August 17, 2018

 

Chegamos este ano à pausa de Verão do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 com mais de metade da época disputada. E que época tem sido esta, meus senhores! Entre falhas mecânicas, erros de condução, alterações meteorológicas e intervenções do safety car, têm sido raras as provas monótonas este ano.  O equilíbrio fica demonstrado apenas olhando para os vencedores das 12 provas realizadas até agora: as maiores sequências de vitórias foram conseguidas por Sebastian Vettel e Lewis Hamilton e limitam-se a duas vitórias consecutivas. Além dos dois candidatos ao título, também ambos os pilotos da Red Bull já venceram em 2018 e a lista de vencedores poderia (e deveria) contar ainda com o nome de Valteri Bottas, não fosse o caso de se poder considerar o finlandês o piloto mais azarado desta época, até agora.

 

 

 

A Ferrari chega a esta fase da temporada com o monolugar globalmente mais forte do plantel, apesar de não liderar nenhum dos troféus. Já a Mercedes, teve a sorte do seu lado na Alemanha, com Vettel a errar e a despistar-se sozinho e ganhou na Hungria por acertar na estratégia.

 

 

Mesmo sabendo que as segundas metades de época da Mercedes costumam ser superiores a toda a concorrência, este ano creio haver razões para acreditar numa luta até ao fim. Atrás dos dois do costume, vem a Red Bull, que está a sofrer imensos problemas de falta de energia na sua unidade motriz, com os seus pilotos a não terminarem provas por quatro vezes cada (apenas no Azerbaijão deveu-se a acidente e até no Mónaco, prova ganha por Ricciardo, sofreu de perda de potência, o que num circuito tradicional lhes teria custado a vitória).

 

 

A luta pelo quarto lugar da tabela dos construtores também promete animar, com a subida de forma da Haas a ameaçar a Renault. Nas últimas quatro provas a equipa norte-americana fez quase o dobro dos pontos do que a marca do losango (39 para a Haas, 20 para a Renault). Após um início de época difícil, com muitos erros da equipa (na Austrália falhou clamorosamente nas mudanças de pneus) e dos pilotos (vide despiste de Grosjean atrás do safety car no Azerbaijão), uma das equipas satélite da Ferrari está a recuperar e encontra-se agora a 16 pontos da Renault. A Force India aparece 7 pontos mais atrás, mas também atravessa o seu melhor momento da temporada, embora esteja numa situação de impasse devido à  complicada falência decretada e que tem no pai de Lance Stroll, piloto da Williams a solução. Quem não deve conseguir entrar nesta luta é a McLaren, sendo mais uma vítima da pouca fiabilidade das unidades motrizes da Renault. A fechar a tabela temos a Toro Rosso (os motores Honda continuam em evolução, mas ainda longe da competitividade desejada), Sauber (com o apoio técnico da Ferrari a época até está a ser acima das minhas expectativas) e a Williams em último, com o pior monolugar do plantel, com o qual ninguém se entende, nem mesmo o experiente Robert Kubica.

 

Passando agora aos pilotos, destaque natural para os seis magníficos das equipas da frente. Bottas, como já mencionei tem sido o azarado de serviço, Verstappen tem sido inconsistente e irreverente como é seu timbre (teve uma corrida para esquecer na China, tocando-se com vários adversários e no Azerbaijão reparte culpas com o colega de equipa Daniel Ricciardo no acidente que deixou ambos fora de prova), Ricciardo tem feito o que a mecânica lhe permite (e ultrapassagens deliciosas) e Räikkönen tem cumprido, no seu estilo habitual de quem parece não estar nem aí para o que se passa à sua volta. Falando dos dois primeiros da tabela, Lewis Hamilton lidera por ter sido mais consistente do que Sebastian Vettel. Ambos somam uma desistência, mas enquanto Vettel soma (além dos pódios) dois quartos lugares, um quinto e um oitavo posto, Hamilton somou apenas um quarto e um quinto lugares.

 

Está tudo em aberto para as últimas nove provas, com 24 pontos a separarem os dois da frente. Dos restantes ases do volante, também já vem sendo habitual mencionar Fernando Alonso. Os milagres que este rapaz faz com o material que lhe dão! Se há coisa que me desagrada (quase) tanto como o halo é ver o asturiano pilotar um carro tão abaixo daquilo que merecia.

 

 

Destacam-se ainda Kevin Magnussen e Nico Hulkenberg, que têm sido inesperadamente superiores aos seus colegas de equipa, Romain Grosjean e Carlos Sainz Jr, respectivamente. Menção honrosa para Charles Leclerc, “produto” da escola da Ferrari e que tem dado muito boa conta de si na estreia com a Sauber.

 

Destaco ainda a recente notícia sobre o mercado de pilotos: o anúncio da mudança de Daniel Ricciardo, que sai da Red Bull e vai para a Renault, abrindo um lugar muito apetecível ao lado de Max Verstappen. Os candidatos em melhor posição são Carlos Sainz Jr. e Pierre Gasly. Outro lugar muito interessante ainda em aberto é na Ferrari, onde Räikkönen ainda não foi confirmado para a próxima temporada. No caso (bastante provável) de o Ice Man não continuar, o nome mais falado tem sido o de Charles Leclerc, embora alguns rumores tragam à baila o nome de Fernando Alonso, que veria com muito bons olhos um regresso a Maranello.

 

 

O regresso do grande circo será no mítico circuito de Spa-Francorchamps, entre 24 e 26 de Agosto. Fiquem ainda com os melhores momentos do fantástico Grande Prémio do Azerbaijão, o melhor deste ano, para mim.

 

 

Nuno Fernandes

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