December 10, 2018

Este último fim-de-semana de futebol americano foi incrível, muito possivelmente a melhor Round 1 dos playoffs de sempre da NFL. Houve futebol de excelência e erros imperdoáveis, recuperações estrondosas e vitórias calculistas – acima de tudo, houve muito, muito espetáculo.

Quem pode não ter ficado especialmente contente com este fim-de-semana são as dezenas de milhares de adeptos que se deslocaram aos estádios para ver as suas equipas. Isto porque não só tiveram de enfrentar os elementos e arriscarem-se a uma crise de hipotermia mas também porque, em quatro jogos, apenas uma vez a vitória sorriu para a equipa a jogar em casa. Os milhares de corações congelados deste fim-de-semana não podiam estar menos fascinados pelas “emoções delirantes do fim-de-semana”. Estão apenas tristes.

E, nesta nota de alegria esfusiante, deixo o meu balanço de cada jogo da Round 1 dos playoffs da NFL:

Kansas City Chiefs: 44

Indianapolis Colts: 45

O primeiro jogo da Round 1 foi também o melhor. Tinha previsto que iria ser um jogo renhido e decidido por detalhes, mas confesso que as minhas expectativas estavam assentes num jogo mais estratégico e de pontuação baixa. Em vez disso, o que tivemos foi uma das épicas recuperações a que a NFL já assistiu. Os Chiefs entraram com tudo e, mesmo depois de perderem a sua maior arma ofensiva (o running back Jamaal Charles), foram liderados por um excelente Alex Smith para uma vantagem de 38-10 nos primeiros minutos do terceiro período. O que aconteceu depois? Bem… Andrew Luck aconteceu. O híper-talentoso quarterback dos Colts teve uma segunda parte absolutamente fenomenal e, entre passes perfeitos (maioritariamente para um excelente T. Y. Hilton) e corridas decisivas, arrastou a sua equipa para uma vitória improvável. Apesar de ter visto três dos seus passes serem interceptados, Luck nunca desistiu e acabou o jogo com 443 passing yards e 45 rushing yards. Ao que parece, dá jeito ter um dos melhores quarterbacks na liga.

New Orleans Saints: 26

Philadelphia Eagles: 24

Desde que entraram na NFL, em 1967, que os New Orleans Saints não ganhavam um jogo fora na postseason – o registo era de cinco derrotas em cinco tentativas. Demolidores que são em casa (provavelmente só os Seahawks são mais dominadores no seu terreno), os Saints eram irremediavelmente fracos a jogar fora, principalmente no frio e com o vento a destruir a precisão dos normalmente muito eficientes passes de Drew Brees. Bem, por mais que seja fundamental ter tendências em mente quando prevemos este tipo de resultados, as streaks são feitas para serem quebradas. O duelo entre os Saints e os Eagles foi tão equilibrado quanto se esperava e, embora não tenha sido o festival ofensivo que talvez se esperasse, foi lutado até ao último minuto. Mais uma vez, a equipa que causou mais intercepções não saiu com a vitória, estando a chave da vitória nas mãos de um factor inesperado. Apesar do ataque dos Eagles ser famoso pelo seu excelente running game, acabou por conseguir apenas 80 rushing yards, consideravelmente menos que as 185 dos Saints. E, no fim, com um pontapé certeiro de Shayne Graham, os Saints enterraram os seus fantasmas.

San Diego Chargers: 27

Cincinnati Bengals: 10

Era visto como o jogo menos interessante deste fim-de-semana e, de muitas formas, confirmou essas expectativas. Mas essas foram as únicas expectativas que confirmou – tudo o resto foi completamente ao lado. Previa-se que talvez os Bengals pudessem dominar este jogo com a sua defesa e sufocar o ataque adversário. Foi a inesperadamente boa linha defensiva dos Chargers que se agigantou. Previa-se que fosse um jogo de redenção para Phillip Rivers. Até foi, mas não da forma que se esperava. Rivers é conhecido por conseguir acumular passing yards no jogo curto com o passe e fazer stats incríveis, mas neste jogo usou quase exclusivamente o running game para dissecar a defesa dos Bengals. Só houve uma “previsão” que se cumpriu – a de que o potencial para mais um mau jogo de Andy Dalton era grande. E nisso, infelizmente para os fãs dos Bengals, Dalton cumpriu, com um jogo incrivelmente trapalhão recheado de passes falhados (incluindo duas intercepções que foram autênticos presentes) e até dois fumbles. Os Bengals vão ter muitas decisões difíceis pela frente.

San Francisco 49ers: 23

Green Bay Packers: 20

Que não fiquem dúvidas. Em primeiro lugar, a grande maioria dos jogos equilibrados nos playoffs da NFL tendem a ser decididos por quem tem o melhor quarterback. Em segundo lugar, por mais talento que Colin Kaepernick tenha (e tem), Aaron Rodgers é um quarterback melhor. Bem melhor. Dito isso, os Packers continuam sem solução para como lidar com Kaepernick. Nos últimos playoffs, o QB dos 49ers destruiu-os a correr com a bola. Os Packers prepararam-se todo o Verão para combater esse problema e Kaepernick respondeu com um jogo em que acumulou mais de 400 passing yards. Neste jogo os Packers ficaram numa espécie de esquema defensivo de meio termo e o jovem quarterback derrotou-os das duas formas, com 227 passing yards e 98 rushing yards em apenas 7 carries. Incrível. Com 362 rushing yards na postseason, Kaepernick é já o quinto melhor quarterback a correr com a bola na História da Liga – e devemos ter em conta que o quarto melhor, Donovan McNabb, só chegou ao seu total de 422 rushing yards após 16 jogos. Kaepernick ainda só tem quatro.

Uma nota final para que possamos todos perceber o quão difícil é fazer previsões nesta liga. Podemos e devemos analisar estatísticas. Podemos e devemos analisar o aspecto mental. Mas, no fim, tudo está nos detalhes, na sorte aleatória do acaso, no centímetro de desvio que o vento exerce na bola, no segundo de atraso de um defesa que permite a bola passar. No fim, o que diz o marcador? Os 49ers ganharam com um field goal no último segundo. Os Packers viram os seus sonhos escaparem-lhe por entre as mãos.

832005960

Pedro Quedas

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