December 10, 2018

 

Habitualmente pessimista por natureza no que ao futebol diz respeito, devo confessar que nem nos meus piores pesadelos imaginei ver o Sporting, em pleno janeiro, arredado de todas as competições e a oito pontos do primeiro lugar. Talvez o problema seja meu, com expectativas demasiado elevadas face a um campeonato levado até à última na época passada.

 

Penso ser unânime que a política de contratações foi um fiasco completo esta época. O próprio presidente já o confirmou. É certo que os lugares deixados por João Mário e Slimani seriam, logo no plano teórico, muito difíceis de preencher com a mesma eficácia. Gelson não consegue fazer o mesmo jogo interior que João Mário. Bas Dost, pese embora a eficácia demonstrada, não trabalha tanto para a equipa como o argelino. Estes fatores, aliados à emergência do gémeo mau de Bryan Ruiz esta época, trouxeram consequências principalmente para o meio-campo leonino, onde as chamadas “segundas bolas” raramente se conseguem apanhar. Mas isto sou eu armado em treinador de bancada/treinador de FM.

 

As responsabilidades do momento atual do Sporting devem ser repartidas por todos os envolvidos no futebol leonino, desde o presidente até aos jogadores. É essa capacidade de autocrítica que todos devem fazer, sabendo de antemão que os egos que por ali habitam podem dificultar – e de que maneira – essa tarefa.

 

Ninguém estará mais desiludido e triste do que Bruno de Carvalho. É notório que o presidente apostava muito para esta época, tentando aliar uma melhoria clara nas contas com o sucesso desportivo. Mas em última análise, foi ele que deu o poder das contratações a Jesus (partindo do princípio que foi o treinador), e como responsável máximo do clube, assumiu a sua quota-parte.

 

Sabemos bem como é Jorge Jesus. Já era assim no Benfica. Mas por vezes o discurso não abona a seu favor. Dizer que ele é que faz a diferença no banco pode ter caído mal no balneário. Tenho essa atravessada desde então. E no caso dos jogadores contratados… bom, acho que não é preciso dizer mais nada. Ainda assim, Jesus é o melhor treinador que podemos ter.

 

Por fim, os jogadores. Para além da falta de qualidade, existe também uma enorme falta de vontade. Esta equipa pode e deve render mais. Ficaram presos no jogo de Madrid? Devem esquecer o resultado e perceber que jogaram de forma (quase) perfeita em pleno Santiago Bernabéu. Sabemos que o amor à camisola é algo que não existe há muito, mas, ainda assim, talvez seja necessário fazer ver aos jogadores o peso do símbolo que carregam ao peito.

 

Defendo a continuidade de Bruno de Carvalho e de Jorge Jesus para os próximos anos. O Sporting precisa de estabilidade e nunca o conseguirá se estiver em constante mudança. Não quero ser mal interpretado, ter oposição é saudável e o debate de ideias só enriquece as instituições, mas há ciclos e ciclos, e sou da opinião que tanto o do Presidente como o do treinador estão longe de estar terminados.

 

As eleições estão aí à porta (falarei sobre elas mais à frente), mas deixo apenas um conselho aos sportinguistas: não se precipitem nas análises. Na maior parte das vezes somos os nossos maiores inimigos e é bom não esquecer como estávamos em 2013. Nos momentos bons, tudo são rosas, mas é nos momentos maus que mais precisamos de união, que mais precisamos de todos.

 

Pedro Gabriel

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