May 22, 2019

O Entre já sabia que alguns dos maiores clubes do Mundo tinham projectos engatados para os seus Estádios do século passado. Agora foi ver quando é que arrancam as obras (algumas já começaram), os buckaroos (os euros…) dispendidos e tenta prever como é que a coisa vai ficar no replay futebolístico e financeiro a curto prazo (não prevemos nada, só falamos dos antigos caixotes, damos uns lamirés sobre os novos e fechamos a loja).

 

Uma das regras cardeais quando se fala de projectos futebolísticos é omitir, enquanto for humanamente possível, o nome Tottenham Hotspur. Actualmente (e alegadamente) à venda por mais de 1 bilião de EURs, os potenciais compradores (que normalmente se passeiam pela Premier League) têm fugido a sete pés por causa de um novo estádio, entretanto promovido pelos spurs em meados de 2012 e que até hoje nunca viu o primeiro calhau.

Os spurs só queriam novidades e seixos até ao início da temporada de 2017/2018 mas já levaram com uma acção do proprietário do terreno do tal novo Estádio que até andaram de lado.

Hoje, como bons yids que são, procuram investimento e aconselhamento junto do banco Rothschild. Pedrinhas? Só depois dessa data. Não a de hoje. A de hoje daqui a quatro anos, bem entendido!

 

Esta é uma história cujo final é totalmente desconhecido e daí ter-se convencionado que falar de projectos futebolísticos + Tottenham = parvoíce. Também pode meter um Chelsea ao barulho (sugeriram um estádio novo, ficaram a lê-las).

De nada.

O Entre a dar cartas na pedagogia é imbatível.

 

Vamos agora a coisas mais sérias e que valem a pena desenvolver a partir do título. A clubes com palmarés que se veja, dentro e fora de portas. Vou falar de quatro monstros do Futebol Europeu e quem achar que o Atlético de Madrid ainda não é colosso que se acuse e procure textos sobre surf no Entre. Pois. É melhor ter juízo e continuar a ler isto, não é?

O casting podia compreender outros projectos. O do Kuban Krasnodar. O do Aberdeen. O novo da Roma, do Lyon, do Valência, do São Paulo, os cogumelos que se preparam para nascer no CSKA, no Dínamo de Moscovo, no Mordovia Saransk, em São Petersburgo, em Haifa, em Gibraltar (delicioso o nome Europa Point Stadium)… Pode acreditar o leitor que, onde quer que se desloque para ver a bola, nas imediações mais próximas ou longínquas, há obras a decorrer. Para remodelar, ampliar, rodar, cropar, fazer de novo. Obras. Investimento. Buckaroos. Pedrinhas.

Conheçamos então os primeiros semi-finalistas desta ‘Febre de Estádio Remodelado à Noite‘:

 

Anfield Road (Liverpool FC)

Data do projecto: Outubro de 2012

Tipo: expansão

Estado: aprovado

Conclusão prevista: época de 2016/2017

Nota do Entre: ’tá fixe

 

O investimento, superior a 320M de EURs, compreende a revitalização total da zona de Anfield.

Milhares de novos postos de trabalho, uma reabilitação urbana sustentada (aposta forte e natural no reboost do mercado imobiliário) e, não menos importante, já que falamos de Liverpool (pass and move!) continuar a pressionar no botão do turista. O Memorial de Hillsborough, p.e., será relocalizado para um espaço construído de raíz.

o Fenway Sports Group não brinca. Chegou, comprou, gastou e diz que agora é gastar mais para construir

 

Agora, cadeirinhas, porque estes números volta e meia também interessam. O histórico Main Stand de Anfield passará de 13 mil lugares para 21 mil, elevando a capacidade total do estádio para 54 mil lugares. Um aumento residual (9 mil lugares ao todo) do Anfield que hoje conhecemos que pretende somente modernizar as condições do Estádio e fomentar áreas de negócio circundantes. Não mergulhámos no projecto a fundo porque Anfield, de 2016 em diante, continuará sempre atrás do City Of Manchester (60 mil redondos), do Emirates (60 mil e uns trocados) e do mítico Old Trafford (75 mil e picos). Só Wembley brinca sozinho (90 mil) em Inglaterra, estádio que acolherá o West Ham United a partir de 2016 (renda anual de 2,5M de EURs, já agora).

Não foi à toa que falámos do Chelsea. Prepara-se para ser o clube com melhor plantel e pior Estádio entre os ‘grandes’ ingleses. O volume de receitas face a jogos caseiros do City e do Arsenal, como será bom de ver num reduto com pouco mais de 40 mil lugares, é… anedótico.

 

Resumindo e recentrando, o projecto de expansão de Anfield parece-nos simpático. Mete valores astronómicos assentes numa reabilitação local com retorno garantido a médio prazo. Os scousers acreditam que o clube voltou a rugir e fazer de Anfield o epicentro futebolístico, económico e sobretudo social de Liverpool faz, à primeira e segunda vista, sentido.

Bugger off Goodison!

