January 22, 2020

 

Findo o mês de Julho, duas coisas são certas: os portugueses deslocam-se em massa para o Algarve e a Fórmula 1 entra em período de descanso. Altura ideal para um resumo do campeonato, pois estamos, sensivelmente, a meio da temporada, disputados que estão 11 Grandes Prémios de um calendário de 20 provas.

 

Na frente nada de novo em relação ao que se esperava, com Ferrari e Mercedes a lutarem pelo título de Construtores e tendo em Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, respectivamente, os seus “pontas-de-lança”. Até agora, a regularidade do alemão vai-lhe rendendo uma vantagem de 14 pontos. Ambos venceram por quatro vezes, mas enquanto Hamilton regista três provas terminadas em quarto lugar, uma prova em quinto e outra em sétimo, Vettel tem na sua conta apenas dois quartos lugares e um sétimo, tendo sido nas outras provas sempre primeiro ou segundo classificado. Portanto, tudo em aberto entre os dois pilotos, sendo que em Baku o ambiente entre ambos ficou bastante irrespirável, após Vettel ter atirado o seu Ferrari para cima do Mercedes do britânico, após o que pareceu a todos ser um break test de Hamilton a Vettel, quando ambos circulavam atrás do Safety Car.

 

 

Após a prova, dados de telemetria analisados pela FIA revelaram não ter existido tal manobra. Durante a prova, Vettel foi penalizado com 10 segundos de paragem nas boxes pela manobra. Essa manobra provocou o que para alguns foi considerado justiça divina, pois soltou o apoio de cabeça do Mercedes número 44, obrigando Hamilton a parar para corrigir o problema, o que resultou no único grande prémio da temporada, até ao momento, que não foi ganho por um Ferrari ou um Mercedes, tendo a vitória sorrido a Daniel Ricciardo.

 

 

Numa corrida na qual o australiano da RedBull tinha largado da décima posição e, tendo que parar relativamente cedo para limpar as condutas de ar dos travões, caiu para o 15º lugar, tendo depois beneficiado de toda a confusão (e de uma grande ultrapassagem) que se instalou na corrida para chegar à vitória.

 

 

Aliás, este grande prémio do Azerbaijão foi dos melhores de que tenho memória nos últimos tempos. Desde acidentes e incidentes entre colegas de equipa, Safety Cars, bandeiras vermelhas e recuperações miraculosas, aconteceu de tudo um pouco. Foi também em Baku que o rookie Lance Stroll, da Williams, chegou pela primeira vez ao pódio, sendo terceiro classificado. Destaque na classificação dos pilotos para o quarto lugar de Ricciardo, que viu interrompida em Silverstone uma série de cinco corridas no pódio e em Budapeste foi abalroado pelo seu colega de equipa, Max Verstappen.

 

Na tabela de construtores a Mercedes vai liderando, tirando partido da maior consistência da sua dupla de pilotos. Hamilton já venceu por quatro vezes, como já referi, e Valtteri Bottas venceu duas provas, enquanto que na Ferrari apenas Vettel soma vitórias. Além de não somar qualquer vitória, Kimi Räikkönen não terminou duas provas, juntando a isso dois quintos e um sétimo lugar, enquanto o seu compatriota da Mercedes apenas por uma vez não concluiu a corrida e só numa outra prova terminou abaixo do quarto posto (foi sexto na China).

 

Destaque pela positiva ainda para a Force India, que tem o quarto lugar practicamente seguro e apenas numa prova não marcou qualquer ponto. A Williams, quinta classificada, ficou três vezes em branco, a título de comparação. Correndo o risco de ser repetitivo, o destaque pela negativa vai para a McLaren-Honda e cada vez mais se nota a culpa do construtor japonês. Apenas na Hungria os homens de Woking conseguiram colocar os seus dois monolugares nos pontos, vendo ainda Alonso registar a volta mais rápida da corrida. Mesmo que a Honda tenha conseguido melhorar a fiabilidade do seu motor, ainda está longe da concorrência a nível de potência, sendo a sua unidade motriz regularmente 20 a 25 km/h mais lenta do que a concorrência, o que a este nível é inadmissível. Em dificuldades financeiras continua a Sauber, condenada, provavelmente, ao último lugar da tabela de construtores.

 

As equipas têm agora quase todo o mês de Agosto para testarem em fábrica novas soluções para atacarem em força a segunda metade da temporada. Numa época de imenso equilíbrio a maior regularidade de Vettel é um importante trunfo perante as dificuldades da Mercedes. Também a meteorologia irá ter a sua influência, uma vez que a Ferrari se tem dado melhor com as altas temperaturas, cenário no qual os Silver Arrows têm mostrado alguns problemas para colocarem os pneus em funcionamento.

 

A Fórmula 1 estará de regresso no fim-de-semana de 25 a 27 de Agosto e logo no mítico circuito de Spa-Francorchamps. Não podíamos pedir melhor!

 

Nuno Fernandes

No Comments

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE