December 8, 2019

No passado fim-de-semana, assisti, com especial curiosidade, aos embates do Sporting com o Setúbal e do Benfica com a Académica.

Na verdade, no comando do Setúbal e da Académica estão dois treinadores que, até há pouco tempo, estiveram à frente do Sporting, ambos sem grande sucesso: Domingos Paciência e Paulo Sérgio. Ambos perderam os respetivos confrontos. Pior do que isso, tanto a Académica como o Setúbal realizaram fraquíssimas exibições.

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No caso do jogo do Setúbal contra o Sporting, o futebol dos sadinos foi especialmente confrangedor: há muito tempo que não via uma equipa jogar tão pouco em Alvalade. Uma equipa sem ideia de jogo, cheia de buracos na defesa e absolutamente inofensiva no ataque. Perdeu por 3-0, mas podia ter perdido por 5 ou 6 golos sem resposta.

A diferença qualitativa entre as equipas, embora evidente, não explica tudo.

Assistindo ao comportamento do Domingos no banco, só me vinha à cabeça o mesmo Domingos a que me habituei quando treinou o Sporting: passivo, inseguro, sempre descontente com o que se passava no relvado, mas sempre incapaz de inverter o sentido do jogo, incutindo raça e dinâmica na equipa.

No final, ouvi as desculpas do costume, a que também já me habituei no passado: a arbitragem e o erro que esteve na origem do golo do Sporting.

Confesso que, se estivesse na pele do Domingos, estaria seguramente mais preocupado com a qualidade miserável que exibiu. Há coisas mais evidentes do que um erro grosseiro do árbitro.

 

Tal como Paulo Sérgio, que não teve grande êxito no Sporting, nem no Apoel, nem no Cluj, Domingos também não se afirmou no Sporting, nem no Corunha, nem no Kayserispor. A tarefa no Setúbal também parece complicada, tal como a do Paulo Sérgio na Académica…

O que pretendo retirar daqui ?

Só isto: o Sporting foi muitas vezes acusado, e com toda a razão, de não proporcionar condições de estabilidade e de confiança às equipa técnicas, de não ter uma estrutura capaz de isolar o balneário do ambiente de pressão que se vive à sua volta, de ser um “cemitério de treinadores”. São críticas pertinentes e assacáveis a vários presidentes do Sporting.

Mas, credo! olhando aos percursos e aos resultados de alguns treinadores que, até há bem pouco tempo estiveram à frente do Sporting,  dou comigo a pensar que, se calhar, a responsabilidade pelo facto de as coisas terem corrido “menos bem” (para não dizer “muito mal”) não estará, ou não estará apenas, no Sporting…

 

Vasco Rocha

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