November 14, 2019

Seattle Seahawks, 43. Denver Broncos, 8. Sim, leram bem.

Quando escrevi o meu texto a prever o que iria acontecer no Super Bowl, este foi o pensamento final com que terminei: “Vai ser, quase de certeza, um jogo incrivelmente renhido e emocionante, mas no fim, serão os Seattle Seahawks a sair vencedores”. Bem, um em três já não é mau…

Porque, se é verdade que os Seattle Seahawks saíram, de facto, vencedores, o Super Bowl deste ano foi tudo menos renhido e foi mais impressionante que emocionante – uma das poucas possibilidades com alguma emoção a partir da segunda parte foi ver se a defesa dominadora dos Seahawks iria mesmo conseguir vergar os Broncos à humilhação de não marcar um único ponto.

Conseguiram 8. Infelizmente para eles, os Seahawks marcaram 43. Naquele que foi o 3º Super Bowl mais desnivelado de sempre, a equipa de Seattle atropelou os pupilos de Peyton Manning, assumindo-se em definitivo como uma das melhores unidades defensivas da história da liga e neutralizando quase totalmente aquele que foi, estatisticamente, o melhor e mais produtivo ataque da NFL não só deste ano mas de sempre.

Os Broncos tiveram quatro fumbles, duas intercepções e permitiram um touchdown num kickoff return – foi uma desgraça de cima a baixo. A defesa dos Seahawks foi tão incrível como era anunciado e viu até um dos seus elementos conquistar o troféu de MVP do Super Bowl – o linebacker Malcom Smith, que teve 10 tackles e marcou um touchdown após uma intercepção.

Com um domínio tão intenso na defesa, o ataque dos Seahawks quase poderia não ter aparecido em campo, mas a verdade é que foram também incrivelmente eficientes e protagonizaram algumas jogadas verdadeiramente espetaculares, fosse devido a passes arriscados mas certeiros de Russell Wilson ou fintas de corpo dos receivers Doug Baldwin e Percy Harvin, que rotineiramente deixaram os seus defesas diretos a comer relva.

Quanto ao jogo, não há muito mais a dizer – os Seattle Seahawks foram muito, muito, muito melhores. A equipa melhor venceu. Russell Wilson conquistou o seu primeiro título apenas no seu segundo ano na liga e está certamente lançado para uma carreira recheada de momentos de triunfo.

Mas o que dizer do legado de Peyton Manning? Devemos vergarmo-nos perante a consistente excelência de um homem que foi considerado 5 vezes o MVP da liga ou apontar-lhe o facto de ter “apenas” um anel de campeão? Devemos acusá-lo de falta de liderança ou reconhecer que se os Seahawks venceram como equipa os Broncos também perderam como equipa? Talvez ele pudesse ter jogado melhor. Talvez os seus companheiros de batalha o tenham atraiçoado. Talvez um pouco de ambos. E talvez seja adequado que uma carreira tão recheada de altos e baixos termine numa nota tão marcadamente agridoce.

Pedro Quedas

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