July 16, 2019

 

Não tem melhor semana para falar do Campionato Italiano di Serie A como a que antecede Juventus vs F.C. Internazionale (domingo, 20:45 hora local), o chamado Derby d’Italia, o jogo no qual se enfrentam os dois clubes que detêm o maior número de troféus nacionais e cuja rivalidade ultrapassou frequentemente o retalho verde  ̶ como testemunham os acontecimentos judiciais ligados a Calciopoli (2006) que viram a Juventus descer de divisão e perder dois títulos, um dois quais atribuido ao próprio Inter.

 

Infelizmente para os amantes de futebol, no período pós-calciopoli o clássico da Itália deixou de ser um jogo decisivo para a vitória final do título sendo que tanto o Inter quanto a Juventus lideraram os últimos campeonatos sem ter que concorrer diretamente um contra o outro. De 2005 até 2010, a Juventus teve que se reconstituir depois das penalizações e das mudanças obrigatórias no quadro societário, enquanto o Inter vivenciou, nos últimos seis longos anos, uma crise financeira e técnica que culminou com a venda do clube, primeiramente para o empreendedor indonésio ErikThohir, depois para o riquíssimo grupo chinês Suning Holdings Group, atual proprietário do 68,55% do clube.
Esta ultima injeção de dinheiro na conta do time milanês – que só nas últimas aberturas do mercado gastou quase 150 milhões de euros, contratando, entre outros, o ex-sportinguista João Mário e a jovem estrela brasileira Gabriel Barbosa, conhecida como Gabigol  ̶  promete animar de novo a rivalidade entre as duas grandes equipas do futebol italiano, embora pareça ser necessário esperar ainda um pouco para os dois times voltarem a disputar a liderança da Série A.

 

De facto, a tabela de classificação não deixa muitas esperanças para os neroazzurri, enquanto a Juventus, que ainda tem que recuperar um jogo, conserva uma vantagem importante sobre Roma e Napoli, respectivamente, na segunda e terceira posições, para a vitória do tiíulo.

Classificação depois da 19ª jornada do campeonato.

 

Embora essa tabela seja efetivamente muito similar à dos últimos anos, liderados pela Juventus e com o Inter e o A.C. Milan constantemente longe das altas posições, a Serie A 2016/2017 parece apresentar interessantes sinais de mudanças, no meio de algumas certezas.

Em primeiro lugar, a Juventus começou a apresentar importantes sinais de fraqueza: depois de ter literalmente matado as últimas edições, a equipa de Turim pareceu ter voltado a ser vulnerável, tendo já sido derrotada em quatro jogos neste campeonato  ̶  dois contra os rivais tradicionais (Inter e Milan) e dois contra adversários, sem dúvida, mais modestos, como Genoa e Fiorentina. Neste último jogo, assim como em Milão contra o Inter, a Juventus foi completamente dominada.

Se a idade media da defesa bianconera é de facto bastante elevada – Buffon, 39 anos; Chiellini, 32 anos; Barzagli, 35 anos; Dani Alves, 33 anos; Lichtsteiner, 33 anos  ̶  o que preocupa mais é o meio campo. Embora Marchisio, Khedira e Pjanic sejam sem dúvidas jogadores de valor comprovado, ter vendido em dois anos Pirlo, Vidal e Pogba parece ter afetado seriamente os mecanismos quase perfeitos de uma equipa que, há dois anos atrás, disputava (perdendo!) a final da Champions League. Neste sentido, ter furtado ao Napoli e à Roma, pagando a cláusula de rescisão, jogadores como Gonzalo Higuain e Miralem Pjanic, teve como único resultado concreto o enfraquecimento das concorrentes para o scudetto – como o Bayern de Munique costuma fazer na Bundesliga.

No entanto, o técnico Massimiliano Allegri tem momentaneamente resolvido os problemas do seu meio campo colocando mais jogadores ofensivos no retângulo de jogo, com Quadrado na ala direita, Mandzukic na bastante incomum posição de ala esquerdo, e Paulo Dybala atrás de Higuain, num 4-2-3-1 completamente ofensivo   ̶  veremos se Max Allegri será tão ousado ao ponto de utilizar este sistema ambicioso também perante o Inter, ou num jogo para a Europa, no próximo desafio ao F.C.Porto, por exemplo.

