December 10, 2018

 

Faltam poucas horas para o Benfica entrar em campo contra o Bayern de Munique e faltam poucos minutos para começarem  os primeiros jogos do dia de hoje, o Ajax vs AEK de Atenas e o Shaktar Donetsk vs Hoffenheim, ambos às 17:55, aquela hora que aparentemente dá jeito a toda a Europa e a todo o mundo, sobretudo o mais a oriente (Ásia, cof cof) mas que é terrível para nós portugueses, que temos patrões que insistem que quem sai antes das 20 é um ovo podre.

 

 

A grande questão que muita gente fará é “Afinal onde vou ver o Benfica?”. A única resposta completamente segura é “Na Avenida Eusébio da Silva Ferreira, 1500-313 Lisboa”. Quem não tem bilhetes para o jogo, o melhor é procurar um daqueles sport bars com canais estrangeiros que transmitem todos os jogos. Em alternativa podem subscrever a Eleven Sports e ver em streaming online, sem serem inácios, que a qualidade e a velocidade do serviço é muito boa (diz quem tem e já viu, não é o meu caso). Os 7 sortudos que por acaso são clientes da Nowo até podem ver na televisão portuguesa sem qualquer constrangimento. Foram tocados por Deus, vocês. Depois digam como é.

 

GRUPO E

 

O Estádio da Luz vai-se estrear esta época na recepção ao Bayern

 

Ao Benfica calhou em sorte no grupo o todo-o-poderoso Bayern de Munique, os gregos do AEK de Atenas e os holandeses do Ajax. Não sendo o grupo mais difícil, também está longe de se poder dizer que é fácil. Quatro anos depois o Benfica volta a não ser cabeça de série num sorteio da Liga Milionária, os bávaros estavam no pote 1. Ainda há dois anos os dois clubes encontraram-se nos quartos-de-final da competição. O Benfica perdeu por 1 –o na Alemanha e empatou em casa a dois golos. Curiosamente ambos os jogadores que marcaram pelo Benfica já saíram do clube, Raul Jimenez e Talisca (ambos por empréstimo).

 

 

Apesar do marcador do primeiro golo do Bayern dessa noite também já ter abandonado o clube (Vidal está no Barcelona) a verdade é que o diapasão do clube alemão é a constância. Quase tudo permanece inalterado desde esse tempo, excepção feita aos treinadores (agora é Kovac, na altura era Pep Guardiola e pelo meio já veio e já foi embora Ancelotti). Se em equipa que ganha não mexe o Bayern pouco precisa de mexer porque ganha. Muito. Muitas vezes. Sobretudo internamente. Tal como a Juventus, ambos mais que predominantes a nível interno, o sucesso das suas épocas mede-se por até onde chegam na Liga dos Campeões.

 

Outro dos motivos de atracão da noite é o regresso de Renato Sanches à casa onde em 2016 se sagrou campeão nacional. Diz-se que, mais que as exibições no Euro, foram aqueles dois jogos contra o Bayern que convenceram Pep Guardiola e os dirigentes bávaros a avançar para a sua contratação. Passado este tempo já não há ninguém que não ache que a decisão foi prematura, apesar de, diga-se em abono da verdade, o Renato nunca ter chegado a ser orientado pelo mister que o quis. Ele chegou Guardiola partiu para Manchester e Ancelloti nunca foi fã dos seus atributos. Agora parece ter nova oportunidade com Niko Kovac que até impediu que fosse emprestado novamente (e o Benfica estava muito interessado nisso). Vamos ver se um regresso às origens, nem que seja por um dia, é o bálsamo suficiente que esta águia da Musgueira precisa para relançar a sua carreira. Quem também terá pela primeira vez a oportunidade de brilhar nos grandes palcos internacionais é Gedson Fernandes, o novo Renato, como já é apelidado, é também novo menino bonito da cantera da Luz (partilha o título com João Félix, e que bem que lhes fica).

