December 7, 2019

Portugal volta este ano a repetir a história de 2007/2008 colocando os 3 grandes na fase de grupos da maior competição anual de Futebol.

Para lá das discussões sobre o quão fantástico é para um pequeno país como o nosso, com um minúsculo mercado, e tantos problemas de organização que demonstra, conseguir tal feito, o que importa mesmo é usufruir deste momento e mostrar à Europa, que mesmo sem o poderio económico de outros, podemos competir de igual para igual.

 

Este ano temos a enorme vantagem de ter tido 2 equipas Portuguesas como cabeças de série, o que permite desde logo retirar uns quantos tubarões do caminho na fase inicial da competição (a eliminar é sempre mais fácil ser o underdog), e até o Sporting se pode dizer que teve sorte no sorteio e ficou num grupo do menos mau que podia ser.

 

É no entanto um ano de mudanças, o Benfica já não tem uma dupla de centrais de classe mundial como teve nos últimos anos, e isso não fará grande diferença com o Setúbal ou o Arouca, mas pode ser a diferença entre ganhar ou perder com o Zenit. Também perdeu Rodrigo e não tem ninguém que ofereça o mesmo à equipa sendo que ainda não se sabe o que Jonas vai dar. No fundo, Jorge Jesus até pode conseguir construir uma equipa colectivamente ao mesmo nível da de anos anteriores, mas terá certamente um trabalho muito mais difícil, e se nos anos anteriores o altíssimo nível não foi suficiente para passar a fazer de grupos, é expectável que seja muito difícil com um nível de jogo mais baixo.

 

O Porto fez uma super aposta este ano, mudou a equipa de cima a baixo depois de uma das épocas menos bem sucedidas desde 2004 (!!!), e parece agora ter um plantel de respeito num grupo com Shaktar, BATE Borisov e Bilbao; a equipa parece já ter assimilado o modelo de Lopetegui, e não sendo brilhante, tem tido qualidade individual mais que suficiente para contornar algumas dificuldades a nível colectivo. É verdade que perdeu Mangala e Fernando, mas o primeiro nunca se conseguiu assumir como um patrão da defesa portista (e não foi por falta de potencial), o segundo, embora teoricamente seja melhor do que aqueles que o Porto contratou para o seu lugar (Casemiro, Campaña), teria sempre muito menos preponderância durante esta época dado o modelo de jogo que Lopetegui aplicou. O Porto deste ano é contudo mais fiável a defender e mais imprevisível a atacar.

 

A grande incógnita é obviamente o Sporting, primeiro porque tem uma equipa menos habituada a estas andanças, depois porque o onze inicial não foi substancialmente melhorado e inclusive está mais fraco a nível defensivo com a saída de Rojo. Não quer dizer que a equipa esteja globalmente mais fraca, mas a falta de solidez defensiva na Champions trará o potencial de tantos dissabores como aqueles a que o Benfica também está sujeito. A entrada de um novo treinador trouxe também uma mudança na forma de encarar o jogo, o Sporting já não é a equipa pragmática do ano passado, expõe-se mais a atacar, tem mais posse de bola e no geral é mais “mandão”, o que é uma boa filosofia para aplicar no consumo interno, mas que tem que ser alterada na Champions para controlar equipas como Chelsea e Schalke. No fundo, este Sporting tem mais potencial do que o do ano passado, mas potencial é apenas a promessa de algo vir a ser bom, e não um dado adquirido de que já o é.

Anexo 4 (3)

 

Acredito plenamente que este ano vão continuar a ser somados pontos pelas equipas portuguesas, Benfica e Porto têm uma grande oportunidade de garantir os primeiros lugares dos respectivos grupos, e o Sporting acredito que seja capaz de lutar pelo segundo lugar do grupo o que por si só, já garante o desvio para a Liga Europa.

Pedro Nogueira

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