December 13, 2019

 

Aqui há uns tempos provei que indo de férias a coisa corria mal ao meu Benfica. Eis que estou de férias outra vez e… esqueçam lá tudo o que disse da outra vez.

 

Desta vez a coisa correu bem ao meu Benfica que não se deixou amedrontar com o “estamos à frente e na Champions” que invadiu as redes sociais. Tratou de fazer os Andrades acordar e cair para segundo em apenas 2 dias. A saída da Champions veio, infelizmente, logo a seguir.

 

Mas, pasmem-se. Não estou aqui para falar do Benfica. True story. Hoje estou aqui para falar do Mónaco, o meu destino de férias e o mais recente carrasco da equipa de Pep Guardiola. Nada contra ti Pep, muito pelo contrário, mas muito mais a favor do Leonardo Jardim e desta equipa do Mónaco que anda a maravilhar toda a Europa do futebol. Estou-me a conter para não começar a berrar já BERNARDOOOOO!

 

Cheguei ao Mónaco e uma das primeiras coisas que quis ver onde se situava, foi o Estádio Louis II. Sorte das sortes, era mesmo ao lado da casa onde dormi. Ali mesmo na fronteira com a França. Literalmente, atravessando a rua.

 

O Mónaco é um sítio giro. Um sítio onde se respira tanto dinheiro, luxo e carros que andam muito, que pensei “esta gente não deve ligar a futebol. Nem com o Mónaco no 1º lugar da liga francesa e a fazer sonhar na Champions”. Sim que aquele 5-3 foi uma derrota com sabor a “a gente fala lá em casa”.

 

Mas isso não foi bem assim. Fui passear de manhã até França e cheguei a casa por volta das 14h. Saí para almoçar e vi os primeiros adeptos totalmente equipados na rua. Curiosamente, vi alguns Bernardoooooooosssss! 

 

 

Decidi andar a pé depois de almoço e ir até à rua Grimaldi. Um caminho de 1 ou 2 kms (quase que atravessava o Mónaco 😉 ) que deu para perceber que afinal, fruto ou não do atual brilharete da equipa de Leonardo Jardim, João Moutinho e do Bernardooooooo (desculpem, entusiasmei-me), respira-se bola nestas luxuosas ruas. Não tinha mesmo esta ideia. Sei bem que é um jogo de Champions, este não foi o meu primeiro jogo no estrangeiro, mas sempre achei que o futebol era desporto de povo. Dei-me conta hoje que “os ricos” também gostam de sofrer e de vibrar com 11 marmanjos atrás de uma bola. Um pouco mais a sério, acho que um português tem a culpa disto tudo, pois conseguiu reconquistar os adeptos monegascos, mas já lá vamos.

 

 

19h30 e lá entrei no Louis II, um estádio lindíssimo com as suas inconfundíveis arcadas mas a precisar de umas obras, 1h mais cedo. A ansiedade era tanta que até acho que vi mal as horas.

 

 

Curiosamente, já havia bastante gente sentada. Entra em campo Caballero e eu descubro que rico também sabe assobiar. E alto. Quando entra a equipa do Mónaco e eu vejo o Bernardoooo, fui eu quem mostrou aos monegascos como se aplaude!

 

Confesso que me sentei com uma leve esperança de remontada do Mónaco. O jogo em Inglaterra tinha sido um jogo do outro mundo. Se por um lado mostrou que a equipa de Guardiola não tinha medo de Falcões e de equipas-sensação, por outro mostrou que a tal equipa-sensação não era só fogo de vista. E perguntam vocês: mas se o Falcão que marcou 2 dos 3 golos do Mónaco em Inglaterra não ia jogar, onde fui buscar a minha ideia de remontada? Sinceramente, e sem puxar a brasa à minha sardinha? Em grande parte ao sangue tuga que ali anda. Jardim é para mim um dos melhores treinadores portugueses da atualidade. Não é uma equipa qualquer que marca 6 ao City. Jardim está à frente de um clube que há muito anseia por ser campeão (já lá vão uns anos) ou por um título de primeiro nível. Aquilo que senti nas ruas hoje e dentro do Louis II foi aquela coisa que tanta vez senti no jejum do meu glorioso: esperança. Curiosamente, esperança vermelha e branca, também 😉