Por sua vez Roma e Napoli estão demonstrando também este ano não ter a mentalidade e a autoconfiança suficiente para ganhar uma competição fisicamente e psicologicamente desgastante como o Campionato di Serie A. A equipa da capital, quase imbatível quando joga no Estádio Olímpico de Roma, apesar dos 15 golos já marcados por Edin Dzeko – melhor marcador da Serie A  juntamente com Mauro Icardi e Gonzalo Higuain  ̶  continua perdendo pontos e ocasiões importantes em cada jogo fora de casa, mostrando não ter a personalidade e o caráter típicos dos grandes times.

 

O Napoli é sem duvida alguma a equipa que atualmente oferece o melhor futebol em Itália, por qualidade e técnica, tendo uma construção de jogo horizontal, que começa pelo guarda-redes, marcada por rápidas e improvisas verticalizações em favor de jogadores como Dries Mertens, Marek Hamšík, José María Callejon e Lorenzo Insigne, hábeis a ocupar os espaços deixados pelos adversários. Todavia, apesar de ter o maior número de realizações complexivas, a equipa treinada por Maurizio Sarri apresenta uma fase defensiva frágil, marcada por frequentes erros individuais e coletivos. Defeito nunca segundário num campeonato como o italiano, onde quem ganha é, por tradição, a melhor defesa.

O vídeo resume um dos jogos mais emblemático do time partenopeu: mesmo tendo marcado três golos fora de casa, o Napoli não consegue vencer a Fiorentina, tendo que recuperar no final depois de ter ficado duas vezes em vantagem.

 

Atualmente em quarto lugar, o F.C. Internazionale promete continuar sendo o caso mais curioso desta temporada de 2016/1017, tendo trocado quatro treinadores em pouquíssimos meses.

Depois de Roberto Mancini ter-se demitido, ainda antes do começo do campeonato, a guia técnica do time foi entregue ao holandês Frank de Boer que tentou adoptar, em poucos meses, um futebol ofensivo, pouco tático, em nada pertinente com o estilo de jogo italiano, nem com os adversários. Resultado: 7 derrotas em 14 jogos, a humilhante eliminação na Europa League e a antipatia nunca escondida por parte de muitos jogadores. Felizmente para a torcida neroazzurra, o atual técnico Stefano Pioli conseguiu trazer a lógica, a organização de jogo e a tranquilidade que faltavam. Desta forma, o Inter recuperou diversas posições na tabela e está a valorizar no campo os investimentos operados no mercado pela sociedade.

 

 

Neste sentido, merece uma menção particular o português João Mário: dotado de grande técnica e força física, o campeão da Europa está a impor-se na Série A, sobretudo, pela sua inteligência tática, sendo um dos jogadores mais procurados na construção do enredo ofensivo do inter, com uma media de 84% de passes bem conseguidos, 3 golos e 4 assistências  ̶  rendimento notável para um jovem de 24 anos na primeira experiência num campeonato difícil como o italiano.
A torcida do Inter espera dele uma prestação de top-player também no próximo domingo, quando o lusitano enfrentará pela primeira vez em Turim os bianconeri.

 

Para concluir esta breve panorâmica sobre a Série A, merece uma rápida citação o A.C. Milan. Desde que o seu atual presidente, Silvio Berlusconi, saiu da política para se ocupar dos seus inúmeros problemas com a justiça, o segundo time de Milão, usado durante anos como se fosse uma base eleitoral   ̶  vejam-se as excelentes contratações pré-eleições  ̶ , perdeu muita da antiga força económica. Os vários Kaka, Ronaldinho, Seedorf, Ibrahimovic etc… não são nada mais que uma doce lembrança. Nomes como Abate, Montolivo, Paletta e Kucka, com certeza não aquecem os corações dos tristes adeptos mas a inteligência táctica e as capacidades do treinador Vincenzo Montella conseguiu fazer desta Armata Brancaleone – célebre comedia italiana da década de sessenta  ̶  um conjunto digno de algum respeito.

Cena do filme O Incrível exercito de Brancaleone (L’armata Brancaleone), de Mario Monicelli, 1966.

 

Veremos o que aconteçará, sobretudo quando se tornará definitiva a venda do clube para um grupo, ainda não bem definido, de investidores chineses.

 

A Serie A espera a volta do A.C. Milan. No entretanto, o próximo domingo, tem finalmente o Derby D’Italia!!

 

P.S. FORZA INTER!!!!

 

Luca Fazzini

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