October 19, 2018

 

Tal como diria Millôr, “um país que anseia por um salvador não merece ser salvo”. E um clube com um Salvador ao leme? Será que tem condições para ombrear com os rivais locais e agigantar-se perante os de Lisboa? O Sporting de Braga de fio a pavio, das origens aos dias de hoje, e aquelas perguntas que convém deixar no ar para as próximas temporadas.

 

RESUMO RÁPIDO

 

O Sporting de Braga é um clube de Braga que tem Sporting no nome, joga de vermelho e branco, jogava no 1º de Maio antes da Pedreira e nunca ganhou um charuto interessante que se visse. Lançou Jorge Jesus para a ribalta e viu Domingos Paciência guiar uma das suas melhores equipas à final da Liga Europa perdida para o Porto. Manuel Cajuda também treinou uma equipa simpática dos arsenalistas.

Já António Salvador, chegado ao clube em 2003, trocou 17 vezes de treinador em 14 anos à frente do Braga, oube lá. Fica a lista e o ‘obrigados’ ao Expresso. Em negrito destacamos os treinadores que melhores resultados conseguiram. Obviamente que José Peseiro não está a negrito…

 

1- Jesuado Ferreira

2- Carlos Carvalhal

3- Rogério Gonçalves

4- Jorge Costa

5- António Caldas (interino, oube lá)

6- Manuel Machado

7- Jorge Jesus

8- Domingos Paciência

9- Leonardo Jardim

10- José Peseiro

11- Jesualdo Ferreira (outra biez)

12- Jorge Paixão

13- Sérgio Conceição

14- Paulo Fonseca

15- José Peseiro (bis carago)

16- Jorge Simão

17- Abel Ferreira (efectibo)

 

Mais do que FC Porto e SL Benfica, em igual período. Recordar que Salvador chegou estavam no Porto Mourinho e na Luz um tal de Camacho.

 

SALVADOR EXPLICADO AOS PUTOS ESTÚPIDOS

 

Dizia um empresário da bola, em idos de 2010, que “”O Sp. Braga tem um factor que torna os negócios imprevisíveis: Jorge Mendes. Um empresário normal anda uma vida inteira a trabalhar numa transferência que ele faz por telefone”. Para se compreender o empreendedorismo de Salvador convém acrescentar o nome do famosíssimo empresário Português. Um ano depois de Salvador liderar os destinos dos minhotos, Mendes vendia Luís Loureiro, Bruno Gama e Cícero ao Dínamo de Moscovo. O clube encaixava uns bem-vindos 6.2 kilitos. Nada mal para um clube que na temporada anterior lutara para não descer.

 

Jorge Mendes foi responsável ainda pela venda de Diego Costa (sim, esse mesmo) por 3,5M, Orlando Sá pelo mesmo valor, Jorge Luiz (2,5M), João Alves (2,5M), Nunes (2,5M), Abel Ferreira (750mil paus) e Luís Aguiar (3M). Isto dá um subtotal de [vão buscar a calculadora sff]. Repetimos: o clube não ganhava um caracol, andava pela porta dos fundos do Campeonato e, em termos de estruturas, equiparava-se mais facilmente a um Ronfe do que a um clube minimamente profissionalizado e digno dos padrões mínimos de um primodivisionário. Salvador, aproveitando o background da construção civil – partilha com Vieira esse like – e o cash in destas vendazitas, modernizou o clube com cimento, computadores e pessoas. Filosofia simples: comprar barato e a custo zero, vender caro. Na altura, o Braga vendia aos preços mais altos do Campeonato, nada ficando a dever a qualquer um dos chamados três Grandes.

 

ONDE SALVADOR NÃO SALVOU NINGUÉM

 

Foi dentro das 4 linhas.

O Braga está alegadamente dentro das tendências e práticas comuns do marketing digital, é um clube com uma imprensa simpática – Jorge ‘Mecenas’ Mendes é importante neste mambo – e a equipa raramente joga pressionada. O Braga está naquela zona meio cinzenta do Campeonato. Se estiver na frente da Liga durante as primeiras 13 jornadas, ninguém estranha.

