July 19, 2018

E está feito. Mais um NBA All Star Weekend que passou, o equivalente da quadra festiva para os amantes da Bola Laranja em todo o mundo. É difícil escrever sobre tal efeméride a quente. Primeiro, porque passámos a madrugada acordados, e segunda feira foi dia de Walking Dead no trabalho. Segundo porque sinceramente, foi tanta coisa que até é difícil resumir. A omnipresença de Joel Embiid (Rising Stars, Skills Challenge, All Star Game) como para compensar os dois anos que ficou no estaleiro à espera de poder jogar e mostrar que é mais do que um mero twitter fingers; o record de Devin Booker no concurso de triplos, que aniquilou a concorrência marcando 28 pontos (quase todas as moneyballs entraram!); o concurso de dunks (com o DJ Khaled no juri!!!) onde os jogadores rivalizaram mais em homenagens e máscaras do que em proeza atlética, apesar de um ou outro ter sido “aceitável”; o novo formato do ASG, que pela primeira vez não opôs East a West, mas equipas escolhidas pelos capitães, ao estilo pick up game; o hino nacional americano massacrado pela “cantora” e integrante do defunto colectivo Black Eyed Peas.

Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018: Mountain Dew Kickstart Rising Star Challenge – World vs USA

 

 

DUNK DUNK DUNK! A energia da juventude exprime-se desta forma na NBA. E muitos destes dunks aqueceram mais a noite de sexta-feira do que os de sábado. Mas fora isso, a constatação principal deste jogo foi que os caça-talentos da NBA estão de parabéns. Os jogadores de todos os cantos do planeta que participaram nesta partida (Camarões, Finlândia, Austrália…) são a prova de que a distância abismal que separava a liga americana do resto do mundo em 1992 está cada vez menor. E isso são boas notícias para todos os fãs de basket, estejam eles onde estiverem. A equipa World dominou a partida sem apelo nem agravo. E se do lado US Jaylen Brown, Jayson Tatum e Kyle Kuzma tentaram manter um semblante de resistência, podemos dizer que isto foi o equivalente desportivo de um Pearl Harbour… O MVP da partida, Bogdan Bogdanovic, com percentagem de 53.8% de trás da linha de triplos, foi o bombardeiro que largou o napalm sobre a armada americana. O resto é história: 155-124, um jogo divertido e ritmado, como se esperava.

 

Sábado 17 de fevereiro de 2018: Noite de Concursos

 

Taco Bell Skills Challenge

 

 

 

O Skills Challenge é a meu ver o elo mais fraco do fim-de-semana. A tentativa de novidade desde há alguns anos tem sido opor os Bigs aos Guards, com resultados surpreendentes, dada a natureza do desafio. Esperava-se que os guards tivessem mais facilidade com o mesmo, mas têm sido os bigs a ganhar consecutivamente. Este ano a coisa mudou de figura, com Spencer Dunwiddie a trazer o troféu para mais perto do chão, depois de bater Lauri Markkanen na final. Nada a assinalar por estes lados, passemos ao que interessa de verdade.

 

JBL Three Point Contest

 

Depois de um começo fraquinho, a final juntou Tobias Harris, Klay Thompson e Devin Booker. Depois de Harris ficar por 17 pontos, veio o momento alto do concurso: Booker encestou 20 bolas, das quais 8 moneyballs. Pontuação total: 28 pontos! O record “relativo” de pontos de sempre deste concurso. Klay Thompson, metade da dupla de sharpshooters de Golden State, não conseguiu ir atrás de Devin Booker, que se sagrou então campeão e recordista.

PS: Porquê que eu relativisei o record? Porque em absoluto, D Book encestou 19 bolas. Se o sistema do rack inteiro de moneyballs existisse no tempo de Larry Bird, Mark Price ou Craig Hodges, certamente teríamos um record diferente hoje (em 1991, Hodges encestou 21 bolas, para um total de 24 pontos, com apenas 5 moneyballs no concurso, como era na altura. Imaginem o que teria sido se tivesse tido 9!  Não deixa de ser uma performance impressionante, falhar apenas 5 de 25 lançamentos.

 

 

Verizon Slam Dunk 

 

É sempre complicado falar sobre um concurso de dunks. Quando não tem um Vince Carter para roubar o show ou uma rivalidade digna de Jordan vs. Do Wilkins, o pessoal tem tendência a dizer que foi “fraquinho”. Este ano, o concurso teve alguns dunks interessantes.

Donovan Mitchell começou por inovar, trazendo uma segunda tabela para o campo, e usando-a para fazer ricochete e afundar a bola no cesto principal. Larry Nance Jr., filho do primeiro vencedor do concurso (que estava presente no público) vestiu o velho uniforme do Pai, e lançou-se numa cópia perfeita do signature dunk do seu progenitor.

 

 

Depois disso, Victor Oladipo, que falhou as três primeiras tentativas de dunk, pareceu pouco inspirado, apesar de ter usado a máscara de Black Panther recebida das mãos do Chadwick “T’Chala” Boseman himself. Fracos resultados, assim como Dennis Smith, cujos esforços não foram memoráveis. Restou-nos o duelo Larry Nance Jr. vs Donovan Mitchell.

Mitchell saltou por cima do comediante Kevin Heart mais duas pessoas, Nance Jr. fez um windmill engraçado… depois vieram os dunks do veredicto final. Larry atirou a bola contra a tabela, agarrou-a no ar, voltou a lançá-la contra a tabela e depois afundou. Impressionante na execução, pouco visível sem a repetição em câmara lenta. O factor WOW ficou aquém do esperado. Mitchell fechou o show com a camisola do DEUS absoluto da categoria, Vince Carter. Reverse 360º windmill, tal como Vince Carter em 2000. Execução perfeita à segunda tentativa, e até o gesto de cortar a garganta com as duas mãos a repetir a frase “it’s over!” foi a imitar VC.  Suficiente para levar o troféu para casa. Apesar da dificuldade de alguns dunks aqui executados, a maioria pecou por déjà vu. 2019 será melhor. #TragamOAaronGordonDeVolta.

 

Domingo, 18 de fevereiro de 2018 – 67th NBA All-Star Game

The Pick Up Game. De volta à velha tradição de playground, de escolher os jogadores à vez. Ficámos a saber que LeBron escolheu primeiro por uma razão muito simples: tinha Kevin durant na sua equipa. Seria a primeira escolha de QUALQUER PESSOA, estando Curry e LeBron indisponíveis por serem capitães, claro está. Apesar da hecatombe de lesões que afectou a equipa de LeBron (Kevin Love, DeMarcus Cousins, Kristaps Porzingis, John Wall), as substituições estiveram à altura.

MAS CALMA!!!!!!!!!!!

O All-Star Game pode não ter o impacto gigantesco de um Super Bowl, mas não deixa de ser um dos eventos desportivos mais seguidos no mundo! Portanto, o espectáculo acontece antes, durante, no intervalo… E este ano, fomos mais do que abençoados em termos de espectáculo. Esqueçamos o show “engraçado” de Pharrell e os seus N.E.R.D. + Migos no intervalo do jogo;  esqueçamos a apresentação dos jogadores feita ao estilo único e hilariante do comediante Kevin Hart; esqueçamos as homenagens a jogadores, esqueçamos as equipas de cheerleaders e todas as saltimbancarias habituais neste tipo de eventos. Voltemos ao hino nacional americano. A eleita para o entoar este ano foi a cantora Fergie, ex-integrante da defunta banda de hype-pop, Black Eyed Peas. Até à presente data, ninguém percebe o que lhe terá passado pela cabeça para dar aquele tom à sua performance. Terá ela consumido alguma substância que lhe toldou momentâneamente o senso comum? Estaria ela doente e a dar o seu máximo em circunstâncias adversas? Mas antes de mais, vejamos o tão aclamado momento:

 

 

E as reacções da internet não tardaram.

 

 

 

Jimmy Kimmel, que estava presente e foi captado pelas câmaras de televisão, falou do assunto no seu programa de segunda-feira. Eis a sua opinião:

 

 

Pronto. Passado que está o momento cabaret, falemos do jogo.

Menção especial: JOEL EMBIID. Já tinha dito há algum tempo que acredito plenamente no potencial deste jogador. No Rising Stars teve um par de highlights interessantes, no Skills Challenge foi eliminado antes de chegar à final, mas o verdadeiro teste para ele era o Big Game. E independentemente do resultado, the kid delivered. Para além de ter sido dos mais energéticos, foi dos jogadores mais motivados a defender, e lançou o mote (particularmente contra o Russell Westbrook…). 19 pontos, 2 blocks, 8 ressaltos e 2 triplos, nada mau para uma estreia no All Star Game.

 

De uma maneira geral, o jogo foi combativo. O espectáculo esteve presente, LeBron e Durant a jogar na mesma equipa deram arrepios a Dan Gilbert (proprietário dos Cleveland Cavaliers) por razões óbvias. A equipa de Steph Curry, que todo o mundo enterrava viva antes mesmo do confronto, segurou bastante bem o resultado, dominando o marcador durante 80% do tempo. Mas como ganhar um jogo destes quando Curry e Harden combinam a estatística de 5 sobre 24 lançamentos da linha de 3 pontos??? Foram os jogadores com mais tempo de jogo na Team Stephen. Um era o capitão de equipa, o outro foi o habitual ball hog que nós conhecemos e amamos… Do outro lado, LeBron James viveu um sonho acordado. Apesar de ter corrido atrás do resultado quase todo o jogo, conheceu uma sensação até aqui inédita na sua carreira NBA: jogar na mesma equipa que o segundo melhor jogador da liga (sim, o primeiro é ele, quer se goste ou não). E sinceramente, não posso dizer que este jogo tenha decidido o que quer que seja no futuro do King, mas de certeza que a química entre os dois vai alimentar o moinho dos rumores até ao verão.

 

Sobretudo se tivermos em mente a última acção do jogo: 10,7 segundos para jogar, Team LBJ: 148 – Team Steph: 145. Reposição de bola para a equipa de Steph. DeMar DeRozan põe a bola para Embiid que a retem a um metro da linha de triplos, enquanto os colegas correm para se desmarcar. Com a possibilidade de dar a bola a Klay Thompson, Embiid espera por Curry, deixa-o com a bola na mão e avança para o topo do garrafão para tentar alargar a defesa. Se o Camaronês tivesse deixado Klay levar a bola e bloqueado Karl-Anthony Towns, podia ter saído algo bom dali…

 

 

Mas a bola vai para Curry, e equipa de branco sabe que só um triplo pode prolongar este jogo, portanto, deixam Embiid à vontade para ganhar posição no poste baixo, o que ele logicamente não faz. Curry encurrala-se no canto direito à procura de uma posição de tiro, mas tem LeBron a marcá-lo. DeRozan está encurralado no canto, Curry dirige-se para lá, Harden e Thompson ficam todos do mesmo lado, não há como alargar o jogo.

 

 

 

Oportunidades de passe desperdiçadas por Curry, e que custaram à sua equipa a possibilidade de empatar.

 

Mais gente naquele canto do campo do que na IC19 em hora de ponta… e o extremo oposto parece Portimão numa quarta-feira de Janeiro, em dia de ventania.

 

 

LeBron e Durant fazem um double team feroz sobre Curry, que perdeu a oportunidade de deixar a bola com Harden, e não tem espaço para armar lançamento, por mais louco que seja. Consegue deixar a bola com DeMar, que não tem melhor chance, pois o Long Arm Durantula abate-se sobre ele. DeMar DeRozan arma o lançamento já depois do buzzer, falha, e o Team LeBron vence o primeiro Pick Up All Star Game. Agora, depois de 3 dias de pausa, a NBA retoma os seus direitos nas nossas vidas já esta noite. Chega de sonhar com estrelas, está na hora de atacar a recta final, afinar as armas, pois o que aí vem é do melhor que há!

 

Ricardo Glenn Baptista

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