October 19, 2018

 

O Football Manager aparece na sua versão de 2019, de cara lavada e é lançado no próximo dia 2 de Novembro.

 

As tão desejadas mudanças nos sistemas de treino e tácticos, sistematicamente pedidas pelos fãs da saga, foram finalmente efectuadas e prometem fazer as delícias dos aficionados do jogo.

 

O Entre Linhas foi conversar com Bruno Gens Luís, um dos coordenadores da base de dados Portuguesa.

 

 

EL: Bruno, em primeiro lugar, foi amor à primeira vista entre ti e o Football Manager?

 

BL: Desde já obrigado pelo convite. Sou um apaixonado por futebol e posso dizer que todas as minhas memórias de infância envolvem futebol, seja com família, seja com amigos ou seja em competição, por isso foi fácil “apaixonar-me” uma vez mais, desta vez pelo velhinho CM. A primeira vez que tive contacto com o jogo foi na casa de uns primos meus, onde fiquei uma tarde a observá-los a jogar ao CM2. A partir desse momento, onde eu encontrasse um computador (só tive aos 13 anos – 1999) instalava e ficava a jogar dias inteiros com amigos meus. Eu era tão chato com o jogo, que imprimia os meus plantéis e respectivas estatísticas e levava-as para a escola. Obviamente ninguém queria saber daquilo para nada, mas eu ficava feliz na mesma.

Como era criança, incialmente fazia as tradicionais batotas de adicionar um treinador na equipa rival e “espetar” 49-0 aos meus adversários. Outra mania que tinha, era de contratar jogadores de Andorra, Luxemburgo, Liechtenstein para as minhas equipas, talvez por pena de serem tão fracos e pensar que se os usasse, eles desenvolver-se-iam, infelizmente naquela altura não sabia que havia um potencial máximo de desenvolvimento.

 

Com os anos fui amadurecendo, deixei de fazer batotas e incomodar os meus amigos com os meus feitos.

 

 

EL: Como se deu a tua entrada no Football Manager?

 

BL: Posso dizer que tinha demasiado tempo livre… No último ano de universidade, tinha poucas cadeiras, e não conseguia arranjar emprego, então ocupava os meus tempos livres a explorar o FM 2013. Eu sempre fui conhecido por gostar de fazer updates, e estava um pouco cansado de ver sempre os mesmos erros no jogo, então decidi inscrever-me no fórum da Sports Interactive. Durante cerca de dois anos, fui colocando quase diariamente dezenas de erros, até que um membro da Sports Interactive me convidou para integrar a equipa de Pesquisa Portuguesa.

 

Colocou-me em contacto com o José Chieira, a quem eu entreguei um documento word com cerca de centena e meia de páginas recheadas com erros e comecei de imediato a colaborar na equipa.

 

EL: Quanto tempo depois assumiste a coordenação da Pesquisa?

 

BL: Já não me lembro bem ao certo, mas entre um ano e pouco a dois anos. Primeiro coordenei o Campeonato de Portugal, onde os planteis tinham cerca de 3-4 jogadores cada um, depois passei para a coordenação da base de dados dos Palop, onde por exemplo conheci o Gelson Dala muito antes de chegar ao Sporting, e por fim aquando da saída do José Chieira, fui convidado para assumir o posto em conjunto com o Carlos Bessa.

 

Posso dizer que em cerca de 2 anos passámos de 8 mil jogadores para 20 mil a actuar em Portugal (hoje em dia perto de 26 mil), o campeonato de Portugal tem planteis criados (até à data de fecho da base de dados) e as primeiras divisões distritais de cada AF também estão bem compostas. Tudo isto com cerca de 45 pessoas em média, a colaborar voluntariamente, na elaboração da base de dados, mas em constante mutação.

 

 

EL: Mas se são todos voluntários, como conseguem desenvolver uma base de dados de 26 mil pessoas e de fiabilidade acima da média?

 

BL: Somos todos voluntários, mas estamos a fazer algo que gostamos. Apesar de sermos 45, em média, apenas 38 participam por cada fase, porque respeitamos os pedidos de “ausência” de determinados researchers aquando de alturas de exames, férias, saturação etc

 

Nem todos os 26 mil estão avaliados, por norma só avaliamos jogadores dos 3 escalões jogáveis e nem todas as equipas do Campeonato de Portugal têm avaliações pormenorizadas de cada jogador. Infelizmente não conseguimos researchers para todas as equipas.

