August 25, 2019

Está de volta a NFL. E a primeira jornada teve de tudo um pouco, com favoritos como os New England Patriots e os Seattle Seahawks a passarem dificuldades para fechar os seus jogos, equipas em ascensão como os Kansas City Chiefs e os Miami Dolphins a puxarem dos galões e até já uma arbitragem polémica, como aconteceu no jogo entre os colossos San Francisco 49ers e Green Bay Packers. No entanto, o principal momento aconteceu logo no primeiro jogo da jornada, no ar rarefeito das montanhas do Colorado.

Nem sequer estamos a falar daqui da impressionante tareia (49-27) que os Denver Broncos deram aos campeões em título, os Baltimore Ravens. O que é de destacar é que o seu quarterback completou sete passes para touchdown, num feito apenas igualado por seis jogadores em toda a história da liga. Uma marca ainda mais inacreditável se considerarmos que o dito quarterback é um veterano já com 37 anos. Mas talvez o choque seja menor se considerarmos que estamos a falar de Peyton Manning.

Mesmo tendo em conta que ainda está no ativo, Manning é já uma das figuras mais lendárias da NFL, com um palmarés de recordes e triunfos pessoais quase inigualável e um estatuto impossível de contestar. No entanto, este não foi sempre o caso. Não que alguma vez tenha sido negado o talento de Peyton Manning, desde o momento em que foi escolhido com a primeira escolha do draft de 1998 pelos Indianapolis Colts. Se assim fosse, ele não se teria tornado no primeiro jogador a ser nomeado quatro vezes o MVP da liga. O que chegou a ser questionado foi o seu carácter, a sua fome de vencer.

A verdade é que, apesar de consistentemente carregar os seus Colts para os playoffs, Peyton Manning foi durante muito tempo visto como alguém que dava muito espetáculo mas se ia abaixo nos momentos decisivos. Depois de já sete anos na liga, muitos começaram a apontar se faria sentido chover elogios num jogador que não liderava uma equipa ao que mais interessa – um anel de campeão. Uma opinião, curiosamente, que é quase inversa à que se tem do seu irmão mais novo, Eli Manning, um quarterback menos talentoso mas que entretanto já liderou os seus New York Giants a duas vitórias na Super Bowl.

Quando, em 2006, na sua oitava época na liga, Peyton Manning finalmente conseguiu o prémio que tanto cobiçava – uma vitória na Super Bowl XLI, contra os Chicago Bears –, o melhor jogador da sua geração pôde finalmente respirar de alívio. Já ninguém o podia acusar de não ter alma de campeão. Estava no topo. Tinha ganho.

Claro está que, como qualquer campeão que se preze, Manning não estava contente com um só título. Queria mais. E foi isso que continuou a perseguir até atingir o maior revés da sua carreira: uma lesão no pescoço que forçou uma cirurgia e o obrigou a falhar toda a época de 2011.

Previsivelmente, os Colts tiveram uma época terrível, o que culminou na conquista na primeira escolha do draft de 2011. E isto colocou os responsáveis dos Colts perante uma decisão difícil. Isto porque a primeira escolha consensual era o jovem e talentoso quarterback Andrew Luck, considerado por muitos uma garantida estrela para o futuro. E assim decidiram os Colts, que, inseguros quanto à capacidade do veterano Manning de voltar ao seu nível anterior depois da lesão, apostaram na nova sensação, efetivamente relegando o seu antigo capitão para uma reforma antecipada.

Mas Peyton Manning não estava pronto para se deixar arrumar num canto. Ainda tinha algo a provar. E foi isso que fez ao assinar pelos Denver Broncos. Com muitos nos media a questionar se ainda teria força no braço e se a lesão no pescoço não o levaria a jogar com medo se ser placado, Manning bloqueou toda a negatividade à sua volta e continuou a jogar. O resultado? Os Denver Broncos terminaram a temporada com um parcial de 13-3 e rumaram aos playoffs, onde foram eliminados pelos eventuais campeões, dos quais, como já referi, já se vingaram entretanto.

Agora as dúvidas acabaram e já todos aprendemos a não duvidar das capacidades de um talento transcendente como o de Peyton Manning. Os Broncos partem para esta temporada como uns dos principais candidatos ao título e tudo por causa da confiança inabalável que todos temos na imortalidade do seu velho quarterback. Mas o que estou eu aqui a dizer? Ele não é velho. É o Peyton Manning.

Pedro Quedas

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