August 25, 2019

“Preparem as espingardas, resguardem-se nas trincheiras, em tempo de guerra, não se limpam armas!”,  exclamam os adeptos um pouco por essa Europa fora.

Existe por aí um exército, que não o da Segunda Guerra Mundial, por onde passa, voltou recentemente a infligir goleadas humilhantes aos seus adversários. Ei-lo, Bayern de Munique!

 

 

Acabando por recuperar a sua fama de rolo compressor e máquina trituradora, nos últimos 4 jogos (aqui não incluo o jogo da Taça da Alemanha), a equipa de Pep Guardiola marcou 18 golos, tendo sofrido apenas 1. Assentando o seu jogo em três esquemas táticos diferentes (4-4-2, 3-5-2 e 4-3-3), a característica comum do seu jogo é a nova verticalidade dada no seu meio – campo, em estilo jazz.

Ora, quem disse tal coisa, – “o Bayern de Munique funciona mais como o jazz (…) O Bayern é mais paciente, mais preciso e elaborado” -, foi o seu novo estratega e cérebro proveniente do Real Madrid, Xabi Alonso, novo número 3 da equipa da Baviera.

 

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Não vou entrar em pormenores, se Xabi Alonso gostou do Oktoberfest, da cerveja Alemã, se já teve tempo para visitar muito mais que o Allianz Arena, o que salta à vista é a capacidade de construção deste Bayern, assente neste Senhor.

 

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Guardiola, o mestre do “tiki-taka” espanhol, cuja ideia de jogo tem na sua génese, a posse de bola, sua circulação com variações de flanco repentinas, para a entrada, vindo de trás, de jogadores explosivos, esta época disse-o claramente, em meados de Agosto, “ (…) que se lixe o tiki-taka”.

Qualquer jogada, qualquer saída de bola, quer transportada pelos centrais ou 3 defesas, quer por um dos laterais, em esquema de 4 defesas, é sempre com a intenção de chegar aos pés de veludo de Xabi Alonso. A partir daí, este ou entrega a um lateral que sobe entretanto, ou permite que o seu colega de sector, Philip Lahm, dê velocidade ao jogo e faça uma de duas opções: ou entregue numa das faixas (já lá vamos!) ou remate fora de área, quando tem espaço aberto pelos 3 da frente que se movimentam como autênticos soldados.

 

Estes soldados são do melhor que esta Europa já viu na última década. Quem tem Robben, Göetze, Shaquiri, Müller, Ribéry e Lewandowski só pode ter sucesso e golos. Muitos golos.

Na entrega da bola de Xabi Alonso aos soldados da frente, passando por Lahm, ou entregando-a directamente a Robben ou Göetze, destaco a qualidade de Robben de furar com a sua fantástica velocidade, capacidade técnica e resistência física – quem diria aos 30 anos atinge o seu fulgor físico -, as defesas adversárias. Ele vira para um lado, acelera e em progressão consegue galgar metros aos defesas adversários com uma simplicidade de deixar um amante do futebol maravilhado. É imprevisível, pois, quer em espaços curtos, quer em espaços mais longos, imprime a sua veia artística e é um ai Jesus para o apanhar! Após essa tarefa bem-sucedida, aplica remates, por regra, indefensáveis. Está um verdadeiro avançado, completo, bastante diferente do extremo muito bom tecnicamente, mas muito frágil e sujeito a lesões.

 

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Se Robben é um quebra-cabeças, o que dizer da capacidade de decisão de Ribéry (finalmente recuperou da lesão nas costas), da magia de Göetze (parece bailar com tabelinhas nos últimos 30 metros), da tenacidade de Müller (não dá uma bola por perdida e tem a baliza nos olhos, nos pés, na cabeça) e da eficácia avassaladora de Lewandovski!

Se a época decorrer normalmente vamos ter um Bayern vencedor em toda a linha, quer internamente, quer na Europa!

Bom, na Europa, só vejo uma equipa a poder ombrear com esta Máquina Alemã, o Chelsea, comandado por Mourinho!

 

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Auf Wiedersehen bis zum nächsten Artikel!

 

Manuel Serra

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