December 15, 2017

 

Correu no passado domingo o pano sobre mais um campeonato do Mundo de Fórmula 1. Já se conhecia há practicamente um mês o nome do campeão. Lewis Hamilton tinha garantido no México o quarto título da sua carreira, igualando Sebastian Vettel. Recuperando o cliché, este campeonato pode dividir-se em duas partes: as primeiras 11 provas, em que o equilíbrio reinava (quatro vitórias de Vettel, quatro de Hamilton, duas de Bottas e uma de Ricciardo) e as últimas 9 corridas (cinco vitórias de Hamilton, duas de Verstappen, uma de Vettel e uma de Bottas).

 

Os acidentes marcaram a segunda metade da época da Ferrari

 

A Mercedes respondeu muito bem ao excelente início da Ferrari, que entre azares (leia-se, acidentes) e falhas mecânicas não teve andamento para a ponta final da escuderia de Brackley. Mas o que se viu de Maranello na primeira metade da época deixa-nos já com água na boca, perspectivando uma temporada de 2018 mais semelhante à primeira metade de 2017.

 

A equipa da RedBull

 

Quem acaba também a época em bom nível é a RedBull, que durante a época demonstrou um progresso assinalável. Adrian Newey é um dos mais talentosos engenheiros da competição e provou-o este ano, ao começar por um desenho simples para os monolugares da marca austríaca, mas com enorme margem de progressão. Para se ter uma ideia desta evolução atente-se no facto de na primeira qualificação do ano (Austrália) a pole position ter sido alcançada por Lewis Hamilton com um tempo de 1m22s188 enquanto o melhor dos pilotos da RedBull (Verstappen) fez apenas 1m23s485, distante mais de 1 segundo. Em Abu Dhabi, no último grande prémio do calendário, a grelha de partida foi encabeçada por Valtteri Bottas, com 1m36s231 e o melhor RedBull (Ricciardo) registou 1m36s959, uma diferença de 0.7 segundos. Pode parecer pouco, mas numa disciplina discutida ao milésimo de segundo é uma evolução notável.

Mais que pelas cores, o carro da Force Índia distinguiu-se pela fiabilidade

 

No respeitante às restantes equipas e pilotos destaque óbvio para a Force India, que foi a melhor das “outras”, por larga margem (187 pontos contra 83 da Williams, quinta classificada). Sergio Perez e Esteban Ocon tiveram uma época muito boa, apesar de alguns “desencontros” em pista. Ocon apenas por duas vezes não acabou em posições pontuáveis e Perez por três vezes não pontuou. A título de comparação, só Ricciardo acabou cinco provas a zero. A Force India apenas por uma vez ficou a zeros, tantas como a Ferrari. Uma época, sem dúvida, excepcional.

 

Felipe Massa, o sorriso antes do adeus definitivo à competição

 

Na Williams destaque para a despedida de Felipe Massa (a segunda e desta vez definitiva). O brasileiro já tinha dito adeus na época passada, mas perante o abandono de Rosberg e a consequente transferência de Bottas para a Mercedes aceitou ficar mais um ano. Será, ao que tudo indica, substituído por Robert Kubica, num regresso que se saúda de um piloto muito talentoso, mas que actualmente é uma incógnita, após um grave acidente num rally que quase lhe provocou a perda do braço direito.

 

“É sempre chato quando desmontamos e voltamos a montar o carro e sobram peças” – Fernando Alonso*

 

Já a McLaren cedo demonstrou que iria ser mais um ano perdido, com o motor Honda a fazer a equipa refém. Pouca fiabilidade, pouca velocidade de ponta, tudo mau. Valeu à McLaren o excelente chassis MCL32 e a qualidade muito acima da média de Fernando Alonso (possivelmente o melhor piloto do plantel em qualidade pura) para não acabarem em último lugar no campeonato de construtores, o que seria uma humilhação para os britânicos. Com a qualidade deste monolugar e de Alonso e a mudança já confirmada para motores Renault, espera-se um salto competitivo assinalável em 2018.

O novo logótipo da F1

 

E já que falamos de 2018, podemos desde já referir que vão haver novidades. Para já, confirmadas temos uma nova imagem, a diminuição do número de motores disponíveis (eram quatro para toda a época, passarão a três), o aumento da temporada para 21 corridas (com a inclusão do GP de França, que será disputado no circuito de Paul Ricard (a última vez que se correu em França foi em 2008, no circuito de Magny-Cours, com vitória de Felipe Massa) e o regresso da Alfa Romeo à Fórmula 1, por agora apenas numa parceria técnica com Ferrari e a Sauber. No âmbito dessa parceria a Sauber passará a ter a designação oficial Alfa Romeo Sauber F1 Team e os motores utilizados pela equipa suíça serão Ferrari, mas baptizados Alfa Romeo.

 

Vão buscar as agendas e tomem nota destas datas

 

A Fórmula 1 vai agora de férias, o regresso está marcado para o fim-de-semana de 25 de Março, na Austrália.

 

*declarações não factuais, obviamente. Era brincadeirinha, galera!

 

Nuno Fernandes

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