 

 

La Peineta (Atlético Madrid)

Data do projecto: anos 90+2011

Tipo: relocalização/expansão

Estado: aprovado

Conclusão prevista: 2016/2017

Nota do Entre: ‘vambora’ com isso

 

Aqui mais pertinho, a míseros 600kms, encontramos Madrid, sempre naquele stress pós-traumático de nunca ter acolhido os Jogos Olímpicos de Verão. É chato, dói e os catalães normalmente partem-se a rir na cara dos da capital. E se calhar já nem se lembram quando foi (1992, não foi?). Porque não precisam. Barcelona foi cidade olímpica. Madrid, a capital, a do Prado, do Thyssen, do Reina e da Fuencarral… népes. Nunca foi. E se continua a chorar tão cedo não será.

 

Onde é que entra o La Peineta no meio disto? Bem, foi o estádio proposto na altura pelo Ayuntamiento de Madrid, ainda durante os anos 90 (eles tentaram imensas vezes ser sede olímpica, acreditem) para acolher o futebol e o atletismo. Como ficaram de mãos a abanar e de betão sem cor, o Atlético de Madrid não fez a coisa por menos: toca a sair do meio da cidade e ir ali para perto de Barajas, que é como quem diz Canillejas, na zona leste de Madrid (apanhando a M-30 e um santo dia sem trânsito, a partir do Vicente Calderón actual, é coisa para menos de meia hora).

Os responsáveis de Madrid (a cidade, não o actual Campeão) já vieram a público garantir que a chegada dos colchoneros ao La Peineta em nada «vai afectar a candidatura aos Jogos Olímpicos de 2024». Não, não estamos a gozar. Eles não se vão calar desde que haja dinheiro para construir ‘Las Peinetas’ da vida. Admitimos que o Rayo Vallecano já está à espreita. Nem que tenham de ir parar a El Goloso!

 

Os rojiblancos, esses, não precisam de grandes alaridos, a partir de 2016, se tudo correr como previsto, apesar de 255M de EURs de investimento assentes em sucessivos projectos olímpicos gorados (suportados por um Ayuntamiento que já olha para eles como trocos, a Mahou, uma das maiores cervejeiras de Madrid, e o clube, principal interessado em modernizar-se e sair da sua actual toca, que fica entalada entre o Manzanares e a M-30).

Ou seja, o Atlético, a nosso ver, faz bem em sair do Vicente Calderón porque não só se relocaliza para uma zona nova e dinâmica da cidade como, mais importante que as 74 mil cadeirinhas, garante a modernização total das suas infraestruturas, aproveitando uma ‘aldeia olímpica’ (que nunca será!).

imagens das obras do La Peineta, Setembro 2014 (fonte: nuevoestadioatleti.blogspot.com)

imagens das obras do La Peineta, Setembro 2014 (fonte: nuevoestadioatleti.blogspot.com)

 

O actual estádio não tem elevadores, zonas de acesso para pessoas com deficiência, perdem-se jornadas de BBVA só a tentar parar o carro e, em Canillejas, o Atlético encontrará uma casa e um terreno à sua medida, aproveitando um projecto antigo, uma curva topo a que sempre se e nos habituou (está finalmente explicado o nome La Peineta ou não?!), anos depois do Espanhol de Barcelona ter abandonado Montjuic para ir parar ao Cornellà-El Prat.

É assim Madrid. Quem recebe Jogos Olímpicos sabe fazê-las. O Espanhol jogou num Estádio Olímpico, fartou-se e já seguiu para outro. Novinho.

Desculpa lá Madrid, não leves a mal.

 

Quanto ao que ficará pelos lados do Calderón, o presidente Enrique Cerezo garante que «o Atlético não vai ganhar dinheiro nenhum com a venda dos terrenos». Curioso, porque no Estádio onde já se tiraram fotografias a Forlán ou se aplaudiu de pé El Niño daqui a uns anos poderá passear dois dos seus quatro assistentes e tirar fotografias com uma turma de investidores chineses à sua escolha. Porquê?

Dois arranha-céus e espaços verdes giríssimos. A sério, é só espreitar aqui ó

 

Só podemos desejar que tudo corra pelo melhor a El Tiagón, Raúl, Gabi, El Cholo e ao La Peineta, Estádio que se prevê espectacular, fiel ao ADN do clube e inserido numa micro-cidade desportiva de topo. Que, apesar de estar eternamente preparada…

NUNCA R _ _ _ _ _ _ Á OS JOGOS OLÍMPICOS!

 

Não tem de quê.

O Entre a salientar pontos é o rei.

O La Peineta será o primeiro Estádio espanhol com naming lá das Arábias. 215M de EURs/5 anos foi quanto custou à Etihad Airways para se chegar à frente e baptizar o novo reduto do Atlético de Madrid. Aconselhamos o leitor a chamar-lhe apenas… La Peineta. Vá lá, não custa nada.

 

 

não percam amanhã a parte 2 (última fase da expansão do corrente artigo) sobre os seguintes mamarrachos:

Abu Dhabi Santiago Bernabéu (Real Madrid)

e

Qatar Petrolium Camp Nou (FC Barcelona).

 

Manuel Tinoco de Faria

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