December 8, 2019

 

Durante as 666 semanas (referência satânica não-intencional) que separaram as datas de 2 de Fevereiro de 2004 e 6 de Novembro de 2016, apenas 3 nomes conseguiram ocupar o lugar mais alto da hierarquia do ténis mundial: Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Um triunvirato apenas comparável, ainda que de longe, ao domínio de um outro famoso trio (Ivan Lendl, John McEnroe e Jimmy Connors, que partilharam entre si o #1 durante 8 anos) na década de 80.

 

Foi preciso um escocês (sem a cara pintada de azul) a quem já muitos, incluindo o autor deste texto, haviam atribuído o título de “melhor tenista de sempre a nunca chegar ao #1”, para destruir as teorias de que ainda estaria “por nascer” o sucessor desta dinastia. O ano de 2017 começa com Andy Murray sentado no lugar mais alto, resultado de uma época que teve tanto de surpreendente como de exemplar.

 

Com Federer numa trajectória descendente (36 anos, e 16º do ranking, após prolongada ausência por lesão) e o precoce Nadal já longe dos seus tempos áureos, as previsões indicam que a liderança será alternada num futuro próximo, entre Murray e Djokovic, que aos 29 anos ainda conseguirão mais algumas épocas ao mais alto nível. Mas a inevitável pergunta coloca-se: E depois?

 

Na procura de uma resposta, o ATP, entidade responsável pelo ténis profissional, apresenta este ano um novo ranking e um novo torneio: o ATP NEXT GEN FINALS. Se o conceito “Next Gen” já existia para efeitos de marketing, este ano assume um novo formato, com a criação do seu próprio torneio de final de época.

 

Para figurar no ranking Next Gen, basta reunir duas características: Não ter mais de 21 anos de idade, e constar do top 200 do ranking ATP. O apuramento para o torneio final é igualmente simples: Com uma estrutura de 2 grupos de quatro, mais meias finais e final (à semelhança dos ATP Finals), apuram-se os 7 primeiros classificados do ranking, mais um Wild Card a atribuir pela organização. Só são elegíveis para as Finals deste ano, atletas nascidos em 1996 ou depois, o que significa que alguns actuais tenistas Next Gen (entre os quais o actual #1) serão forçados a “reformar-se” do circuito de sub-21 antes de terem oportunidade de disputar o título.

 

São inúmeras as histórias de sucesso de “late bloomers”, jogadores que surgem na elite após inícios discretos de carreira, mas nunca ninguém conseguiu chegar ao número #1 sem ter dado nas vistas logo no final da adolescência. Será seguro assim dizer que, quando um dia os actuais reis da terra batida, da relva e do hard floor cederem o seu lugar ao sangue novo, os herdeiros do trono terão passado por esta lista, e muito provavelmente disputado este torneio.

 

Portanto, se é daquelas pessoas que gosta de dizer que conhece aquela banda que esgota estádios, desde o tempo em que ensaiavam numa garagem dos subúrbios, esta é uma rubrica que vai querer acompanhar.

 

Ranking ATP NEXT GEN – 2 de Janeiro de 2017

Idade Pontos ATP Ranking ATP Variação
Nick Kyrgios Austrália 21 2460 13º
Alexander Zverev Alemanha 19 1655 24º
Kyle Edmund Grã-Bretanha 21 1001 45º
Borna Coric Croácia 20 945 48º
Karen Kachanov Rússia 20 863 53º
Taylor Fritz EUA 19 701 76º
Daniil Medvedev Rússia 20 611 99º
Yoshihito Nishioka Japão 21 604 100º
Hyeon Chung Coreia do Sul 20 571 104º
10º Jared Donaldson EUA 20 570 105º
11º Frances Tiafoe EUA 18 550 108º
12º Stefan Kozlov EUA 18 508 116º
13º Ernesto Escobedo EUA 20 443 141º
14º Duck Hee Lee Coreia do Sul 18 411 149º
15º Quentin Halys França 20 399 153º
16º Andrey Rublev Rússia 19 395 156º
17º Elias Ymer Suécia 20 372 160º
18º Stefano Napolitano Itália 21 331 172º
19º Maximilian Marterer Alemanha 18 323 176º
20º Laslo Djere Sérvia 21 309 185º
21º Michael Mmoh EUA 18 278 197º
22º Noah Rubin EUA 19 274 200º

 

Na foto de capa, Murray e Djokovic, que aos 18 anos fizeram equipa para disputar o Australian Open em pares e não passaram da primeira ronda.

 

Jorge Crespo

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