Se lutar para não descer a 5 do fim, também não é notícia…

Recentemente venceu o FC Porto em casa. Bruá gigante. Feito hercúleo. Afinal, o SC Braga é, para escarro de malta do Belenenses e fúria de alguns doidinhos da Académica, o 4º clube de Portugal.

Revela pontualidade e assiduidade na disputa da Liga Europa.

Revelou astúcia para chegar pela primeira vez a uma Champions.

Disputou até à última gota um Campeonato com o Benfica.

Foi vice-campeão da Liga Europa (RIP Rodríguez).

Contratou e depois vendeu Luís Filipe.

Contratou para depois meter a rodar Danilo.

Contratou para depois meter a rodar o irmão do Bruno Alves.

 

Enfim, há toda uma panóplia de razões que me leva a crer que o Braga parece bem encaminhado. Mas nem tudo são escadinhas do Bom Jesus que nos levam lá acima…

Temos de escavar mais fundo e perceber o lance de Salvador para os próximos tempos!

Roda a imagem…

 

À imagem dos rivais que pretende destronar “dentro de 3 anos”, segundo recentes declarações do Presidente, o Braga investiu forte nas suas estruturas fazendo uso (bom ou mau, isso depende da escala do roubo…) de bens públicos. Apenas “Mais uma Segunda-feira…” como diria um nababo qualquer que trabalha na bola.

Sem licenças camarárias e à custa dos contribuintes, Salvador diz que a obra da Cidade Desportiva “valorizará o património do clube em 50 a 60M de EURs”. Como é sabido que o Português é bom de contas e melhor ainda no Excel, Salvador previu bem a coisa: a obra nasce em 150 mil metros quadrados de terrenos oferecidos pela Câmara, que os tinha expropriado por 5M de EURs para a criação do Parque Norte. Claro que houve advogados a ajudar a Câmara a esconder a coisa.

E, para não variar, é óbvio que a decisão nunca chegou aos ouvidos dos cidadãos. Nada, népia. Quanto valem os terrenos, o que vai acontecer ao Parque Norte? Que alternativas para o projecto da piscina olímpica? Porque é que doaram os terrenos e não os venderam? Talvez também importe esclarecer: qual o retorno para a cidade?…

Ao que parece, e ao bom estilo Futebolês, durante 2 meses “foram feitas obras sem qualquer licença conhecida, procedendo-se a enormes aterros e derrubando-se 63 sobreiros”. Ah os sobreiros! Assim não dá para ganhar títulos Braguinha, nem daqui a 3, nem daqui a 15 anos!

 

O POSICIONAMENTO DO BRAGA

 

Torna-se assim fácil de perceber o mambo arsenalista, algo preso por entre interesses e negociatas cinzentas de Joca Mendes, entalado entre a hegemonia Norte-Sul de Porto, Benfica e Sporting, inferior em massa adepta do Vit. de Guimarães – existe um ódio de morte entre as duas cidades minhotas e em termos de sócios o Vitória é de longe mais expressivo e fiel ao Futebol; o Braga reclama a bandeira jovem e empreendedora, Guimarães diz que em Braga não se faz, nem se joga à bola… – e sobretudo manietado por um presidente mais ambicioso nas palavras do que nas acções.

Não prevemos, a curto prazo, por mais saudável que fosse para o Futebol Português, um SC Braga campeão Nacional.

O Entre tentou falar, em vão, com o Marketing do SC de Braga e qual não foi o nosso espanto em descobrir que no site oficial do clube a Fanzone os Contactos não devolvem qualquer página nem informação adicional…

Isto a juntar aos sobreiros é uma pouca vergonhice pegada pá.

 

#bragacampeaonemnosubbuteo

#primeirodospequeninos

 

Manuel Tinoco de Faria

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