November 16, 2018

Dia 16 de Outubro recomeçou aquele que é o maior espectáculo do mundo, a temporada da National Basketball Association. E em dez dias de actividade, já tivemos direito a tanta novidade e coisa boa que fica difícil fazer uma resenha de tudo num artigo. Mas nós nunca recuámos diante de obstáculo algum, portanto, aqui vai!

 

New Kids On the Block

 

Como não podia deixar de ser, esta temporada começou antes de começar, com o Draft. Novas caras, que vamos ter que integrar na nossa paisagem NBAística, algumas com credenciais bastante boas. Por outro lado, as mexidas nas equipas foram também importantes, as principais tendo feito o objecto de todas as análises e especulações ao longo do verão. Se querem o detalhe de quem draftou quem, quem trocou quem para onde, leiam o nosso guia para a temporada, os Power Rankings 2018. Mas se tivermos que resumir, LBJ levou os seus talentos para West Hollywood, Kawhi Leonard não se pôde juntar a ele pois os Spurs desterraram-no em Winterfell Toronto, o Carmelo juntou-se aos Rockets para ver se é desta que vem anel, e um Demarcus Cousins deprimido e lesionado fechou um deal com a melhor equipa da Liga para a tornar absurdamente superior ao resto da horde, pelo que vem aí mais um título para Bay Area…

No departamento dos rookies, a sensação Luka Doncic aparece como um enésimo prodígio europeu que vai enfim mostrar aos americanos que ali nos balcãs é que se joga basket a sério, não a coisa bruta e exclusivamente física praticada na América. Fora isso, Trae Young foi abrilhantar as noites de Atlanta, DeAndre Ayton foi se juntar a Devin Booker para dar um pouco mais de calor aos Suns, os Antetokoumnpo duplicaram a presença na liga.

 

Powerhouses & Underdogs

 

A NBA tem as suas powerhouses, sejam jogadores ou equipas. Esta temporada alguns moveram de uma para outra, mudando totalmente a paisagem da Conferências.

 

Estamos a falar em primeiro lugar de LeBron James, que mudou para o Oeste pela primeira vez na sua carreira, e deixou um vazio no Este que alguns vão tentar preencher custe o que custar. Ao  ir  para os Los Angeles Lakers, o King  formou uma  nova corte, mistura de  jovens talentos e veteranos descartáveis com vista a ir buscar algum talento  premium na free agency de 2019. O plano parece claro: Lonzo Ball, Kyle Kuzma, Brandon Ingram são jogadores para desenvolver. Rondo, McGee, Stephenson e Beasley são jogadores de experiência que podem ajudar a jovem guarda a formar um carácter combativo, e ainda têm jogo suficiente nas pernas para servirem de moeda de troca para se ir buscar uma superestrela. O arranque difícil desta equipa – 3 derrotas consecutivas  –  prova aquilo que já todos sabíamos: estes Lakers vão precisar de ajustes até a máquina se apurar. Mas quando isto entrar nos eixos, vai voltar a ser uma equipa de LeBron: perigosa contra qualquer adversário!

 

Outra mexida que teve a sua importância foi a ida de Kawhi Leonard para os Toronto Raptors. Depois de ter deixado claro que queria ir para os Lakers, os Spurs mandaram-no para o extremo inverso em vez de reforçar um rival directo, o que me parece o mais sensato no interesse da equipa. Para Kawhi, foi um desvio temporário, mas enquanto está no Grande Norte, vai dar tudo para provar que merece um max contract de longa duração. De relembrar que será unrestricted free agent em 2019. E com 26.6 pontos, 8 ressaltos e 3 assistências, o seu contributo tem sido significativo para a invencibilidade da sua equipa, que já vai em 6 jogos sem conhecer um revés.

 

Os Houston Rockets, que recrutaram o Carmelo Anthony para reforçar o sector ofensivo, estão a lidar com um arranque fraco, com 1 vitória e 4 derrotas. A ausência de Chris Paul, suspendido aquando do segundo jogo contra os Lakers (já lá vamos) pesou no desempenho e organização da equipa. Mas não tiremos conclusões muito cedo, a procissão ainda vai no adro…

 

Quanto aos alvos a abater, os campeões em título… a adição de DeMarcus Cousins ainda não começou a dar frutos, visto que ele continua pacatamente a sua reabilitação. O que não quer dizer que os Warriors não estejam já em grande forma. 5 vitórias e uma derrota, e a mesma sensação de facilidade que os tem acompanhado ao longo dos últimos anos. Num dia é Curry que marca 51 pontos em 3 períodos, noutro é Durant que marca 25 no último período (41 no total) para virar um resultado que parecia comprometido… Torna-se enervante ver esta equipa a tocar a sua partição com tanta perfeição! Alguém venha abanar um pouco as certezas destes senhores, por favor!

