September 20, 2018

Caros leitores, volto para nova análise à jornada da Liga e antevisão ao primeiro jogo da Champions League do F.C. Porto. Em primeiro lugar, mantenho a minha admiração pela ausência de patrocinador nas camisolas dos dragões. Não que seja perturbador, mas não tenho memória de algo semelhante.

Em relação ao primeiro ponto, o Porto debateu-se contra o F.C. Arouca, no seu campo “original”, que apesar de possuir as mesmas dimensões do Municipal de Aveiro (quem diria?) por razões implícitas/psicológicas incrementam o nível de dificuldade ao visitante. Considero o resultado (1 – 3) enganador. Eis os factos que me apoiam nessa análise:

 

  • Pela primeira vez na temporada o FC Porto teve menos de 60% de posse de bola. Apenas 54%. Os passes foram mais objetivos, atingindo cerca de 80% de sucesso. Considero de bom nível, embora na Champions é imperativo uma percentagem maior, pois, habitualmente, todas as falhas pagam-se caras.
  • Poucos remates enquadrados. As estatísticas revelam 7 remates enquadrados com a baliza, num total de 16. Embora traduza falta de pontaria, quase metade convertam-se em golo. Considero que esta equipa precisa de ser mais rematadora, procurar a mais sorte, devendo apostar forte em treinos de finalização.
  • Numero elevado de amarelos. Foram sancionados 7 jogadores com amarelo, e 6 caíram aos azuis e brancos! Facto estranho, considerando a proporção das faltas cometidas (Arouca 19 – 23 Porto). Atualmente não terão implicações imediatas, mas a longo prazo poderão ser um quebra-cabeças para elaborar um 11 forte.
  • Titularidade de Corona. Estranhei um jogador acabado de chegar ser imediatamente convocado e titular (não é comum no F.C.P.). Rapidamente fiquei esclarecido, pois até fez esquecer Varela e as suas perdas de bola. No entanto suscitou-me dúvidas relativamente à demora da sua vinda: dificuldades nas negociações ou contratação intempestiva e à última hora por falta de qualidade na sua posição?
  • O Arouca demonstrou que é um forte conjunto, no entanto com as lacunas de uma equipa com orçamento reduzido. Esteve taco a taco em número de ataques (cerca de 100), mas faltou-lhes esclarecimento para rematar. Parabéns ao Arouca. De certeza que irão realizar uma boa época.

 

Saliento as presenças de André André e Ruben Neves no 11 inicial e a entrada de Bueno perto do final. Pena que Bueno não tenha mais oportunidades, mas com o tempo pode ser que encontre o seu espaço. Os dois portugueses serão peças fulcrais para a rotatividade no meio campo que será necessária para os próximos jogos nacionais e europeus.

 

Avançando para a Champions League. Todos conhecemos os adversários do FC Porto: Chelsea, Dinamo Kiev e Maccabi Tel-Aviv FC. Considero o grupo exigente, pelas deslocações (longas) e a exigência imposta pelos adversários.

O meu prognóstico para o FC Porto vs Dínamo Kiev (em território ucraniano):

Vitória (65%), empate (30%) e derrota (5%).

Será o jogo que colocará, verdadeiramente, à prova o valor desta equipa, e eis as razões:

  • O Dínamo em casa nos últimos jogos marcou quase sempre mais de 2 golos em casa. Em jogos oficiais apenas perdeu na supertaça e um empate fora na penúltima jornada.
  • A deslocação poderá ter implicações no desempenho dos jogadores, devido à distância/tempo de viagem.
  • Relembro as contratações (milionárias). Julgo que será o jogo onde todos os jogadores tentarão demonstrar o seu valor por se encontrarem na “montra europeia”.
  • Renovação da imagem. Apesar do bom desempenho na última época, o último jogo do ano transato foi desastroso. Esse jogo servirá de mote para limpar a imagem deixada em Munique.

 

Em suma, estes factores levam-me a antever a vitória como o resultado mais provável, sem retirar mérito aos ucranianos, pois não ficarei surpreso se o jogo acabar empatado (provavelmente a zero). Será importante um resultado positivo, para não perturbar um dos jogos mais importantes da equipa para a Liga Portuguesa, contra o S.L. Benfica no Estádio do Dragão.

 

Rafael Cunha

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