December 8, 2019

Caros leitores,

Depois de uma semana especial dedicada ao balanço de meia-temporada, eis chegado o momento de falar do All Star Weekend. Não, ainda não temos muito a dizer sobre o fim de semana em si, que começa na madrugada de sexta para sábado, e se prolonga até domingo, com a apoteose do grande Jogo de Todas as Estrelas. Como deixámos de lado a forma habitual do resumo da semana, vamos mais uma vez fugir à regra e estruturar esta edição de maneira diferente: analisar as equipas, treinadores e concorrentes dos diferentes concursos do All Star Weekend, ver o estado de forma de cada um, e tentar tirar alguns prognósticos… pois o Entre Linhas gosta de brincar à futurologia aplicada às artes desportivas (por vezes com um sucesso limitado, mas não deixamos de tentar)…

 

ALL STAR GAME 2016

 

Conferência Este

5 Inicial

LeBron James; Paul George; Carmelo Anthony; Kyle Lowry; Dwayne Wade

 

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Este cinco inicial que poucos treinadores ousariam prefigura um small ball onde Lowry jogaria em posição 1, Wade em 2, Carmelo em 3, Paul George e LeBron partilhando as posições interiores. O mais certo é jogarem os dois a 4, e fazer um deles de 5 quando o adversário assim o exigir. Ainda assim, é um 5 saído dos votos, e que não vai passar muito tempo em campo com esta configuração. Os cinco jogadores estão numa forma aceitável, as equipas é que conhecem trajectórias bastante diversas. Se os Cavs continuam a dominar a Conferência sem muita dificuldade apesar da saída do treinador, seguidos de perto pelos Raptors, que ano após ano confirmam a promessa e saltam um degrau. Os Knicks de Carmelo lutam desalmadamente por um lugar (por enquanto longínquo) nos Playoffs; os Pacers, depois do arranque de sonho, desceram para uma posição mais “realista” tendo em conta o plantel (Paul George, mesmo em grande forma, não pode fazer tudo). Já os Heat de Wade vão se aguentando numa posição mais ou menos estável à volta da quinta posição, e Wade vai tendo os rasgos de Flash que lhe permitem ainda ser o líder absoluto da Florida.

 

Suplentes

Jimmy Butler (escolhido mas ausente por lesão); DeMar DeRozan; Paul Millsap; Andre Drummond; Chris Bosh; John Wall; Isaiah Thomas; Pau Gasol.

Com Millsap, Drummond, Bosh e Gasol, o treinador quis certamente compensar a falta de tamanho do cinco inicial. Estes interiores com características muito diferentes são capazes, cada um à sua maneira, de incendiar o jogo. Depois, foram recompensados o base dos Boston Celtics pelas excelentes performances individuais e colectivas, assim como John Wall (titular o ano passado), cuja velocidade é sempre um regalo para os apreciadores do jogo.

Treinador: Tyronn Lue (Cavaliers). Uma escolha habitualmente fácil e sem grande discussão (o treinaor d equipa que tenha o melhor balanço da Conferência) tornou-se objecto de polémica quando David Blatt, Finalista NBA 2015 e líder da Conferência Este com os Cleveland Cavaliers, foi despedido. Ficou o seu assistente na cadeira, e quando foi escolhido como treinador do ASG,  tinha dirigido a equipa três vezes como head coach… A ver vamos!

Ausentes notáveis: Derrick Rose (ao eterno lesionado foi preferido o seu companheiro de equipa, Butler… que se lesionou, e será substituído por Gasol), Kyle Korver (cujas performances este ano têm sido bastante decepcionantes), Al Horford (não é melhor do que nenhum dos big men presente…), Hassan Whiteside (que já merecia dar uma voltinha entre os grandes, para ver como é).

 

Conferência Oeste

5 Inicial

Kobe Bryant; Kevin Durant; Kawhi Leonard; Steph Curry; Russell Westbrook.