 

 

Percebem-se as comparações. Jogam exactamente da mesma forma, ambos são jovens, cheios de força e garra que chegaram e agarram de rompante a titularidade do meio-campo encarnado. Quem sabe logo à noite Gedson não se inspira no seu antecessor e enche o campo e as medidas a toda a gente que está no estádio, Uli Hoeness, Niko Kovac e Karl-Heinz Rummenigge incluídos 😉

 

Os lanceiros

 

O Benfica vai certamente disputar a passagem à fase seguinte e o segundo lugar com Ajax e AEK. O AJax foi segundo classificado da liga holandesa tem um plantel essencialmente muito jovem, mas com algumas caras bem conhecidas e alguns nomes que é preciso ter em conta. Comecemo por Labyad, lembram-se dele do Sporting? A grande promessa holandesa que nunca despontou em Portugal? Pois bem, chegou esta época ao Ajax depois de um grande ano no Utrecht. Depois temos o veterano Huntelaar, já com 35 anos, ainda assim sempre a ter em conta pelo faro de golo, o internacional sérvio Tadic, Daley Blind que saiu do United para voltar ao seu país e o internacional argentino Tagliafico. Uma equipa (demasiado) jovem pode pagar por isso mesmo, pela inexperiência própria dos seus jogadores neste torneio, mas ainda assim um histórico como o Ajax nunca é de subestimar.

 

AEK de Atenas

 

O AEK de Atenas conseguiu retirar o ceptro de campeão crónico ao Olympiacos, algo que parecia impensável no início da época passada, logo alerta Benfica que é um especialista em surpresas. A equipa orientada por Marinos Ouzounidis tem dois portugueses no plantel, o defesa esquerdo Hélder Lopes, ex-Tondela, Beira-Mar e Paços de Ferreira, e o médio André Simões, ex-Santa Clara e Moreirense. De cara conhecidas tem ainda Alef um médio brasileiro que esteve três anos no Braga mas só fez uma partida pelos guerreiros do Minho e Rodrigo Galo, um assíduo da nossa liga ao serviço de Gil Vicente, Braga, Académica e Paços de Ferreira. De resto são ilustres desconhecidos (pelo menos para mim, que também não percebo muito disto, confesso. Eu é mais bolos). O AEK é uma equipa a ter em atenção que procurará surpreender sobretudo em casa, no “conforto” do ambiente infernal do Olímpico de Atenas.

 

GRUPO F

 

The Boss, Pep Guardiola

 

Sabem o que falta ainda dizer sobre o plantel do City que já não vos tenha dito antes, ou que não tenham lido noutro lado qualquer? Absolutamente nada! Mesmo. Resume-me a bla bla bla campeão inglês, bla bla bla, Guardiola, bla bla bla Bernardo Silva (destacar sempre o elemento português para manter interesse do público português) é craque (cenas identitárias à parte ele é mesmo craque), bla bla bla Ederson, Otamendi e Danilo (reforçar com outros craques que já passaram por Portugal) bla bla bla Mangala (este não é, nunca foi, nem será craque mas também jogou cá, por isso deve ter fãs no FC Porto é melhor nem me alongar mais…). Enfim, escrever sobre o City é uma seca porque é sempre mais do mesmo, já ver o City jogar é um exercício de puro prazer, obrigatório para todos os que se dizem fãs de futebol. Apesar de todo o investimento ao longo dos últimos anos, que lhe valeu muito sucesso interno, a nível europeu os citizens continuam a desiludir. Será este ano que conseguem fazer como o Chelsea fez há uns anos e afirmar a sua hegemonia europeia?

 

Paulo Fonseca prometeu que se vestia de Zorro se ganhasse ao Manchester City e cumpriu

 

O clube do nosso Paulo Fonseca teve bastante perto de eliminar a Roma o ano passado nos oitavos de final da prova. Este ano o objectivo passa por superar esse marco histórico (o clube nunca tinha lá chegado). A estratégia de sucesso está delineada há muito, uma espécie de Picanha à Kiev, misturar os melhores talentos ucranianos com algumas pérolas do Brasil. Sairam Fred (Manchester United) e Facundo Ferreyra (para o Benfica, por falar nisso, alguém estranhou que na fantasy da Champions ele fosse o avançado mais caro do Benfica? Foi pelo que ele fez na edição passada da Champions, não pela meia dúzia de jogos falhados ao serviço das águias, onde produziu quase tanto como o Zé do golo. Por falar nisso esse anda onde? Porra, perco-me mesmo nestes parêntesis…), mas ainda há Taison, Juinor Moraes, Dentinho e… Ismaily, uma cara bem nossa conhecida do Estoril, de Olhanense e do Braga. O Zorro tem plantel suficiente para abordar a champions com alegria e confiança na passagem à próxima fase.