 

Já se sabe que o Mónaco teve um orçamento estupidamente alto. Também é verdade que o “recolher às boxes” (esta piada faz muito sentido no Mónaco) do PSG depois da saída da sua peça fundamental também ajuda. Mas alguém consegue negar a influência de Leonardo Jardim na equipa (e do João Moutinho? E do Bernardoooooo??????!!!!!). Hoje, o Mónaco joga bonito e ganha! Há quanto tempo não se via isso? Há quanto tempo não se via um Mónaco tão ofensivo? Jardim pegou numa equipa muito jovem e está a ajudá-la a crescer. É agora que grito “Bernardooooooo!

 

O que se viu hoje é muito fruto do trabalho de Jardim e da sua jovem e talentosa equipa. Não teve medo algum e mostrou que estava ali para virar o jogo sem medo nenhum dos ingleses e do seu treinador (que ganhou a competição 2 vezes enquanto esteve no Barcelona e que se viu agora expulso por um treinador de fama duvidosa entre as mulheres dos presidentes – pah, a piada tinha de sair né!?!).

 

Aquela primeira parte fez-me vibrar como se estivesse a ver o meu Benfica (quase vá, não levem à letra). Que Bernardo de luxo na primeira parte… de luxo! Foi nesta altura que me irritei e comecei a pensar no “cérebro”… adiante!!!

 

Na segunda parte sofri como tanta vez sofri com o meu Benfica. Jardim parecia não querer mexer na equipa, embora já visse Moutinho a aquecer (e a fazer-me sonhar com mais um daqueles golos que ele saca tão bem da cartola e com a tranquilidade e inteligência que o moço leva para o relvado). Mas Jardim não mexia em nada, e o City melhorava. O moço que ao longe parece o Witsel (Leroy Sane) lá marcou o 2-1. Um silêncio de desilusão invade o Louis II, mas dura tão pouco como a distância do mesmo até França. A fazer lembrar o público do Estádio da Luz que tanta vez levanta a equipa e a leva ao colo, ou mesmo os adeptos azuis e brancos que esta semana calaram Turim, o público Monegasco puxado pelos Ultras Mónaco decide tentar levantar a equipa. Foram precisos 6 minutos de #colinho para o Mónaco marcar o 3-1, através de Bakayoko (mais um jovem). Eu já só cantava na minha mente: “1924, 1924… lalalalalalala” [1924, ano de fundação do Mónaco com direito a faixa no estádio e tudo. É o que eu digo… vibrei como se fosse o meu clube tal era a paixão que via naquelas bancadas].

 

 

Momento seguinte de entusiasmo, a entrada do João Moutinho, para mim um dos jogadores mais inteligentes que temos na nossa tugalândia. Uma inteligência e experiência que são tudo o que qualquer clube sonha ter. O jogador com que os meus amigos azuis e brancos mais sonham. “Um jogador à Porto” dizem eles, coisa que me irrita profundamente. A irritação passou quando me lembrei que vem aí Seleção.

 

Quando o apito final soou, pinchei, celebrei e só não cantei porque não tive tempo de decorar os cânticos dos Ultras Mónaco. A equipa festejou com o seu público e andou a distribuir bolas pelas bancadas. A festa foi uma celebração de esperança e um sinal muito evidente de que o público voltou a estar com a equipa.

 

Este não foi o meu primeiro baile, como se costuma dizer. Já vi vários jogos fora, mas este teve um gosto especial. Não só porque foi uma ‘remontada’, mas porque foi uma reviravolta de um clube treinado por um português, com sangue jovem e sangue experiente português, numa terra onde, achava eu, pouco ou nada se ligava à bola. É como se sabe: em todo o lado há um português, e onde ele está nada fica igual.

 

Parabéns Jardim. Parabéns Moutinho. Parabéns… Bernardooooooooo! Que grande jogo eu tive a felicidade de ver hoje. Que grande ambiente eu tive a oportunidade de sentir hoje.

 

Só espero que em Maio estejam a festejar o fim do jejum de 17 anos. Eu também espero estar a festejar o meu tetra, mas garanto que terei um espaço de pensamento para vocês pelo que me deram hoje. Como diz a vossa revista: #JustBelieve

 

Susana Silva

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