September 19, 2019

Decorridos praticamente dois meses da nova temporada do Campeonato Mundial de Fórmula 1, penso ser altura para um balanço.

 

Como era previsível, numa época marcada por um novo regulamento técnico que levou a modificações facilmente identificáveis nos monolugares,  houve mudanças no status quo da modalidade. Assim, a Ferrari chegou-se à frente (se tivessem vencido as cinco provas disputadas não seria surpresa), principalmente em corrida. Nas sessões de qualificação a Mercedes levou a melhor por quatro vezes (três poles para Hamilton, uma para Bottas), contra uma pole position da Ferrari (Vettel, na Rússia, prova ganha curiosamente pela Mercedes). Já em corrida a Ferrari tem estado ao nível da rival, muito por culpa de um carro mais amigo dos pneus, o que tem permitido à Scuderia um ritmo muito forte. Pode parecer contraditório, pois a Mercedes conta três vitórias em grandes prémios contra duas da Ferrari, mas a máquina italiana tem sido mais eficaz e vai dando uma curta liderança no campeonato de pilotos a Sebastian Vettel, que tem neste momento Lewis Hamilton seis pontos atrás de si.

 

 

A alguma distância das duas equipas da frente encontra-se a Red Bull. Ficou a saber-se esta semana que o RB13 não contou com o dedo mágico de Adrian Newey, o que pode explicar o menor rendimento da equipa de Milton Keynes. Veremos se o conceituado engenheiro consegue ainda emprestar algum do seu brilhantismo à equipa, que até ao momento regista mais abandonos (4) do que pódios (2).

 

No degrau seguinte desta hierarquia encontra-se isolada a Force India, o primeiro destaque pela positiva até agora, uma vez que se trata da única escuderia que pontuou em todas as corridas com os dois pilotos. Estes resultados deixam a Force India mais perto do terceiro lugar no mundial de construtores (está a 19 pontos da Red Bull) do que do quinto (tem uma vantagem de 32 pontos sobre a Toro Rosso).

 

 

Por este quinto lugar temos uma luta animada entre a já mencionada Toro Rosso (21 pontos), Williams (18) e Renault(14). Esta luta deverá cair para o lado da Toro Rosso, que é a única destas três equipas que viu ambos os seus pilotos marcarem pontos. Na Williams, Lance Stroll ainda está em fase de adaptação (e de tentar convencer basicamente todos de que tem qualidade para ali estar e que não chegou à F1 à boleia do camião de dólares do seu pai) e na Renault (que está a subir de produção, podem vencer esta batalha) Jolyon Palmer é uma desilusão (em 2016 fez 1 ponto em toda a época!).

 

 

Para terminar, na parte de trás do pelotão, Haas, Sauber e McLaren. A Haas tem-se debatido com a fiabilidade do monolugar, registando já quatro abandonos. Já a Sauber conta com dois pilotos muito jovens, mas viu Wehrlein marcar os primeiros pontos em Barcelona, depois de ter falhado os dois primeiros grandes prémios devido a uma lesão nas costas. Na cauda da tabela, única equipa ainda sem pontos, a McLaren. Aqui tem sido tudo mau. O motor Honda não tem potência nem fiabilidade e o chassis é fraco, mas apareceu melhor em Espanha. Fernando Alonso (talvez o piloto mais talentoso do actual plantel) não terminou as provas da Austrália, da China e do Bahrain, não conseguiu sequer partir para o GP da Rússia, mas em Barcelona qualificou-se num brilhante sétimo posto e acabou um grande prémio pela primeira vez nesta temporada, num honroso 12º posto. Já Stoffel Vandoorne também falhou a partida de uma prova (Bahrain), terminando duas corridas até agora. No meio desta confusão toda, Alonso conseguiu autorização para ir correr as 500 Milhas de Indianapolis, falhando o emblemático e glamouroso Grande Prémio do Mónaco. Se isto não é mau sinal, não sei o que será…

 

Grande Prémio do Mónaco é o próximo no calendário, o primeiro dos quinze que faltam, numa época que promete ser de emoções fortes.

 

Nuno Fernandes

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