 

Memphis Depay, a maior referência do Lyon

 

O Lyon perdeu para o Atlético de Madrid o seu melhor jogador da época passada, Lemar, mas resgatou uma promessa francesa que andava perdida nas Highlands da Escócia, Dembélé. Não é esse que estão a pensar,  esse é Ousmane e está no Barça, é o outro. Não a sério, também não é esse, esse também é Moussa, mas joga no Tottenham, é o outro, porra! Desisto, vão procurar. A equipa do Lyon é também muito jovem e está pouco habituada a estas andanças, algo que regra geral se paga caro. Vamos ver o que o destino reserva a les gones.

 

Hoffenheim

 

Por fim o Hoffenheim que está a ter um começo bastante difícil na Bundesliga (11º lugar) e esta paragem para competições europeias deve fazer tudo menos ajudar. Foram a  grande surpresa do campeonato alemão a época passada ao conseguir um brilhante terceiro lugar. Perderam o seu goleador mor, Sandro Wagner mas chegou (por empréstimo) a jovem promessa do Arsenal Reiss Nelson para ajudar Kramaric. Ah, está lá o famoso Belfodil. Se alguém conhecer o Bruno de Carvalho digam-lhe que tinha razão.

 

GRUPO G

 

Los Blancos

 

A época do Real Madrid define-se em duas frases “Perderam Zidane e chegou Lopetegui. O seu número 7 era Cristiano Ronaldo e agora é Mariano Diaz.” É preciso dizer mais? Sim é, é preciso dizer que raio é Mariano Diaz e o que fez para ficar com o 7 de Ronaldo e Raúl. Nada. É um jovem da República Dominicana que o ano passado marcou 21 golos ao serviço do Lyon. Bom? Claro. Suficientemente bom para suceder a Ronaldo a envergar o sete? CLARO QUE NÃO! Esta é a época mais atípica de sempre do real Madrid, nunca a equipa da capital espanhola tinha assistido a tanto desinvestimento. Se fosse na NBA falar-se-ia em tanking. Como no futebol isso não acontece, Graças a Deus, chamemos-lhe apenas um ano zero que servirá para fazer evoluir jovens como Mariano, Isco e Asensio e pouco mais. As diferenças para o rival da Catalunha, que já eram notórias, ficaram ainda maiores, e mesmo o Atlético parece ter agora o segundo melhor plantel do país. Para o ano Florentino Pérez deve cometer uma loucura que relance os blancos na luta de qualquer coisa (Neymar? Mbappé?), mas este ano estamos assim, para inglês ver.

 

Os giallorossi

 

Com a saída de Sarri do Napoles para o Chelsea a Roma passou a ser, automaticamente, o segundo clube mais interessante de seguir em Itália. Ali a par com o remodelado Inter. O ano passado protagonizaram um remontada épica frente ao Barcelona, nos quartos de final, e estiveram perto de conseguir de novo a gracinha nas meias-finais frente ao Liverpool. Será difícil repetir o trajecto do ano anterior, mas que há raça no cuore deste romanos, isso é inegável.

 

CSKA de Moscovo

 

O CSKA de Moscovo é outro habituê destas andanças. Este ano não foi campeão porque o Eder não deixou (quem o tem ganha sempre, ouviste Fernando Santos?). Igor Akinfeev conseguiu a época passada um feito inédito, não sofrer golos num jogo da Champions (ou será que o mérito do Benfica do Professor Rui Vitória?), enfim, seja como for vai tentar repetir a façanha. Já Dzagoev, Alel Hernadez e Nikola Vlasic vão tentar alimentar o sonho russo na passagem aos oitavos.

