pouco para quem se quer considerar candidato à vitória final.

 

Mas vendo bem as coisas isto já foi quase há um ano, o último jogo da fase de grupos para o Mundial foi em Outubro do ano passado e o playoff jogou-se no mês seguinte, muita coisa podia ter evoluído para me dar esperança de que faríamos um grande torneio certo? Certo. Poder, podia, mas não foi bem assim.

 

Já quase toda a gente abordou os vários problemas da convocatória, e eu não gosto de chover no molhado (sobretudo quando finalmente chegou o calor), mas de facto há algumas coisas que não dão para passar em claro. Primeiro acho que está na altura de alguém da FPF assumir de uma vez por todas que a Selecção não é o conjunto dos melhores jogadores portugueses, mas sim, o grupo dos jogadores portugueses que o seleccionador do momento mais gosta/confia (ou um misto de tipos que o Jorge Mendes mais quer valorizar, vá). Uma declaração deste tipo já ajudava a clarificar algumas ausências. A que mais salta à vista a meu ver é a do José Fonte. Não percebo como é possível ser-se considerado o 7.º jogador mais valioso do mundo, repito, o 7.º jogador mais valioso DO MUNDO! Como é possível um país ter tanto orgulho naquele que considera o melhor do mundo, ignorar um que foi considerado o 7º numa listagem semelhante? Não consigo perceber. É que não consigo mesmo. Sobretudo quando o vejo perder o lugar para Netos e Ricardos Costas desta vida. Enfim…

 

A escolha do Ricardo Costa foi justifica pela polivalência. Joga a central e a lateral-direito. Pois… está “serto”, não fosse este pequeno pormenor. Ele de facto faz as duas posições, não faz é nenhuma delas particularmente bem. Preferia de longe ter um bom central, como por exemplo o tal sétimo melhor do mundo ou um lateral direito de raiz, como o Cedric, do que esta emenda pior que o soneto. No departamento “ausências” há ainda mais umas que saltam à vista. A de Ricardo Quaresma foi a mais discutida. Todos sabemos da sua instabilidade emocional, mas uma coisa é inegável, fez uma grande segunda metade de campeonato e merecia a chamada. Fiquemos apenas por isto: Quaresma sozinho, tem mais minutos nas pernas que Nani e Vieirinha juntos (1643 contra 1536). Quanto a golos Quaresma marcou 9 e Nani e Vieirinha marcaram no total 2. Quanto a passes para golo, a especialidade de Nani, este conseguiu o brilhante número de zero esta época, Vierinha lá fez um e Quaresma fez 11. Querem que continue? É que recordo que só estou a contabilizar os número do Quaresma depois de Janeiro, não estou a fazer contas com a primeira metade de época que ele passou em terras árabes. Acham mesmo que a aposta no mustang era um risco? Risco é não o levar e apostar que 2 jogadores que tiveram as piores épocas das suas carreiras vão fazer de nós campeões do mundo (já agora alguém se imagina a dizer a frase “este jogo está difícil, devíamos por o Rafa para destabilizar o adversário/ dar velocidade ao jogo/ criar mais perigo perto da área” ? alguém? Pois, creio que nem os paizinhos dele…).

 

Outra coisa engraçada é ver a ausência de construtores de jogo na Selecção. O miolo está dependente de tudo o que João Moutinho conseguir inventar. A falta de opções é tão óbvia que demos o 10 ao… Vierinha! Coluna, Eusébio, Rui Costa, Deco… Vieirinha. Curiosa evolução deste número. Há um jogo giro que podem fazer com os amigos. Peçam-lhes para dizer números 10 das selecções mais fortes, sem se rirem uma única vez. Vejam-nos começar: “Messi, Hazard, Neymar, Gervinho, Rooney, Benzema, Podolski, Cassano, Fabregas, Sneijder…VIEIRI… AHAHAHAHAHAHAHAHAH”. Limpem as lágrimas e prossigam com as vossas vidas. Parece aqueles jogos que faziamos em miúdos do tipo “o que é que não pertence a este conjunto?”. Não é que o Adrien ou o André Gomes estivessem ao nível dos outros números 10 que referi, mas estão um pouco mais perto (mais perto do tipo “é mais perto de Portugal à India ou de Portugal à Austrália? São ambos longe para caraças, mas a India é mais perto!), ou então dessem-no ao Moutinho, ou ao Eduardo, ou retirassem-no para homenagear os falecidos Eusébio e Coluna que lhe deram um simbolismo que temo que acabe por perder… qualquer coisa era melhor que o Vieirinha.

 

O problema dos pontas de lança já é crónico, não creio que Paulo Bento pudesse fazer melhor com a matéria prima que tem. O melhor de todos (o Éder) passou grande parte da época lesionado. O Pior de todos (o Hugo Almeida) foi o que marcou mais golos dos três. E o Postiga vai acabar por ser o titular. Pode parecer que não tem lógica, mas no fundo, no fundo… não tem mesmo!

 

Por fim resta a incógnita Cristiano Ronaldo. É sobre ele que recaem (quase) todas as nossas esperanças e toda a atenção mediática. Resta saber em que forma se apresentará ele. Na forma de Novembro do ano passado (que me parece difícil) ou na forma da Final da Liga dos Campeões? Creio que será algures entre as duas, mas rezo, sinceramente, para que esteja mais próximo da forma dos jogos contra a Suécia. Ronaldo gosta de brilhar, sobretudo quando é o foco das atenções e a pressão é grande. Vai ser já assim contra estes alemães, a meu ver os principais favoritos a levar o caneco do Brasil (a não ser que a FIFA queira muito que o caneco fique em casa, para a Dilma desculpar qualquer coisinha de todos os embaraços causados).

 

Enfim, creio verdadeiramente que as nossas esperanças dependem muito do que conseguir fazer o “nosso” melhor do mundo (os argentinos têm o deles).

 

Estarmos num grupo difícil é bom. Portugal joga sempre melhor quando os grupos são difíceis. Em 2002 o grupo era dado e foi o que se viu. Gana e Estados Unidos não serão adversários fáceis mas são ideais. Suficientemente difíceis para nos fazerem estar com os níveis de alerta no máximo, mas não impossíveis.

 

O mote para hoje tem de ser este: Ponham o Cristiano ao telefone com o Sérgio Conceição para ele lhe dizer como fez isto

 

Ou com o João Vieira Pinto para ele explicar como se deixam tantos “boches” para trás com esta facilidade

 

Não deixem é o Rui Patrício falar com o Ricardo, que o Schweinsteiger ainda lá está e pode começar a calibrar as bombas de 30 metros de distância…

 

Enfim, seja como for, daqui a nada começa o jogo e nada disto terá importância. Se ganharmos, eu próprio me insultarei por ter escrito isto, e quando o jogo começar vou firmemente deixar de acreditar em tudo o que aqui está escrito. Só vou ter estas certezas:

 

– vamos ganhar;

– por muitos;

– vamos ser campeões do mundo;

– temos o maior e melhor plantel que era possível um grupo de seres humanos reunir, com destaque para aquele que vai ser indiscutivelmente considerado o melhor do mundo;

– VAI-TE A ELES VIEIRINHA!

 

 

Pedro Filipe

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