 

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Mais uma vez, os votos do público neste formato Frontcourt/ Backcourt dão-nos uma equipa bastante irrealista. Steph Curry e Westbrook como bases?!? Já não é a melhor combinação possível, pois os dois gostam de ter a bola. Westbrook em 1, Curry em 2? Seria correr o risco de perder a visão de jogo do segundo, em favor da explosividade ofensiva do primeiro. Para um ASG não é assim tão grave. Mas Kobe, Kawhi e Kevin Durant em Frontcourt??? Ainda bem que as escolhas dos treinadores intervêm para formar equipas “de verdade”. Quanto à forma dos jogadores, pouco há a dizer. Kobe, após ter anunciado a sua reforma (em parte por causa das suas performances catastróficas) começou a jogar melhor nos últimos tempos, o que não se traduz necessariamente em vitórias para os Lakers mas dá alguma felicidade aos fãs. Durant continua a ser a máquina ofensiva que conhecemos, Kawhi Leonard o melhor all around player da liga, Steph Curry o pesadelo andante de qualquer equipa e Russell Westbrook o cyborg inoxidável, que cada dia que passa se transforma num jogador completo, verdadeiro distribuidor de jogo e guerreiro incansável (como atestam os seus 8 triplo-duplos esta temporada!!).

 

Suplentes

Draymond Green; James Harden; Chris Paul; Klay Thompson; Anthony Davis; DeMarcus Cousins; LaMarcus Aldridge.

Como no Este, o treinador escolheu jogadores para criar algum equilíbrio em relação ao cinco escolhido pelos fãs, e poder “montar” uma equipa que jogue à bola! DeMarcus Cousins tem sido impressionante de dominação (26.8 pontos, 11.3 resaltos, e a melhor marca pontual da temporada com 56 pontos contra os Charlotte Hornets, dois dias depois de ter posto 48 pontos aos Indiana Pacers); Anthony Davis é a única razão de se ir ver um jogo de New Orleans; LaMarcus Aldridge não se tem saído nada mal como substituto de Tim Duncan. Qualquer um destes postes está pronto para dar espectáculo, sobretudo os dois primeiros. do lado do Backcourt, Klay “Splash” Thompson, James “The Beard” Harden e Chris “CP3” Paul são dos melhores guards que a NBA tem, cada um no seu registo: shooting guard, base ultraofensivo e base distribuidor, nomeadmente. Com as associações certas, isto pode se transformar num run-n-gun bastante agradável para os olhos. Em caso de resultado apertado, teremos a chance de ter Draymond Green na mesma equipa que Kawhi Leonard. Estes dois senhores a defenderem juntos vão dificultar MUITO a vida de qualquer ataque que lhes apareça à frente. Com a agravante de serem TAMBÉM excelentes atacantes.

Treinador: Gregg Popovich (San Antonio Spurs). Mesmo princípio: o treinador da equipa com o melhor registo. Sendo os Golden State Warriors, e tendo o Kerr sido o coach do Oeste o ano passado, passa para o número 2, no caso, coach Pop’. Conhecido pela sua capacidade a fazer jogar juntos e bem os jogadores mais improváveis, não me custa muito acreditar que tire o melhor desta armada de estrelas.

Ausentes notáveis: Blake Griffin (não votado pelo público, não deu aos treinadores sequer a possibilidae de o escolher, tendo-se lesionado, entre outros problemas), Tim Duncan (o Mr Fundamentals prefere preservar as suas forças para combates mais “importantes”, mas ainda teria pernas para cá estar caso estivesse em forma. Pop decidiu poupá-lo), Damian Lillard (pode parecer incrível dado o seu nível de jogo, mas paga o excesso de excelentes bases no Oeste), Marc Gasolbis repetita), Dirk Nowitzki (idem).

 

Prognóstico: vejo o Oeste a ganhar com alguma facilidade, se levarem o jogo um bocadinho a sério no quarto período. Quero acreditar que o MVP não virá necessariamente de Golden State, portanto voto numa noite inspirada de Kevin Durant.

 

BBVA Compass Rising Stars Challenge

(que já foi conhecido com o Rookie Game, e asim se manterá na cabeça dos fãs)

 

US Team

Jordan Clarkson (Lakers); Rodney Hood (Jazz); Zach LaVine (Timberwolves); Nerlens Noel (Sixers); Jahlil Okafor (Sixers); Jabari Parker (Bucks); Elfrid Payton (Magic); D’Angelo Russell (Lakers); Marcus Smart (Celtics); Karl Anthony Towns (Timberwolves).

World Team

Bojan Bogdanovic (Nets); Clint Capela (Rockets); Mario Hezonja (Magic); Nikola Jokic (Nuggets); Trey Lyles (Jazz); Emmanuel Mudiay (Nuggets); Raul Neto (Jazz); Kristaps Porzingis (Knicks); Dwight Powell (Mavericks); Andrew Wiggins (Timberwolves).

