August 17, 2018

 

Antes de mais, quero fazer um esclarecimento: não trabalho na área da comunicação, nem nunca tive qualquer tipo de formação na mesma. Por essas razões, vou abordar a temática na óptica do utilizador/consumidor.

 

A área comunicacional é mais uma em que o desporto português, em particular o futebol, trabalha mal e nada faz para aproximar as pessoas do jogo. Os clubes (e a Liga) fecham jogadores e treinadores (e árbitros) a 7 chaves, disponibilizando-os apenas pelo tempo mínimo necessário, seja nas flashinterviews, seja em eventos de patrocinadores ou dos próprios clubes. E quando os jogadores e treinadores falam, dizem apenas o que os patrões lhes permitem dizer, salvo raras excepções.

 

No meio desta má gestão, vem emergindo o trabalho da Federação Portuguesa de Futebol, principalmente através do seu site, como foi visível recentemente com a conversa entre Rui Vitória e Pedro Martins.

 

As redes sociais são, pelo que vejo, um local ainda pouco explorado pelos clubes portugueses, um local onde poderiam dar maior atenção aos sócios e adeptos, mas raramente o fazem. Neste campo destaco o trabalho feito em Tondela e no Belenenses (aqui algumas vezes falhando no conteúdo, mas potenciando a interacção). É possível que outros clubes trabalhem bem, uma vez que me é impossível seguir o que todos fazem.

 

 

Voltando um pouco atrás, gostava de saber se, tendo mais acesso aos actores do jogo, os canais de televisão optariam por programas desportivos de outro género, mais focados no que se passa dentro de campo e não tanto em simular uma taberna de aldeia (sem ofensa para estas dignas instituições!). Veja-se o que se passa nas ligas de topo, em que são as próprias a realizar os seus programas de promoção e acompanhamento da competição. Não sei se um programa desse tipo tivesse audiências por cá, mas tentar já seria bom. Já para não falar de outros desportos, nos quais as respectivas organizações promovem o espectáculo dessa forma, aproximando o atleta do seu público. Só para dar um rápido exemplo, no Grande Prémio de Espanha de Fórmula 1, a transmissão televisiva captou o pranto de um pequeno fã de Kimi Raikkonen, após o abandono do finlandês. Logo a (nova) promotora da categoria foi buscar a criança à bancada e levou-a até às boxes para conhecer o seu ídolo. Assim se ganham adeptos, embora aqui convenha referir que com a anterior administração de Bernie Ecclestone isto seria impossível.

 

Por aqui, se a nível de redes sociais há muito caminho a ser percorrido, creio que alguns clubes já começam a abrir um pouco os olhos, como foi exemplo recente a nobre iniciativa do SL Benfica, ao permitir o acesso de inúmeros jovens ao seu centro de estágio, inclusive vestidos com camisolas dos seus adversários. Esperemos que o caminho a seguir seja este, com maior abertura e maior interacção com quem suporta o espectáculo.

 

 

Nuno Fernandes

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