 

Muitos candidatos a researchers, pensam que só fazemos “scouting”, mas não é bem assim.

 

Necessitam de transpor o seu conhecimento para o nosso software e é nessa parte que perdemos cerca de 80% das pessoas interessadas em colaborar, essencialmente por não tentarem sequer aprender a funcionar com as ferramentas. Serve no entanto como uma óptima filtragem, visto que sabemos de antemão quem se esforçaria ou não para cumprir as tarefas e os prazos de entrega.

 

EL: Como se entra na vossa equipa?

 

BL: No nosso site, temos um link para os candidatos preencherem um formulário. Quem se candidatar a observação de equipas, terá obrigatoriamente de enviar um pequeno relatório da mesma, com pontos fortes e fracos dos jogadores do plantel, nos 5 dias úteis seguintes.

 

Depois procedemos a um pequeno teste de criação de um perfil de jogador/treinador, onde, tal como dissemos anteriormente, a maioria dos candidatos desiste.

 

EL: Supomos que todos os membros da equipa de Pesquisa têm o sonho de saltar para um clube. Sinceramente achas que estariam preparados para esse desafio e deveriam os clubes prestar mais atenção em vocês?

 

BL: Diria que sim, todos temos esse objectivo, mas nem todos fazemos trabalho de “scouting” na equipa. Alguns integrantes fazem apenas pesquisa de dados, sem observação de jogos, esses não teriam condições de integrar um departamento de observação de uma equipa. No entanto com a experiência acumulada seriam bons em gestão de informação e até mesmo para networking devido aos contactos feitos durante as suas tarefas. Quanto aos verdadeiros “scouts” da pesquisa, há quem esteja melhor preparado do que outros, penso que a maioria seriam mais-valias, mas precisariam de formação inicial. Não é a mesma coisa observar para o FM e para um clube.

 

 

EL: E que diferenças são essas?

 

BL: Essencialmente um tem consequências e a outra não. No FM podes falhar, sim essa falha poderá dar origem a críticas, mas não há uma consequência real. Ao nível de clube, caso recrutem o jogador observado e aconselhado por ti, e este não seja aquilo que se esperava, não só o clube perderá dinheiro que poderia ter investido num outro jogador e esperar retorno, como também a tua reputação ficará manchada e podes perder credibilidade. Outra grande diferença são os contextos. No Football Manager, os atributos são os que aparecem. Na vida real, quando se observa um jogador, deve-se filtrar os jogadores que cumpram um determinado perfil que o treinador pretenda, e depois observar como se comportam em determinados contextos/adversidades e nos diferentes momentos do jogo.

 

Um defesa pode ser bom a jogar em bloco baixo, e não tão bom com linhas subidas, enquanto no FM não há maneira de distinguir isso.

 

No entanto, o FM pode ser um óptimo complemento de scouting, quer seja para dar pistas de quem observar, como para dar uma validação final da nossa observação.

 

EL: Apesar dessas diferenças, há treinadores e mesmo elementos de departamentos de scouting que utilizam o FM para contratar jogadores….

 

BL: Sim é verdade, não creio que seja a melhor abordagem, porque a avaliação do FM não deveria ser factor decisivo na contratação de um jogador, mas sim tal como disse anteriormente, apenas um complemento. Eu não o faria, mas admito que utilizaria para filtrar alvos.

 

Roberto Firmino foi descoberto pelo FM

 

EL: Voltando à equipa de pesquisa Portuguesa. Viajam muito? Assistem a quantos jogos em média cada um?

 

BL: Depende não só da disponibilidade do researcher, como do número de equipas que os researchers queiram observar. Como é um trabalho voluntário, cada researcher tem por norma apenas uma equipa. Não queremos sobrecarregar ninguém, nem que tenham gastos excessivos em bilhetes e deslocações. Há quem tenha mais que uma equipa, geralmente são equipas próximas da localidade do researcher. No meu caso, percorro o país todo menos ilhas, não só para assistir séniores dos diversos escalões, como também camadas jovens.

 

EL: Só para o FM?