 

Viktoria Plzen

 

A grande vitória dos checos do Viktoria Plzen é estarem presentes nesta fase da competição, depois tudo o que vier daqui é lucro. E que lucro. Tentarão supreender Roma e CSKA e jogarão com a motivação das suas vidas contra o Real. Pelo menos um embaraço ou outro devem ser capazes de criar, mas poucos mais.

 

GRUPO H

 

Ronaldo agora é bianconeri

 

Este é o ano da Juventus. Não é por ser adepto do clube de Turim, é mesmo porque este tem de ser o ano da Juventus. A Vecchia Signora tem o plantel mais equilibrado da Europa com dois bons jogadores por cada posição. É um desfile de talento. Os jogos mais equillibrados de Itália esta ano são os treinos entre a equipa titular da Juve e os suplentes. Não acreditam? Prove me wrong.

 

O guarda-redes que não se vê é o Wojciech Szczesny. Ah, e podem tirar dali o Marchisio e pôr o Moise Kean. Estamos conversados

 

Como se não bastasse tudo isto ainda comprou o senhor Liga dos Campeões, nada mais, nada menos que Cristiano Ronaldo. Um jogador desta qualidade faz sempre a diferença, sobretudo na sua competição favorita, e põe o clube num patamar que o protege de certas tomadas de decisões, como a daquele penalty em Madrid a época passada. Sim, the north remembers. É difícil dizer que há um gande favorito a ganhar a Champions, mas se tivesse de apostar o meu dinheiro ficava no clube dos Agnelli. Uma coisa é certa, dê por onde der a Juve estará a lutar jogo a jogo por isso. #finoallafine

 

O Manchester United é uma sobra do que foi nos tempos de Sir. Alex Ferguson

 

A vida não corre de feição a José Mourinho. Depois de um defeso que ficou muito aquém das expectativas (só chegaram Fred e Dalot) em 5 jogos na Premier League já soma 2 derrotas, tem 8 golos marcados e 8 sofridos e está em oitavo lugar. Ainda por cima teve o azar de calhar num dos grupos mais difíceis da Champions. Se a Juventus é a favorita ao primeiro lugar entre United e Valência, apesar da ligeira vantagem para os mancunianos, não estão assim tão distantes na qualidade, hoje em dia. O Manchester tem ainda a pressão adicional de saber que se não se conseguir qualificar para a próxima fase da competição a cabeça do seu treinador ficará a prémio. Os dados estão lançados…

 

 

Gonçalo Guedes fez as malas de Paris para Valência

 

O Valencia do nosso Gonçalo Guedes tem um plantel para fazer coisas bem engraçadas na Champions. Basta analisar a linha ofensiva, para além do Gonçalinho temos Cheryshev, o homem golo da Rússia no Mundial, Michy Batshuayi, vindo do Chelsea e da Seleçao belga, Rodrigo Moreno da Roja e Kevin Gameiro. Atrás deles Coquelin(ex-Arsenal), Kondogbia (ex-Inter) Dani Parejo e Soler dão muita consistência. E a defesa tem Garay (lembram-se dele?) Gabriel Paulista (Ex-Arsenal), Piccini (ex-sporting) e Rúben Vezo (ex-Vitória de Setúbal). É o sector mais fraco, mas não compromete (muito).

 

Os novos campeões suiços

 

O campeão suíço (sucedeu ao Basileia de má memória para os encarnados) dificilmente poderia ter tido mais azar no seu regresso à Liga Milionária. Todos os seus adversários estão em patamares bastante acima de si, e nenhum deles se pode dar ao luxo de vacilar contra os helvéticos num grupo onde, previsivelmente, a passagem se vai decidir ponto a ponto até ao fim. O número 7 dos suíços é um velho nosso conhecido, Suleijmani. (re)Ve-lo vai ser o ponto alto dos resumos dos jogos dos Young Boys. Isso e as repetições dos vários golos dos adversários, claro.

 

Todos os jogadores de UEFA Champions Fantasy League estão convidados para se juntarem à liga Entre Linhas e mostrarem o que valem. O código de acesso é 344723EJ

 

Pedro Filipe

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