December 8, 2019

Dos pares. Poucos são os destaques atribuídos a esta variante na imprensa desportiva e, por isso, hoje trago-vos este tema.

Ainda que mais recentemente os irmãos Bob e Mike Bryan tenham colocado os holofotes da fama sobre o ténis jogado a pares, atingindo uma marca absolutamente impressionante de 97 títulos obtidos em conjunto, no final do mês de Março deste ano, aquando do Masters 1000 de Miami, os “Bryan brothers” chamaram a atenção para o facto de a variante de pares ser constantemente remetida para um plano secundário nas transmissões televisivas destes encontros.

E aqui temos a chamada bola de neve. Se, por um lado, muitos adeptos da modalidade acabam por não demonstrar grande interesse em assistir aos embates de pares masculinos ou femininos; por outro lado, o facto de não ser promovida esta variante, por exemplo, nos meios de comunicação social, também não potencia esse interesse e curiosidade do público para seguir estes jogos. Não se gosta porque não se costuma ver; não se costuma ver, por isso não se conhece e não se gosta.

 

Os líderes da hierarquia mundial na variante de pares masculinos, Bob e Mike Bryan, colocaram o dedo na ferida ao dirigirem estas críticas não só à comunicação social, mas também à organização dos torneios que remete estes encontros para um plano secundário.

 

Pessoalmente, tenho algumas duplas que sigo sempre que se encontram em court: Radek Stepanek/Leander Paes (pela cumplicidade, pela amizade que transmitem em court, pelo exemplo de motivação de Paes, um quarentão indiano, que nos mostra que enquanto houver motivação para estar em court, pode sempre executar-se bom ténis); Fernando Verdasco/David Marrero (uma delícia ver a armada espanhola movimentar-se assim tão bem nos pares); Sara Errani/Roberta Vinci (as líderes da hierarquia mundial da variante de pares femininos nasceram para jogar juntas); mais recentemente, Lleyton Hewitt/Patrick Rafter (ainda que tenha durado pouco a sua prestação no Australian Open deste ano, é indescritível ver estes dois aussies jogar juntos de forma tão cúmplice e sobretudo ter assistido a este fugaz regresso de Rafter aos courts, mais de uma década depois de se ter retirado); Venus Williams/Serena Williams (mais que irmãs, cúmplices, amigas, admiradoras mútuas, Venus e Serena jogam juntas para desfrutarem do melhor que o ténis alguma vez lhes deu: a felicidade de jogarem uma com a outra) e, claro, Bob Bryan/Mike Bryan, pelo seu carácter sobre-humano de quem fez da seriedade e do profissionalismo sinónimos de quem se dedica verdadeira e continuamente à variante de pares.

 

O que é que eu gosto de ver nestas duplas? A cumplicidade de não se estar só, como quando acontece nas batalhas físicas e mentais disputadas em singulares.

As irmãs Williams, por exemplo, confessaram, no último US Open, que era uma delicia terem a oportunidade de partilhar o court e sempre que, nesse major, as vimos entrar juntas parecia que as saudades que vamos ter delas, quando se retirarem, estavam já ali à flor da pele.

 

Ao passo que muitas duplas existem para que os seus protagonistas ganhem ritmo competitivo, vontade de voltar a estar em court, outros jogadores dedicam a sua carreira e concentram as suas forças para estar nesta variante plena e completamente. O tenista brasileiro, Bruno Soares, é um desses exemplos. A par de Alexander Peya, ocupa o terceiro lugar da hierarquia mundial de pares e acumulam já, nas suas carreiras, mais de uma dezena de troféus. Soares foi também umas das vozes que se ouviu aquando do anúncio de não se transmitir pela televisão a final de pares masculinos do Masters 1000 de Miami, quando também já o Masters 1000 anterior, de Indian Wells, também não havia contado com a transmissão da sua finalíssima de pares.

Hoje, decidimos dar-lhes voz e esperamos que as entrelinhas deste artigo vos deixem com muita vontade de ver o melhor que a variante de pares nos pode oferecer.

 

Sara Vicente

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