 

BL: [Risos], sou dedicado, mas não ao ponto de comprometer as minhas finanças. Faço-o profissionalmente, para clubes e empresas de scouting, no entanto, quando não tenho ligação a qualquer um desses, gosto de andar a ver jogos e tirar notas, já o faço instintivamente e por gosto, obviamente não faço tantas viagens longas durante esses períodos.

 

EL: Se te pedíssemos uma lista dos melhores jogadores do Campeonato de Portugal conseguirias….

 

BL: É uma tarefa ingrata, poderia fazer vários onzes repletos de jogadores com imenso talento. Assim sendo, sem os considerar como os melhores da competição, mas sim alguns que me despertaram a atenção nas últimas épocas, escolho estes, apesar de alguns nem serem titulares nas suas equipas.

 

 

 

EL: E de camadas jovens em Portugal?

 

BL: Deixo isso para vocês explorarem no Football Manager 😀

 

EL: Mas podes dizer alguns dos nomes a ter em atenção nesta edição da Liga Portuguesa no FM2019?

 

BL: Fora os “grandes”, gosto muito do Stephen Eustáquio, Chiquinho, Nikola Maras, Palocevic, Nakajima, Tiago Silva, Bebeto, Lucas Áfrico, Osama Rashid entre outros, mas tal como disse anteriormente, não são necessariamente os que considere ser os melhores.

 

EL: Continuando a temática do FM2019, quais são as novidades desta edição?

 

BL: Para além do grafismo que vem de cara lavada, os módulos de treino e táctica sofreram a desejada reformulação, que os fãs da saga pediam há alguns anos.

 

 

Os treinos serão repartidos em três sessões diárias, com 10 áreas de treino disponíveis para escolher em cada uma, e nessas áreas diversos tipos de treino.

 

O plantel passa a estar dividido em unidades de treino, e cada grupo terá o seu foco.

 

Basicamente passam a existir microciclos semanais, onde se pode escolher treinar com base nas características do adversário, quer para explorar pontos fracos, como para fortalecer áreas mais fracas da nossa equipa, ou planear algo de longo prazo e implementar uma filosofia com dinâmicas próprias.

 

 

A nível táctico estão predefinidas várias filosofias, tais como Tiki-Taka, Gegenpress, Park the Bus ou Catenaccio, ou podemos criar o nosso próprio de raiz, o motor de jogo passa finalmente a ter em consideração os 4 momentos de jogo, organização ofensiva e defensiva e as transições ofensivas e defensivas, podendo ajustar como queremos que a nossa equipa funcione em cada uma delas.

 

Foram adicionadas novos “roles” para jogadores, tais como os avançados pressionantes ou os defesas que não inventam.

 

 

Pode parecer algo complexo, mas para contornar essa possível dificuldade, a Sports Interactive adicionou um sistema com instruções claras e bem definidas sobre cada painel.

 

 

O VAR e tecnologia da linha de golo passam agora a estar presentes no jogo, mas só nas competições que os utilizam na vida real. As suas decisões causarão alvoroço que será transposto para as conferências de imprensa e redes sociais, já presentes no jogo.

 

 

Por último, a liga Alemã, que finalmente passará a estar licenciada.

 

 

EL: Não sei se podes falar sobre isso, visto que não foi anunciado publicamente, mas a liga sub-23 estará presente no jogo?

 

BL: Só vos posso dizer que gostamos de ter o maior realismo possível…

 

EL: Para quando o Entre Linhas no FM? 🙂

 

BL: Este ano, a Sports Interactive pediu-nos uma lista de media Portugueses, para adicionar no FM2019, o EL foi um dos nomes que enviámos para aprovação. Provavelmente ainda não aparecerá nesta edição, mas quase de certeza estará presente no FM2020.

 

EL: Quando sai o jogo a publico e qual é o preço que se poderá adquirir?

 

BL: O jogo sai oficialmente a 2 de Novembro, porém a versão BETA sairá em meados de Outubro.

O jogo custará 55€ nas lojas e steam, mas através do site da pesquisa Portuguesa poderão comprar 32€ .

 

Podem-nos encontrar no nosso Site e Facebook.

 

Por aqui, o Entre Linhas já tem o FM2019 e garantimos que vai acabar com muitos relacionamentos! Mulheres controlem os vossos companheiros…

 

Hugo Morgado

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