December 13, 2019

 

Se ainda não sabiam, pasmem-se: o Futebol Nacional, do dirigente mais sério ao jogador mais inútil, é um péssimo produto, do Benfica ao Arrifanense.

 

Multiplicam-se capas, escreve-se prosa, partilham-se comentários e editam-se vídeos dos mais xuxus que alguma vez vimos. O Futebol dos anos 80 virou moda outra vez, todos comentam, ainda mais partilham, mas no fundo já ninguém quer saber… Linhares, Guímaro, manos Lacroix, Quinito, José Romão, Paco Fortes e outros tantos só tiveram direito a Gabriel Alves. Os likes, esses, vieram com Hugo Gil e Nuno Saraiva. Thumbs fucking up.

Por cá, é o que temos… [suspiro]

Admitamos: seja o leitor adepto do Benfica ou fervoroso seguidor do Estoril-Praia, o Futebol Português está mais enterrado na lama do que o Carlos Sousa há uns anos no Dakar. Com a ligeira diferença de que na lama já andaram, por exemplo, clubes como o Marselha, a Juventus, o Leicester, o Hertha de Berlim, o PSG e mais uns quantos que agora não nos lembramos que jogam campeonatos mais entusiasmantes, nem por isso menos corruptos e incrivelmente mais fáceis de exportar e, sobretudo, de discutir.

 

É óbvio que o Português vai torcer por Campeonatos que não o seu. Somos tão adeptos de um FC Porto ou Sporting como fãs incondicionais das últimas das transferências do Barcelona ou do City. Faz parte. Somos de uma geração que foi brindada com os maiores sucessos do nosso pequenito Futebol nos últimos dez, vinte anos, por isso nem nos importamos de seguir com entusiasmo e aquela dose light de clubite ibérica o que é que o Real Madrid ou o Sevilha andam a fazer. O mesmo se aplica além-Andorra, com a Premier League, a Ligue 1, a Bundesliga e outros tantos.

 

A triste verdade é que o Campeonato Nacional atrai cada vez mais gente que não faz parte do fenómeno desportivo. Dirão os entendidos, subscritores de takes de Manuel Sérgio, que como fenómeno social total, qualquer pessoa terá direito a opinar sobre bola. Talvez.

 

Só que qualquer masturbação pública à volta de pastores de coro não deve, a meu ver, ser diariamente amplificada e distorcida por agentes estranhos que nunca fizeram parte do Futebol – nem de alguma coisa remotamente parecida – como por exemplo Pedros Guerras, Nunos Saraivas, Franciscos J. Marques e outros cabrestos que tais.

Estes merecem-se um ao outro. O futebol português não merece nenhum dos dois

 

Só num país como Portugal Fernando Madureira tem o airplay que tem tido nesta última época. Se o maior título conquistado pelo Porto o ano passado foi Iker Casillas, o maior valete desta saison dá pela alcunha de Macaco, o Grão-Mestre da Armada Lusitana que foi a França gritar até à rouquidão pelas vitórias dos comandados de Fernando Santos.

 

O FC Porto a provar uma vez mais que a visão estratégica não passa ali de Carvalhos, nem interessa lá muito, desde que o Santo Jorge Nuno continue a mandar umas larachas do tempo do Guímaro a coisa faz-se. E, por falar em Santo, que tal o outro Nuno, que anda de Espírito igualmente Santo à procura de um milagre que torne o clube Português mais titulado na Europa notícia por motivos além-Macaco.

 

Assim se resume a expansão de um clube que sempre preferiu arrumar a casa do que explorar novos apartamentos. O FC Porto, de origem republicana, letrada e erudita, remetido à escala de um clube popularucho graças à obra… e graça do já referido Jorge Nuno e de um tal de José Maria Pedroto. Ainda hoje, como nos anos setenta, são quem mais convém ouvir falar de Porto do que qualquer outro Portista da vida, assine ele Sousa Tavares, Bernardino Barros ou Marques Merdas, perdão, Marques Lopes.

O Pedro Marques Lopes todo sorridente agarrado a alguém vestido de vermelho, quem diria?

 

Outra espécie podemos encontrar em vias de explosão: os cronistas ou senadores da redonda. São tantos que fazem inveja a colmeias: Cervan, o filho da Sophia, o Marques Foda-se, perdão, Marques Lopes, Bagão Félix, Paulo Teixeira Pinto, Hermínio Loureiro, Fernando Guerra, Vítor Serpa, André Pipa, Otávio Ribeiro, Rui Santos, tantos e tão donos da verdade como uma review do TripAdvisor.

