December 10, 2018

 

Sempre que o Euro 92 vem à baila, logo nos vem à cabeça o fantástico conto de fadas da épica vitória da Dinamarca frente à Alemanha na final da competição, que valeu o título europeu a uma seleção que foi repescada à última da hora devido ao afastamento da Jugoslávia, em virtude da famigerada Guerra dos Balcãs.

 

Porém, ninguém se lembra daquela fantástica seleção balcânica, que seria um sério candidato à vitória final, já que contava com craques como Davor Suker, Zvonimir Boban, Darko Pancev, Budimir Vujacic, Predrag Mijatovic, Sinisa Mihajlovic, Dragan Stojkovic, Robert  Prosinecki… E muito menos é feito o seguinte exercício: caso não se tivesse verificado o desmembramento da chamada “ex-Jugoslávia”, que seleção teríamos hoje em dia? Esta análise é no mínimo curiosa de ser levada a cabo, já que é um exemplo prático de como a esfera política pode ter no desenvolvimento futebolístico a nível global, desfazendo federações e respetivas seleções, e consequentemente criando outras: Croácia, Sérvia, Eslovénia, Bósnia, Macedónia, Montenegro e Kosovo.

 

Assim, caso nada disto tivesse acontecido, facilmente se chega à conclusão que se a Jugoslávia se qualificasse para um certame europeu ou mundial, seria um forte candidato a chegar (muito) longe, pelo menos “no papel”. Tendo em conta que uma convocatória para um Europeu ou um Mundial é constituída por 23 jogadores, teríamos algo do seguinte género (incluo jogadores que já se retiraram definitivamente do futebol internacional, já que se trata de um mero exercício teórico):

 

– Na baliza: Jan Oblak (Eslovénia), Asmir Begovic (Bósnia) e Samir Handanovic (Eslovénia);

 

– Na defesa: Sime Vrsaljko (Croácia); Adam Marusic (Montenegro); Dejan Lovren (Croácia); Stefan Savic (Montenegro); Matija Nastasic (Sérvia); Nikola Milenkovic (Sérvia); Sead Kolasinac (Bósnia); Aleksandar Kolarov (Sérvia);

 

– No meio campo: Nemanja Matic (Sérvia); Mateo Kovacic (Croácia); Luka Modric (Croácia); Ivan Rakitic (Croácia); Miralem Pjanic (Bósnia); Sergej Milinković-Savić (Sérvia);

 

– No ataque: Dusan Tadic (Sérvia); Ivan Perisic (Croácia); Mario Mandzukic (Croácia); Stevan Jovetic (Montenegro); Edin Dzeko (Bósnia); Aleksandar Mitrovic (Sérvia).

 

Uma verdadeira parada de estrelas, que permite deixar várias figuras da bola de fora, como Subasic, Ivanovic, Vida, Lulic, Fejsa, Zivkovic, Badelj, Ljajic, entre outros.

 

Se não fosse a política, o que seria desta gente?

 

Miguel Pinho

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