 

Este jogo costumava ser o confronto entre os melhores rookies da NBA. Depois passou a ser ente rookies e sophomores (2º ano). Depois de muito inventarem, hoje é um desafio entre os melhores jovens (rookies e sophomores) jogadores americanos e jovens jogadores estrangeiros. E se nas duas equipas há talento que chegue para termos um jogo interessante, acredito que a World Team tena argumentos para contrariar a hegemonia americana. Andrew Wiggins jogará em casa, e terá toda a vontade do mundo de se mostrar ao seu público. Associado a Kristaps Porzingis, Capela e Hezonja (que tem mostrado pouco esta temporada, e tem aqui uma ocasião de ouro para brilhar), o mundo pode surpreender os Estados Unidos de Karl Anthony Towns e D’Angelo Russell, os destaques da outra equipa. Prognóstico: World Team, e MVP Wiggins ou Porzingis.

 

Foot Locker Three Point Contest

 

3pointcurry

 

Participantes:

Stephen Curry (campeão em título) – 4.9 triplos por jogo em 10.8 tentativas (45.4%)

James Harden – 2.8 triplos por jogo em 7.9 tentativas (35.5%)

Klay Thompson – 3.2 triplos por jogo em 7.7 tentativas (42.0%)

Khris Middleton– 1.9 triplos por jogo em 4.8 tentativas (40.5%)

Kyle Lowry – 2.8 triplos por jogo em 7.1 tentativas (39.2%)

JJ Redick – 2.7 triplos por jogo em 5.6 tentativas (47.6%)

Chris Bosh – 1.5 triplos por jogo em 4.2 tentativas (36.5%)

Devin Booker – 1.2 triplos por jogo em 2.9 tentativas (40.3%)

Como se pode ver, temos no concurso excelentes lançadores de triplos. Todos com percentagens acima dos 35%, chegando o JJ Redick a um total de 47,6%! Claro está, qualquer um pode ganhar esta competição, que é antes de tudo um exercício de concentração e gestão de pressão. Estes últimos anos, é impossível não pensar em Steph Curry quando  o assunto é lançar triplos. apesar de não ser o jogador com melhor percentagem, é o que tem mais tentativas por jogo (praticamente o dobro do Redick), e ainda assim consegue incríveis 45.4%!!! Não há ninguém no planeta que não tenha visto pelo menos uma vez a rotina de lançamentos deste senhor antes de um jogo e tenha ficado abismado com a aparente facilidade com que ele atira a bola lá para dentro. Parece alguém a atirar laranjas para uma piscina! O ano passado, apagou o seu Splash Brother e o Kyrie Irving com uma pontuação de 27, e 13 lançamentos consecutivos convertidos. LOUCURA TOTAL! Portanto, para mim, a questão não é se o Steph Curry vai ganhar, mas antes se vai conseguir melhorar o record do concurso, aproximar-se um bocadinho mais do PERFECT SCORE. De Curry, já espero tudo.

Verizon Slam Dunk Contest

 

Participantes:

Zach LaVine

 

 

 

Aaron Gordon

 

 

Will Barton

 

 

Andre Drummond

 

 

A NBA compilou os melhores dunks de cada um dos candidatos, e acho que na matéria, os vídeos acima disseram tudo o que havia a dizer sobre. Favoritos? LaVine continua a ser bastante impressionante, elegante, aéreo, criativo. Drummond é todo em potência, mas raramente se viu um big man a ganhar este concurso. Aaron Gordon tem argumentos interessantes, e a explosividade de Will Barton pode ser um argumento de peso. é a competição mais subjectiva, pelo que se torna difícil formar uma opinião sem ter visto o desempenho de cada um. Que ganhe o mais espectacular!

 

E é isto, amigos. O que nos espera este fim de semana, os eventos principais da grande festa do basket americano, antes de se atacar a recta final da temporada. Para a semana teremos um resumo do que terá sido o evento, e depois voltamos ao formato habitual das Breves da Bola Laranja, agora à sexta-feira. Bom fim-de-semana, e muita coragem para as namoradas que não gostam de basket, pois vão ter competição feroz neste São Valentim!

#Ball4Life

 

Ricardo Glenn Baptista

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