September 20, 2018

Nova época, novo treinador, muitos novos jogadores… serão suficientes para quebrar o rumo que o ano passado Paulo Fonseca traçou? Na minha humilde opinião claramente foi instituída uma nova mentalidade. O Porto está dominador, com jogadas criativas efectuando inúmeros remates que arregalam a vista.

Numa abordagem bem diferente da época anterior (economicista com jogadores com historial no campeonato nacional), a equipa sofreu uma “invasão espanhola”: Andréz Fernández (GR), Iván Marcana e José Sandro (Defesas), José Campaña e Oliver Torres (Médios) e Cristian Tello e Adrián López (Avançados) claramente vieram trazer mais qualidade ao plantel. Representam opções válidas com grande margem de progressão. Tudo aponta que terá sido o próprio treinador (Lopetegui) a conseguir aliciar algumas destas pérolas. No entanto, financeiramente representam um valor que em caso de resultados escassos ficará muito pesado.

 

As novidades (não espanholas) trouxeram também um grande incremento de qualidade:

– Bruno Martins Indi e Casemiro vieram do Feyenoord e Real Madrid, respectivamente, ambos com 22 anos, garantindo a aguardada substituição de Otamendi (para mim era mais importante para a equipa que Mangala) e Fernando, garantindo, aparentemente, a qualidade que estes 2 jogadores habituaram os olhos dos adeptos.

– Ruben Neves (17 anos) demonstra grande conhecimento do jogo, com um posicionamento capaz de proporcionar apoio constante ao portador da bola. Frequentemente é o responsável pela mudança de flanco através de passes longos, desequilibrando a defesa e mudando uma constante do ano passado – insistência no mesmo lado do ataque, mesmo em inferioridade numérica. Pela idade promete vir a tornar-se um jogador importantíssimo de valor acrescido.

– Brahimi só é uma surpresa para quem não viu o Mundial de 2014. O argelino demonstrou ter uma qualidade acima da média, capaz de irromper contra jogadores de qualidade mundial. Claramente foi a melhor contratação do Porto e a solução criativa que faltava.

 

FC Porto vs Saint-Étienne

Bruno Martins Indi (3), Casemiro (6), Yacine Brahimi (8), Cristian Tello (11), Evandro (15) e Adrián López (18). Reforços do FC Porto versão 2014-15

 

Em relação às opções (boas) que ficam do ano passado, considero:

– Jackson Martinez continua a ser a referência da equipa. Mantém eficácia na zona de finalização fazendo a diferença, seja de cabeça ou pé.

– Herrera demonstra mais qualidade que no ano transacto. Bastou começar a jogar na posição onde evoluiu como jogador. Foi uma das peças fundamentais do México no Mundial do Brasil, embora transpareça ainda algum amadorismo/nervosismo, sendo capaz de se deixar expulsar com entradas ou quezílias desnecessárias.

– Quaresma já não tem a mesma preponderância do ano passado, no qual discutia a titularidade com Varela, Licá e Josué (ainda sinto um comichão ao pensar que os 2 últimos jogadores foram titulares do Porto). Terá de melhorar o seu contributo colectivo, ajudando a defesa e passando a ser mais pragmático e menos artístico/inconsequente. Terá de provar que está acima dos novos jovens espanhóis física, psicológica e tecnicamente.

 

Um jogador que ainda não entendi o seu papel neste plantel é Quintero. Sempre que joga mostra valor e capacidade de desequilibrar as defesas. Necessita de jogar, tal como a nova armada espanhola. Conseguirá rasgar a sombra que o envolve e demonstrar todo o seu futebol?

 

No que toca ao Clássico contra o Sporting, com base nos jogos do campeonato já realizados, aposto numa vitória do Porto. Porquê? O Porto apenas empatou contra Guimarães (a realizar um bom arranque de época) e Boavista (sem Maicon, a equipa dominou o jogo e apenas pecou por boas defesas e algumas falhas na finalização), demonstrando solidez e robustez, que na sua máxima força “tritura” os adversários. Se Lopetegui apostar no modelo de jogo que tem vindo a implementar, penso que não haverão dúvidas da vitória do Porto. O único cenário que me leva a duvidar da vitória dos dragões será um golo inicial fortuito com posterior posicionamento defensivo/contra-ataque, ficando o Porto novamente refém da finalização dos seus atacantes.

 

Rafael Cunha

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