December 13, 2019

 

A rubrica procura olhar para alguns dos principais conflitos que estão a emergir na NBA e quem os está a vencer. Pode ser mais sério, como Curry vs. os bloqueios dos Cavs (vantagem: Curry este ano, bloqueios no ano passado) ou mais leve, como LaVar Ball vs. Noção (vantagem: infelizmente, Ball). Alguns serão mais difíceis, como Durant vs. LeBron (vantagem: (ainda) LBJ), outros mais fáceis, como DeRozan vs. playoffs (vantagem: obviamente os playoffs.) e outros podem até envolver hipismo, como Cavaliers vs. Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (vantagem: Armagedão em Cleveland). Certo é que vocês não vão concordar com alguns. E não há nenhum problema nisso.

 

LeBron James vs. Cansaço

 

Levar uma equipa às costas é coisa para cansar. Principalmente quando essa equipa é constituída por homens altos e com mais de 100 quilos. Principalmente quando alguns deles ainda trazem com eles uma Kardashian (estou a olhar para ti, Tristan Thompson e para os teus 4p, 4r e 0b nestas Finais). Principalmente quando já tens 32 anos e começas a suspirar sempre que te sentas num sofá. Principalmente quando estás a jogar contra aquela que é provavelmente a melhor equipa de sempre. Bom, o ponto é que esta merda cansa. E LeBron está cansado.

 

No jogo 2 das Finais houve claramente dois LeBrons. O LeBron “Galactus, o Devorador de Mundos” James, que não parava de entrar para o cesto e voava em transição à velocidade de uma locomotiva alimentada a fissões nucleares. Ao intervalo já tinha 18 pontos e 10 assistências. Esse LeBron produziu esta maravilha de ‘shot chart’ na primeira parte. Uma espécie de Kandinsky de basket divino.

 

 

 

E depois apareceu o LeBron estourado, que lançou só seis vezes na segunda parte inteira e apenas uma vez no quarto período, a esmagadora maioria delas a partir do perímetro. Numa jogada no ataque, LeBron tinha Curry a cobri-lo no garrafão e pareceu não ter energia sequer para ganhar posição de forma agressiva lá dentro. LeBron estava cansado:

 

 

Esta é uma das consequências de jogar ao ritmo dos Warriors. GSW quer correr e não se importa que corram com eles. O problema é que estes Cavs não parecem ter energia para acompanhar as gazelas da Califórnia durante quatro períodos. O Shumpert jogou só 22 minutos no Domingo e estava cheio de cãibras no final. Este foi o segundo jogo mais rápido da época para Cleveland e, dos 214 jogos de playoffs em que LBJ já participou na sua carreira, nenhum deles tinha sido tão rápido como os dois primeiros jogos destas Finais. Este é um dos argumentos para os Cavs diminuírem o ritmo do jogo e escolherem bem quando devem correr. LeBron pode ser um cyborg, mas é um cyborg com 32 anos. Imaginem um Roy Batty cheio de ferrugem e algumas porcas soltas.

 

Contudo, desacelerar não parece estar nos planos dos Cavs.

 

 

Pode ser um erro…

 

Vantagem: Cansaço.

 

 

Durant vs. Unicórnios

 

Durante os últimos dois anos, fartámo-nos de ouvir falar de unicórnios. Ai que o Porzingis parece um condor que por qualquer bug da teoria da evolução lança bem de três. Ai que o Giannis pode ser o primeiro base da NBA a conseguir fazer eurosteps da linha de triplo. Ai que o Embiid consegue fazer basicamente tudo e apaixonar a internet pelo caminho.

 

Mas é possível que o maior unicórnio de todos estivesse sempre debaixo dos nossos olhos. Um alien de 2,06 metros, com mais de 100 quilos, que coincidentemente é um dos melhores atiradores que esta Liga já viu e dribla melhor do que alguns bases. Kevin Durant não é bem um segredo, mas aquilo que ele está a fazer nas Finais é uma revelação. Com um renovado foco na defesa, ele está a fazer rotações perfeitas, a bloquear lançamentos no garrafão e no perímetro, a roubar bolas, a galopar em transição, a marcar pontos e, imagine-se, até passa a bola a quem está desmarcado. Uma táctica, que deixa Kyrie Irving muito confuso. As Finais de Durant contam-se, até agora, com médias de 36 pontos, 11 ressaltos, 7 assistências, 2,5 blocks e 1,5 steals, com 56% de eficácia de lançamento.

 

Nos primeiros dois jogos, ele tem sido o melhor jogador em campo. Sim, melhor do que o LeBron, que parece ter-se esquecido de como se defende ou então não tem energia (ver tópico em cima). Durant acertou 10-17 com ele a defendê-lo, com apenas um turnover. Dito isto, calminha com a cena do “é o melhor jogador do mundo”. Durant está a ser o melhor jogador desta série. Já imaginaram LeBron nos Warriors? Por acaso, acho que não funcionaria tão bem como o KD por vários motivos. Portanto esqueçam o que acabei de dizer. O ponto é que o LeBron tem muito mais provas dadas. Respect.

 

A história do Durant é também a história da NBA. Depois de ter entrado na NBA em 2007 jogar a shooting guard (!), no jogo 2 das Finais de 2017 foi o melhor poste em campo. Tinha jogado oito minutos nessa posição. Estão a vê-lo a galopar com uma crina de arco-íris? Pois, eu também.

 

 

Vantagem: Durant.

 

JR Smith vs. David Copperfield

 

 

Nestas Finais, o amigo JR não está, na linguagem técnica dos treinadores de basquetebol, a fazer a ponta de um corno. Agarrem-se: em 21 minutos, ele tem médias de 1,5p, 1r, 0a, 0s, 0b e 2,5 faltas. Mais faltas do que pontos. ‘Nuff said. O David Copperfield fez um dia desaparecer a Estátua da Liberdade, mas nem ele seria capaz de um feito como este.

 

O JR tem tido a camisola vestida, o que pode ser um problema.

 

Vantagem: David Copperfield. Os truques são foleiros, mas andou com a Claudia Schiffer nos anos 90.

 

 

Golden State Warriors vs. Fantasmas

 

 

Um “versus” de que me poderei arrepender dentro de poucas horas. Mas que se lixe. Se os Warriors continuarem a passear nos playoffs – e terminarem 16-0 – entrarão definitivamente na conversa da melhor equipa de sempre. Por esta altura, o pessoal do nunca-nenhum-jogador-vai-chegar-sequer-aos-calcanhares-do-Jordan (vocês sabem quem são) deve estar a lançar-me uma fatwa. Mas não há nada a fazer. Podemos discordar, mas não os podemos tirar de lá.

 

No ano passado, a equipa que bateu o recorde dos Bulls ao perder apenas 9 em 82 jogos, era uma excelente candidata a passar a deter a tocha de melhor equipa de sempre. Mas entretanto aconteceu LeBron (e os testículos do LeBron) e uma vantagem de 3-1 transformou-se num meme da internet. O recorde passa a ser deles, mas ninguém vai pensar naquela equipa como a melhor de sempre.

 

Este ano, GSW tirou o pé do acelerador durante a época regular e ganhou “apenas” 67 jogos. No entanto, nos playoffs, aquela altura do “todos os jogos contam” e do “dar sempre o litro”, nunca uma equipa foi tão dominadora. A que esteve mais perto de o fazer foram os Lakers de 2001, mas o sonho dos 16-0 foi desfeito por um Iverson em modo “vou arrancar-te o coração pela garganta” (48p, 6a, 5s) que espezinhou os Lakers (em especial o coitado do Tyronn Lue).

 

Com ou sem título este ano, já estamos a assistir aos melhores três anos de época regular de sempre: 207 vitórias em 246 jogos (84%). Agora, juntem-lhe um 16-0 nos playoffs. Se Golden State vencer, terão dois títulos em três anos. Quantos poderão ganhar nos próximos cinco anos? O incrível desta pergunta é se eu disser três, vai parecer pouco a muita a gente.

 

Isto tudo está a ser um pouco aborrecido este ano? Talvez. Mas os Warriors não têm culpa disso. Portanto, não sejam mal-agradecidos. Logo à noite sentem-se no vosso sofá, comam os vossos nachos e agradeçam aos deuses (e à NBA que não quis suavizar a subida do salary cap) poderem ver jogar a (provável…) melhor equipa de sempre.

 

Vantagem: (vou tão arrepender-me disto) GSW

 

 

Curry vs. “Adversidade”

 

Estas Finais numa só fotografia.

 

 

Vatangem: Curry.

 

 

Defesa dos Warriors vs. Alien vs. Predator

 

 

Em resumo: está a ser absolutamente incrível. Já falámos do Durant, mas não é só ele. Aliás, eu diria que nem sequer é principalmente ele. O maior protagonista da defesa de GSW é o colectivo, as rotações perfeitas, as decisões certas, a comunicação, a inteligência, a velocidade… Mas tem havido dois pilares claros: Klay Thompson e Draymond Green. O Klay tem feito a vida mais negra ao Kyrie do que o professor dele de Geografia no liceu, enquanto o Green parece estar em todo o lado, menos entre as virilhas dos adversários, o que é um enorme avanço face ao ano passado.

 

Como escreveu Zach Lowe há dias, o ataque dos Cavs nestes primeiros dois jogos tem sido equivalente à pior equipa da NBA. E isso é mérito de GSW, que nestes playoffs têm sofrido apenas 98,8 pontos por cada 100 posses de bola, o que é 9,2 pontos abaixo da média da Liga. É a maior diferença de sempre para qualquer equipa que tenha chegado às Finais.

 

A sério. Olhem para isto:

 

 

E depois estes idiotas ainda têm a lata de ser humildes.

 

 

Vantagem: Defesa dos Warriors.

 

 

Cavs vs. Proposition 64

 

Entretanto, parece que parte das falhas defensivas dos Cavs está explicada. Não é propriamente falta de energia, mas é difícil uma pessoa concentrar-se com aquele todo cheiro a nachos e cachorros quentes.

 

 

Vantagem: Proposition 64.

 

 

 

Larry Nance Jr. vs. Ivica Zubac

 

Como a vida não pode ser apenas basket jogado ao mais alto nível, senhoras e senhores apresento-vos os Los Angeles Lakers 2017.

 

 

Vantagem: Todos nós.

 

Nuno Aguiar

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