 

Quanto a equipas de quem menos se espera de imediato, podemos salientar a invencibilidade dos Detroit Pistons (que jogam esta noite contra os Celtics), dos New Orleans Pelicans e dos Milwaukee Bucks. Os primeiros têm na sua dupla Andre Drummond – Blake Griffin uma das melhores duplas de interiores da liga, e o facto de Blake estar em plena forma é uma excelente notícia para Detroit. A prova da sua forma foi o seu jogo de 50 pontos que o propulsou para o topo dos marcadores da Liga.

Os Pelicans são carregados por um Anthony Davis em estado de graça (27.3 pontos, 13.3 ressaltos, 4.8 assistênciase 3.8 bloqueios) e um Mirotic mais desinvolto que nunca. Este one two punch rodeado dos jovens certos vai continuar a dar trabalho a muitas equipas…

Quanto aos Bucks, têm primado por um bom desempenho colectivo. Mesmo se Giannis Antetokounmpo parece pronto a dar mais um salto qualitativo esta temporada, é importante salientar que o esforço colectivo tem sido primordial, inclusive na vitória contra os Sixers, que estão entre os favoritos a levar a Conferência Este.

 

Depois temos os Cavs, Bulls, Knicks (YAY!…) de quem não se espera nada, e que confirmam todo o mal que pensamos do seu estado actual. Os Minnesota TimberBulls poderiam estar melhores, dado o talento bruto que tem. Se Butler conseguir motivar os seus colegas em vez de os insultar, talvez se consiga tirar algo mais dali do que o que saiu até agora. Ponto positivo: pela primeira vez desde 2011, Derrick Rose não passou o verão a tratar de uma lesão, a fazer reabilitação ou qualquer forma de convalescença, e pôde voltar a concentrar-se no seu jogo. E o seu início de temporada espelha isso. Pode vir a ser um 6th man de luxo, se se mantiver saudável e a equipa souber jogar as cartas certas.

 

The Staples Center Brawl

 

De entre os principais eventos dignos de destaque deste arranque de temporada, nada poderia ter mais destaque do que a luta que ocorreu no primeiro jogo dos Lakers no Staples Center. No último período, com o resultado bem disputado (108-109 para os Rockets), os ânimos aqueceram (depois de uma partida pontuada por vários momentos de tensão e provocação, nada ajudada por uma arbitragem permissiva demais, a meu ver). James Harden procura a falta no garrafão e obtém-na sacudindo Ingram da sua frente tal um boneco de trapo. O jovem base dos Lakers, excedido pelo que ele considera ter sido mais uma falta ofensiva não assinalada (vais ter que ganhar peso para estas lutas, amigo!), dá um safanão nas costas de Harden. Falta técnica para Ingram. E depois do que parece ter sido uma troca de palavras (e saliva?) acesa entre Rondo e Chris Paul, segue-se o triste episódio…

 

 

Este episódio, raro na NBA de hoje (e que não deixa de nos lembrar The Malice At The Palace de Novembro de 2004, ainda que em proporções infinitamente menores) veio apenas dar ainda mais razões para se especular sobre o que se passa no seio dos Lakers, certamente a equipa mais “observada” desta temporada. A presença de LeBron James, a cidade, a equipa, todos os ingredientes estão reunidos para que seja uma temporada rica em notícias extra-desportivas. Ingram, Rondo e Paul tiveram tempos diferentes de suspensão, mas não são esses 4, 3 e 2 jogos respectivamente que vão mudar a fisionomia das equipas de forma a impactar significativamente na temporada. Mas o sinal está dado, e é difícil ignorar a pressão que (apesar de tudo) existe sobre esta equipa. Acredito que as expectativas são moderadas, mas ainda assim alguns esperam o “Milagre LeBron”, e gostariam de acreditar que esta equipa, aparentemente melhor que os Cavs que LeBron levou à Final várias vezes (mas só mesmo aparentemente, hein?) pode ir à Final de Conferência Oeste e fazer jogo equilibrado contra os Warriors. Não há  troféus entregues antes do tempo. Não há garantias de nada. Todas as equipas começaram com o mesmo número de vitórias e derrotas. Mas que há elementos para fazer desta uma temporada épica… isso há! E  nóa cá estaremos para reportar, como todos os anos, este espectáculo repleto de suspense que é a temporada da NBA. Não saia daí, que isto vai durar até maio. Instale-se confortavelmente, beba algum café, porque as noites voltaram a ser curtas…

Ricardo Glenn Baptista

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