August 25, 2019

 

Heleno (2012)

com: o Xerxes do 300 (para eles), o Karl d’O Amor Acontece (para elas) ou o traveca de Karandiru (para quem NS/NR)

 

Os Brasileiros reclamam muita coisa. O samba? É deles. Um bruta dum Carnaval? É deles. O Melhor Jogador da Estória da bola? E-hem! Oi! Epá, até que pode ser, é deles, vá.

E o primeiro jogador playboy, que para além de ser craque com a redonda também era doidinho por ‘vamo fazer barulho poooorra!’ sem ela? É deles?…

Confere. Esqueçam Best, Maradona, o nosso Vítor Baptista, Gazza ou Balotelli. Heleno de Freitas viveu para jogar e quebrar pra valer!

 

Foi ídolo do Botafogo sem ter ganho um único caneco de jeito pelo clube. Estamos no Rio de Janeiro cinzentão de 1930 e picos e Heleno de Freitas é um nababito com jeito para jogar à bola que bota literalmente fogo a qualquer peça à sua volta: um colega de time, um técnico, uma planta que o xinga, um velho que passa assobiando, uma coquete que nem Português fala, um fósforo que precisa de ajuda para queimar como deve ser…

 

Soltamos uma ‘traila’ do filme para ficarem com uma ideia:

 

O PROTAGONISTA

Mais do que o jeitinho para jogar à bola que lhe valeu o lugar no coração dos adeptos do Futebol Brasileiro pré-Pelé, Heleno foi o génio imperfeito (passe o pleonasmo) para o tempo mais-que-perfeito: o Brasil de Getúlio era uma seca pegada, a Europa da 2ª Guerra também era uma cena que “a mim não me assiste” (e a ti também não, já agora!), o Futebol Brasileiro não ganhava porra nenhuma fora de portas (Heleno falhou Copas por motivos de ‘Todos Contra o Adolfo’) e havia ali cheiro de anti-herói, de alguém em constante procura e perda de si mesmo.

A personagem agarra logo quem começa a ver a cousa. Porque começa sem rodeios, logo ali, no olho do furacão: não vemos Heleno como guri, nem sequer ficamos com vontade de saber o quão difícil foi a sua infância ou a primeira vez que começou a dar toques no couro de olhos fechados. Este não é o Brasil do futebol de rua, é o Mundo de Heleno, sacou? ‘Senta o dedo na claquete e segue rodando!’.

 

O FILME

Vê-se bem porque larga a cor de personagens capazes do arco-íris em menos de um segundo: o Rio de Janeiro como nunca o vimos, um jogador da bola que funciona à base de constantes pontos de interrogação seguidos de histéricos manguitos, umas Heleno-Girls metidas ao barulho para aturar o louco andar da carruagem e… se bem nos lembramos, é mais ou menos isto.

 

Acreditem que funciona porque Rodrigo Santoro levou o papel e o homem mais a sério do que Heleno de Freitas alguma vez… se deixou levar.

 

 

 

Não sabemos sequer quantos títulos ganhou Heleno. Nem isso interessa.

O que podemos dizer é isto: caso existisse o troféu Malandro d’Or deveria ser imediatamente rebaptizado para… Heleno de Ouro.

 

 

Manuel Tinoco de Faria

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