 

Ninguém aprende coisa alguma a ler qualquer um deles nem alguém se atreverá a invejar qualquer verborreia disfarçada de semi-prosa Futeboleira todos os Domingos. Todas as Segundas. Sempre depois dos jogos. Os replays. Os berros. As insinuações. Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz……

 

Os artistas do verdadeiro Jornalismo Desportivo à Portuguesa, como Severiano Correia ou Carlos Pinhão, esse sim, espetavam reviengas de Futre e Chalana que faziam corar qualquer caderno de Economia do Expresso. Hoje é um concurso de bocejos. Eles sabem que o que aqui está dito é verdadeiro, mas o que ganham por coluna faz-lhes esquecer rapidamente estas linhas de pura e simples análise.

 

A raiva ou invejite que poderá ser subentendida nestas linhas dilui-se nas provocações gratuitas, nas patéticas chamadas de atenção num país que aplaudirá sempre primeiro quem parece e só depois, se  der jeitinho, quem é.

 

Façam como eu: não leiam, não acompanhem, não desejem saber. O Futebol que aprendemos a ver não encaixa em nenhum título destes pseudo-analistas de página três.

 

Depois há a trendzita do comentador televisivo. A profissão da moda. Meio milhar de euros basta para trazer Gaitáns e Brahimis dos tempos da entrada de Portugal na CEE para o primetime. O que se discute para além do sexo dos anjos ou da necessidade de pentes por parte de um par de carecas?

A Sky Sports tem o Tierry Henry, o Jamie Carragher e o Rio Rerdinand, nós temos o equivalente… à escala

 

Tudo menos Futebol. Nada sobre Futebol. Lavoisier, não o que jogou no Nantes, mas um gajo um bocadinho mais conhecido e inteligente, poderia dizer: na Televisão, nada se discute, nada se aprende, tudo se desmorona.

 

Um Futebol Português com tanto para contar e divulgar, do dia-a-dia de clubes menores até ao final de semana típico de um clube de média ou grande dimensão – ideias básicas que Jaime Cravo já nem tem paciência para explorar… – vê-se ainda mais estupidificante e estupidificado por painéis estupidamente obsoletos.

 

Chamem quem quiserem, do músico Miguel Guedes ao humorista José de Pina. Ninguém pede um Match of the Day ou pundits da NBA. Mas porra… também ninguém pediu arsénicozinho antes de ir xonar.

 

Fale-se dos méritos de Pedro Martins. Destaque-se o percurso de um Moreirense, um clubezeco que há uns anos era esterco para moscas e agora desabrochou num clube que ganhou um caneco ao tricampeão em título. A ressurreição de um Boavista, o declínio do histórico Belenenses ou a força de um Paços de Ferreira. Clubes contra os quais os grandes volta e meia têm de jogar sobre os quais nada sabemos. Isto pode parecer curto para começar mas… é um começo e é melhor que propaganda 2.0. Se os miúdos de 15 anos andam pelo facebook a ler ameaças constantes entre clubes, o que os impede de replicarem ódio gratuito pelos colegas e amigos?

 

Haja discussão saudável pelo Futebol do actual Campeão da Europa de Selecções. Gostamos de pensar que fizemos o que a Grécia fez em 2004 o ano passado. Só que queremos sentir que somos um bocadinho melhores que os Gregos. E capazes de um bocadinho mais do que mostramos actualmente. Só pedimos um bocadinho car#lho.

 

Vá lá. Não custa assim tanto…

 

Ali Mesmo Onde Dói são Instaxes Desportivas que mostram o que vai mal e o que poderia melhorar, sem muito esforço, por este ocidental Campeonato Lusitano.

 

Deixaremos semanalmente perguntas no ar, abriremos a caixa de sugestões para dicas que queiram partilhar, queremos ouvir pitches de reportagens sobre pequenos clubes.

De tudo faremos para que deixem de prestar atenção a filhos da merda como o já referido em supra Marques Fôsga-se, ai, Marques Lopes.

 #naomatemabolatuga

 

Dicas úteis para aturar Futebol Português, semana 1 (sugestão até à final da Taça, dia 28/4)

– falar da subida de forma do Guimarães ou do Rio Ave;

– tentar perceber quantos treinadores é que o Belenenses despediu desde o início da época;

– encontrar o Spalvis na rua e tirar uma selfie com o beltrano;

– ignorar Pedro Guerra e todos os comentadores cheios de sarampo que andam por aí;

– combinar uma peladinha com os amigos e Não pedir penaltis à maluca.

 

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA…

 

Manuel Tinoco de Faria

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