August 25, 2019

Não há nada como a euforia da 1ª jornada. Depois de meses aparentemente infindáveis de espera, depois de horas passadas a vasculhar todo o tipo de informação trivial na procura vã de um substituto para a adrenalina que só sentimos quando a primeira bola é pontapeada no ar, os jogos estão de volta.

Antes sequer de termos visto um segundo de jogo que seja, muitos de nós temos já uma estrutura complexa de opiniões sobre o que a liga foi, é e vai ser. Temos previsões sobre o sucesso e fracasso de todas as equipas. Mas, mais do que isso, ainda temos dúvidas. E depois as equipas entram em campo, jogam os seus jogos… e tudo muda.

O que antes eram questões, tornam-se respostas. Indecisões tornam-se certezas. Tornamo-nos todos Nostradamus de sofá, incapazes de ver qualquer ponta de exagero nas nossas ambiciosas proclamações sobre tudo o que vai acontecer durante a temporada.

Quando chega a 2ª jornada, já não temos dúvidas. Estamos carregados de certezas e expectativas que acreditamos estarem prestes a ser cumpridas. E depois… tudo se desmorona perante os nossos olhos.

Os San Francisco 49ers jogaram este domingo contra os Seattle Seahawks, numa batalha entre aquelas que são considerados as duas equipas mais fortes em toda a liga. Esperava-se um duelo épico entre uns 49ers acabados de vencer convincentemente os Green Bay Packers e uns Seahawks que começaram um pouco tremidos contra os Carolina Panthers mas tinham a vantagem casa. Não havia forma de não dar em jogo espetacular e renhido. O resultado? Uma tareia de 29-3 a favor da equipa de Seattle, com o quarterback de San Francisco, Colin Kaepernick, a ser reduzido a umas meras 127 passing yards.

Mas pronto, este jogo pode ter sido uma desilusão, mas certamente íamos ter tudo o que desejávamos do “Manning Bowl” (nome que se dá aos jogos em que os irmãos Peyton e Eli Manning se defrontam), certo? Bem, se o que tivéssemos desejado fosse uma lição sem misericórdia do irmão mais velho e uma vitória fácil de 41-23 dos seus Denver Broncos sobre os New York Giants, então sim.

Aaron Rodgers e os seus Packers humilharam o talentoso Robert Griffin III. O ataque fulgurante dos Philadelphia Eagles acabou por perder inesperadamente para os San Diego Chargers. Alguns resultados foram desnivelados, outros foram decididos no último segundo (como foi relatado pelo Tiago Pais). Alguns correram como esperado, outros desafiaram todas as expectativas.

Acontece o mesmo todos os anos. Achamos sempre que sabemos tudo o que se vai desenrolar e somos eventualmente atropelados pela deliciosa imprevisibilidade da NFL. Elevamos os nossos desejos aos céus e sucumbimos inevitavelmente debaixo do peso das nossas expectativas.

A lição a retirar aqui é que temos de parar de embandeirar em arco com tudo o que acontece no início do campeonato e deixar alguns jogos passar antes de começar a ver tendências onde elas não existem. Qualquer previsão feita nesta altura do campeonato está destinada ao fracasso. Bem… excepto uma. A de que vamos voltar a fazer exatamente o mesmo no próximo ano.

Pedro Quedas

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