January 22, 2020

Para ler no século XXII:

 

Ao longo do século XXI, toda a Europa atravessava uma grave crise económica. Portugal não era excepção. Todos os grupos sociais procuravam a sobrevivência, mergulhados numa exaustão profunda e inglória, num país que internamente estava dilacerado. O irregular funcionamento das instituições democráticas a falência do sistema financeiro e a promiscuidade do liberalismo económico garantiam o extermínio lento da classe média, garantindo abundância para uns e empobrecimento de outros. É exactamente neste contexto que a exportação de valor humano representativo da capacidade nacional em várias áreas de actuação, tornava-se essencial para a sobrevivência de um país que já só dependia dos seus talentos.

 

Contra ventos e marés, irreconhecidos, desapoiados e desacreditados, estes navegadores do novo século encontraram rotas de sucesso, implementariam gritos de revolta e conquista em palcos estrangeiros, quebrando fronteiras, ligando nações e acima de tudo, historicamente, a mais árdua das tarefas – demoveriam mentalidades.

 

D. Paulo Bernardes e D. Rita Soares oriundos de terras periféricas, camufladas dos arredores da capital portuguesa, longe de holofotes, hemiciclos e coliseus, empenhadamente desenvolviam um trabalho focado em estratégias dispostas a estampar os seus nomes em caravelas que desvendariam mares nunca dantes navegados.

 

São vários os relatos, documentos e registos fotográficos que permanecendo agora imprimidos em manuais de estudo e pesquisa académica, nos dão uma percepção do que estes líderes eram capazes em tão tenra idade.

 

D. Paulo Bernardes com 20 e poucos anos tornara-se numa figura altamente respeitada, saudavelmente temida e estrategicamente estudada. Relatos indicam que D. Paulo era uma pessoa de uma humildade impar, amizade extrema e dedicação estratosférica. A razão para o seu sucesso estava na concentração que imprimia nos seus objectivos, na agregação de valores morais, na paixão que possuía pela modalidade que liderava e pelo trabalho ininterrupto que imprimia antes de qualquer embate. Fisicamente robusto, alto, dizia-se que tinha duas caras. Fora da arena era ternura. Dentro, tinha a cara mais fechada que um cadeado, de olhar vampírico, dentes cerrados e maxilar tenso. Temível tecnicamente, apadrinhou Lucky Luke, sendo mais rápido que a própria sombra, dando o corpo ao manifesto de sorriso sarcástico para o oponente, de olho analítico, avisava os seus adversários sem proferir uma palavra.

D. Paulo Bernardes

D. Paulo Bernardes

 

Rita Soares, que pertencia ao mesmo contingente e frente armada portuguesa representava de igual forma o ânimo e ímpeto conquistador que dobrou o cabo da boa esperança e inaugurou novos trilhos para o sucesso.

D. Rita Soares

D. Rita Soares

 

Documentos recuperados, registam em dois punhos uma iluminura rosa que imprimia a mais impiedosa e letal estratégia ganhadora. De uma técnica intocável, posicionamento equatorial e força aniquiladora, todos os seus embates encheram os tapetes de história que agora lemos. Cabelos pretos longos, sorriso largo, mãos delicadamente cuidadas camuflavam horas intermináveis de treino e desgaste para confrontos, nos quais D. Rita dominou e congelou adversários.

 

De forma heróica, esta coroa lusitana continua hoje a conquistar novos palcos e a deliciar delegações estrangeiras que fazem questão de os colocar, aos olhos do mundo, em pódios e cumes que, pela enésima vez não são reconhecidos ou distinguidos domesticamente.

 

Péle, Ritinha e os demais, por favor não desistam, continuem o trabalho que têm feito porque um dia a vida vai presentear-vos condignamente e reservar uma homenagem semelhante à que escrevo, que ecoará na história do desporto português.

 

Obrigado!

 

Pedro Lisbon

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