August 17, 2018

Chamo-me Vasco Pinto da Rocha, sou solteiro e bom rapaz e sem descendência (conhecida). Estudei Direito e trabalho como consultor jurídico. Este percurso profissional teria sido completamente diferente se, naquela longínqua manhã de Agosto de 1998, no treino de captação realizado no pelado do Sporting da Torre, os treinadores dos juniores do Sporting – entre eles, o Leonel Pontes – tivessem reconhecido na minha pessoa um talento predestinado para a baliza leonina.

 

Infelizmente para mim, mas felizmente para o Sporting, isso não aconteceu e acabei relegado para o Futebol Benfica, mais conhecido por “Fofó” (este nome nunca me soou bem, confesso), onde acabei por pendurar as luvas e abdicar do sonho de ser o novo “Costinha”. Olhando para trás, reconheço que as minhas atuações na baliza me aproximavam mais do Moretto, ex-guarda-redes do Benfica: destacava-me pelas defesas impossíveis, mas revelava muitas dificuldades em lidar com os remates fracos e à figura. De facto, a combinação de “nervos de aço” com “mãos de manteiga” nunca me foi muito favorável, confesso.

 

Mais tarde, tentei a minha sorte como ponta-de-lança, também em vão, tirando partido do meu razoável jogo de cabeça. Cheguei a ganhar a alcunha de “Jardel do Parque dos Príncipes” – e não, não foi por causa da influência de substâncias psicotrópicas. Hoje em dia, espalho o perfume do meu futebol como médio-(re)criativo nos sintéticos no Inatel.

 

Escusado será dizer que sou do Sporting. Já chorei mais pelo Sporting (ai, aquela final disputada contra o CSKA de Moscovo, em nossa casa…), do que por qualquer mulher neste mundo. Aos 3 anos, o meu avô inscreveu-me no Benfica mas assim que fiz 10 anos cancelei a minha inscrição.

 

Diria que esse foi o meu primeiro ato de emancipação na minha vida pessoal.O meu avô tem hoje 90 anos e continua a dizer que foi a maior tristeza que lhe dei.

 

Vasco Rocha

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE